Denúncias de fraudes e esquemas
Ao todo, foram registadas mais de 1 milhão de denúncias (1 008 597), somando perdas de cerca de 20,9 mil milhões de dólares — um crescimento de 26% em relação ao ano anterior. Dentro desse universo, as criptomoedas destacam-se como o principal vetor de prejuízo, com mais de 181 mil queixas.
Para efeito de comparação, em 2017 os prejuízos com fraudes envolvidas em ativos digitais giraram em cerca de apenas 27 milhões de dólares. Em menos de uma década, esse valor explodiu, multiplicando-se por mais de 400 vezes.
O golpe mais lucrativo: investimentos falsos
A maior parte das perdas vem dos chamados golpes de investimento em criptoativos, responsáveis por cerca de 7,2 mil milhões de dólares em prejuízo. Esse tipo de fraude segue um padrão bem estruturado: os criminosos abordam as vítimas por redes sociais, mensagens ou aplicações de relacionamento, conquistam a sua confiança e apresentam oportunidades de investimento
As vítimas são então direcionadas para plataformas falsas, onde visualizam lucros artificiais. Incentivados a investir mais, acabam enviando grandes quantias em criptomoedas. Quando tentam levantar o dinheiro, são pressionadas a pagar taxas inexistentes.
Segundo o relatório, muitas dessas operações têm origem em organizações criminosas no Sudeste Asiático.
Idosos são as principais vítimas, mas os jovens também se enganam
O impacto é particularmente severo entre pessoas com mais de 60 anos, grupo que concentra o maior volume de perdas — ultrapassando os 4,4 mil milhões de dólares. Ainda assim, os dados mostram que as faixas etárias mais jovens também caem em esquemas cada vez mais sofisticados, muitas vezes ligados ao ambiente digital.
Outro tipo de fraude em crescimento envolve caixas eletrónicas de criptomoedas. Nestes casos, as vítimas são induzidas a transferir dinheiro através de códigos QR, acreditando tratar-se de operações legítimas. Este esquema já gerou centenas de milhões em prejuízos, afetando sobretudo os mais idosos, que tendem a ter menos familiaridade com este tipo de tecnologia.
Também preocupa o aumento dos chamados “golpes de recuperação”. Neste modelo, os criminosos voltam a contactar vítimas de fraudes anteriores, prometendo recuperar os valores perdidos — geralmente mediante o pagamento de taxas ou serviços fictícios.
Especialistas alertam que a sofisticação crescente destes esquemas, aliada ao uso de inteligência artificial e engenharia social, torna cada vez mais difícil identificar sinais de fraude. Por isso, reforça-se a importância da literacia digital, da verificação rigorosa de contactos e propostas, e da denúncia rápida às autoridades em caso de suspeita.
Em suma
Os golpes com criptomoedas tornaram-se elementos principais no cenário de crimes digitais. O crescimento acelerado desse tipo de fraude, aliado à sofisticação das abordagens, reforça a necessidade de vigilância, educação financeira e investigação
Verifique a fonte de vídeos e áudios. Não confie em robôs de investimento com ganhos garantidos elevados, desconfie sempre de pedidos de dinheiro urgente e nunca partilhe a sua chave de segurança.
Saiba mais sobre fraudes financeiras e como se proteger das mesmas.