México: é tarde para investir na bolsa mexicana?
O México apresenta perspetivas favoráveis a longo prazo
O México apresenta perspetivas favoráveis a longo prazo
Donald Trump nunca foi aliado do México. Paradigmático dessa postura, durante o seu primeiro mandato, promoveu a construção do famigerado muro, na fronteira entre os dois países. A esta medida somaram-se expulsões em larga escala de cidadãos mexicanos, decretadas pelo próprio Presidente.
A nível económico, Trump forçou a renegociação do NAFTA, o acordo de comércio livre da América do Norte (EUA, México e Canadá). Este passou a denominar-se de USMCA e impôs condições mais exigentes para as empresas a operar no México e que querem aceder ao mercado dos EUA.
Com este histórico, o México e os investidores receavam que o segundo mandato de Donald Trump fosse igualmente desafiante para o vizinho do sul.
O México não escapou às ameaças de tarifas por parte da Casa Branca. Contudo, evitou o impacto do chamado Liberation Day (2 de abril de 2025), quando o Presidente americano anunciou a imposição de direitos aduaneiros contra a maioria dos parceiros comerciais norte-americanos
As trocas realizadas ao abrigo do USMCA, que representam cerca de 80% das exportações mexicanas, ficaram fora da maioria das tarifas. Uma exceção que confere ao México uma vantagem competitiva relevante e um acesso privilegiado ao mercado americano.
Este cenário é favorável e permanece válido mesmo após o Supremo Tribunal dos EUA ter invalidado a maioria das tarifas decididas pela administração Trump.
Apesar de uma trégua na retórica, subsistem tensões entre a Cidade do México e Washington. Os cartéis mexicanos continuam na mira da Casa Branca, que chegou a ameaçar uma intervenção militar. Para já, a situação parece mais bem encaminhada, depois de as autoridades mexicanas terem eliminado um dos mais procurados traficantes nos dois países.
Washington também evocou a possibilidade de aplicar tarifas mais elevadas, caso o México forneça petróleo a Cuba, privada agora do fornecimento do crude venezuelano.
Por fim, a reavaliação do acordo USMCA, prevista para o início de julho, poderá introduzir condições adicionais.
A Presidente Claudia Sheinbaum tem procurado valorizar os pontos fortes do México. O peso mexicano apreciou-se 18,6% face ao dólar nos últimos doze meses, beneficiando da fraqueza, em geral, da nota verde, e impulsionado pelo investimento estrangeiro.
A inflação mantém-se relativamente estável, situando-se entre 3% e 4%, depois dos máximos próximos de 9% em 2022. Paralelamente, as taxas de juro diretoras desceram de 11,25%, em 2024, para os atuais 7%. Esta redução do custo do crédito deverá sustentar o investimento privado e o consumo.
As cadeias de produção e de abastecimento da indústria norte-americanas encontram-se profundamente integradas, tornando difícil uma dissociação. Entre a China e o México, os Estados Unidos tenderão a privilegiar o comércio com o vizinho do sul, pois está longe de ser percecionado como um rival pelo domínio global por parte de Washington.
Beneficiando de um acesso privilegiado ao mercado norte-americano, o México permanece bem posicionado para atrair investimento direcionado a todo o mercado da América do Norte.
Em simultâneo, a descida do custo do crédito (descida dos juros) deverá sustentar o consumo interno.
Por fim, apesar da forte valorização no último ano, a bolsa mexicana apresenta um rácio PER de 13,5, inferior à sua média histórica (13,8) e à média dos mercados emergentes (14).
Em suma, o México retém perspetivas favoráveis a longo prazo pelo que ainda não é demasiado tarde para investir (até 5% da carteira).
Recomendamos 2 ETF:
Xtrackers MSCI Mexico UCITS ETF 1C (LU0476289466)
iShares MSCI Mexico Capped UCITS ETF USD Acc (IE00B5WHFQ43)