Investir em Certificados de Aforro ou do Tesouro: qual é a melhor opção?
Ambos têm a garantia do Estado, mas Certificados do Aforro e do Tesouto têm fórmulas de cálculo e perspetivas de rendimento diferentes.
Ambos têm a garantia do Estado, mas Certificados do Aforro e do Tesouto têm fórmulas de cálculo e perspetivas de rendimento diferentes.
Tanto os Certificados de Aforro como os Certificados do Tesouro são produtos de dívida pública, com a garantia do Estado. O que distingue estas aplicações é a forma de cálculo do rendimento e, atualmente, as perspetivas de rendimento.
Na Série F dos Certificados de Aforro, atualmente em subscrição, a taxa é calculada mensalmente com base nos valores da Euribor a 3 meses, segundo a fórmula E3, em que E3 é a média dos valores da Euribor a três meses observados nos dez dias úteis anteriores. Não pode resultar uma taxa base superior a 2,5%, nem inferior a 0 por cento.
O prazo máximo é de 15 anos e o mínimo exigido é de 100 euros na subscrição e 10 euros nos reforços. Cada subscrição vence juros, que são capitalizados com periodicidade trimestral.
Os Certificados podem ser resgatados em qualquer altura depois dos primeiros três meses.
Quanto aos Certificados do Tesouro Poupança Valor, a taxa é crescente e está definida no momento de subscrição (entre 0,7 e 1,6% bruta). Subscrevem-se também nos CTT, nos Espaços Cidadão ou no site da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, tal como os Certificados de Aforro, mas o mínimo é mais elevado: 1000 euros.
Se pretender reforços, terá sempre de fazer novas subscrições. Os juros são pagos anualmente na conta bancária definida no momento da subscrição e não é permitida a mobilização antes do primeiro pagamento de juros. A partir do terceiro ano, pode somar-se um prémio em função do crescimento do PIB.
A inflação parece estar controlada e, a menos que o contexto de guerras (no Médio Oriente e Ucrânia) crie um impacto nos preços, não são expectáveis subidas nas taxas de juro.
Nos últimos dois anos, o BCE foi descendo a taxa de juro de referência da zona euro até atingir os atuais 2%. A presidente, Christine Lagarde, tem mantido as taxas de juro inalteradas pela quinta vez consecutiva.
Para o Banco Central Europeu, apesar de um contexto internacional adverso, a economia permanece resiliente numa conjuntura mundial difícil. Apoiada por fatores como o baixo desemprego, a solidez dos balanços do setor privado, a execução gradual da despesa pública em defesa e infraestruturas e o apoio proporcionado pelas anteriores reduções das taxas de juro, que sustentam o crescimento.
No entanto, precisamente devido ao contexto internacional, em março, as taxas Euribor começaram a subir. Assim, o ciclo de descida das taxas pode ter terminado e as famílias deverão ser cautelosas, já que o breve alívio nas prestações do crédito imobiliário poderá ter terminado.
Nas poupanças, o cenário é precisamente o inverso, contudo não espere subidas acentuadas nas taxas de juro, até porque os bancos demoram sempre algum tempo a refletir as subidas nos depósitos a prazo.
Quem pode beneficiar brevemente com a subida das taxas Euribor são os Certificados de Aforro, cuja taxa base depende precisamente dos valores da Euribor a três meses do mês anterior. O mesmo não acontece com os Certificados do Tesouro, que estão praticamente moribundos.
Com a subida das taxas Euribor, iniciada em meados de 2022, os Certificados de Aforro foram os que mais beneficiaram, e de forma imediata, pois a taxa base é calculada mensalmente com base na Euribor a 3 meses. Essa taxa base é calculada a cada final do mês, para vigorar durante o mês seguinte. O cálculo correspondia à soma da média dos valores da Euribor a três meses, observados nos dez dias úteis anteriores, acrescida de 1 por cento. Da aplicação desta fórmula não podia resultar uma taxa superior a 3,5%, nem inferior a 0 por cento.
Assim, a taxa base da Série E dos Certificados de Aforro passou, em cerca de um ano, de 0,6% líquida em julho de 2022, para 2,5% (ou seja, 3,5% bruta), que era o seu limite máximo. A partir desse valor, mesmo que a Euribor continuasse a subir, a taxa base bruta mantinha-se em 3,5%, uma taxa altamente competitiva e que superava todos os depósitos a prazo.
Contudo, no início de junho de 2023, o Estado decidiu mudar as regras dos Certificados de Aforro: suspendeu a série E e lançou a série F, com um prazo mais longo (15 anos), com prémios de permanência mais baixos nos primeiros 9 anos e a própria fórmula de cálculo da taxa base também foi alterada, tendo o rendimento máximo descido para 2,5% bruto. Continua a variar em função da Euribor a 3 meses, mas sem um spread adicional, como acontecia na série anterior.
Desde o início de 2024, que as taxas foram descendo gradualmente. Mas, durante algum tempo, a Euribor a 3 meses mantinha valores elevados, pelo que a taxa base da nova série se manteve no valor máximo de 2,5% bruta.
Depois de um longo período em 2,5% bruta, em abril de 2025 começou a cair (2,415%) e não parou até chegar a 1,987%; algumas subidas e descidas nos últimos meses do ano e chegou a dezembro com a taxa bruta de 2,057%.
No início de 2026 a taxa base caiu para 2,046% em janeiro; em fevereiro caiu novamente para 2,031% e novamente outra queda em março para 2,012%. É provável que nos próximos meses comece a subir, já que a Euribor tem estado a subir.
Simule o rendimento na nossa calculadora de Certificados de Aforro.
Também muito mudou no mercado dos depósitos a prazo nos últimos meses, com a descida das taxas de juro, praticamente não há propostas com taxas acima da inflação. No entanto, há bastantes ofertas de depósitos com taxa igual ou superior à taxa base dos Certificados de Aforro.
De acordo com as nossas análises comparativas, para quem pretenda uma aplicação de curto, médio e mesmo longo prazo (até 5 anos), e com capital garantido, é nos depósitos a prazo que encontra as melhores taxas. A seis e doze meses encontra taxas até 2,7% e 2,5% brutas, respetivamente, bem mais do que os Certificados de Aforro (taxa base atual ronda os 2%). Pode conhecer todas as taxas de depósitos bancários no nosso comparador de depósitos a prazo e contas poupança.
Foi em 2021 que se iniciou a comercialização da série mais recente: os Certificados do Tesouro Poupança Valor (CTPV), bem menos interessantes do que a série antecessora (Certificados do Tesouro Poupança Crescente). E, desde o seu lançamento, que os CTPV mantêm as taxas. Ou seja, não existiu um acompanhamento da remuneração de acordo com o mercado, pelo que foram gradualmente perdendo interesse.
Os CTPV pagam juros anuais a taxa crescente durante 7 anos, que variam entre 0,7% e 1,6% brutos. Além disso, a partir do terceiro ano, pagam ainda um prémio que depende da taxa de crescimento do PIB.
Mas, como as previsões não são muito otimistas para esta variável, as nossas simulações de rendimento apontam um rendimento anual líquido que pode variar entre 0,7% a 0,9%. Ou seja, muito aquém do rendimento dos Certificados de Aforro e até dos melhores depósitos a prazo. Por isso, seria desejável que o IGCP revisse o cálculo do rendimento deste produto e atualizasse as taxas anuais deste produto.
Como pode ver na tabela em baixo, supondo que subscreve agora Certificados de Aforro, à taxa base de março (2% bruta), e que essa taxa se mantém durante os próximos 7 anos, considerando os prémios de permanência, obtém um rendimento líquido anual de 1,7%.
Fizemos esta análise para o prazo de 7 anos, que é o prazo dos Certificados do Tesouro. Com Certificados do Tesouro obtém bastante menos (0,7% líquidos ao ano, que poderá ser um pouco mais consoante o prémio em função do PIB.
Quanto podem render os Certificados de Aforro e do Tesouro?
| Resgate ao fim de… | Certificados de Aforro (Série F) - Rendimento anual líquido em % (TAEL) (1) | Certificados do Tesouro Poupança Valor - Rendimento anual líquido em % (TAEL) (2) |
|---|---|---|
| 1 ano | 1,5 | 0,5 |
| 2 anos | 1,6 | 0,5 |
| 3 anos | 1,6 | 0,5 |
| 4 anos | 1,6 | 0,6 |
| 5 anos | 1,6 | 0,6 |
| 6 anos | 1,6 | 0,7 |
| 7 anos | 1,7 | 0,7 |
| (1) Supondo que a taxa base de março de 2026 não se altera durante 7 anos. (2) Supondo que não há prémio em função do PIB. |
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Assim, claramente, os Certificados de Aforro são mais interessantes. Além disso, permitem reforços de pequeno montante em qualquer altura e têm liquidez após os primeiros três meses.
Apesar da taxa-base não superar a inflação, são uma opção para quem pretenda ter sempre o capital garantido e eventualmente fazer reforços de pequeno montante. Se tem um montante superior a 1000 euros e pretende aplicar por um prazo fixo, alguns depósitos a prazo rendem mais.
Depende do seu perfil e do contexto das taxas de juro. São produtos seguros, garantidos pelo Estado, mas com rentabilidade variável indexada à Euribor.
Os Certificados do Tesouro têm taxa fixa por escalões, enquanto os de Aforro estão indexados à Euribor. A escolha depende do cenário económico e do prazo do investimento.
Sim. São garantidos pelo Estado português, sendo considerados investimentos de baixo risco.
A rentabilidade depende da taxa em vigor e da Euribor. Pode variar ao longo do tempo.
Pode fazê-lo através do portal AforroNet ou presencialmente nos CTT.