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Publicado em: 02 abril 2026
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Autor: António Ribeiro

Taxa dos Certificados de Aforro regista a maior subida da série em abril

Depois de três meses com descidas, em abril, a taxa base da série F sobe para 2,138% e regista a maior subida desde o início da série. 

A série F foi lançada em junho de 2023, envolta em alguma polémica, já que trouxe algumas alterações pouco favoráveis ao aforrador. A DECO PROteste foi uma das entidades que mais criticou a nova série, pois apresenta um rendimento inferior – no máximo, 2,5%, maturidade mais longa (15 anos) e prémios de permanência que foram reduzidos para metade nos primeiros 9 anos, face à série anterior (série E).

Nos meses que se seguiram, os montantes aplicados foram sucessivamente encolhendo. Mas, no último ano, tem-se verificado uma inversão dessa tendência. Provavelmente devido à descida das taxas dos depósitos, em geral, e também devido ao alargamento dos locais de subscrição dos Certificados de Aforro (Banco BiG e APP dos CTT). Atualmente estão aplicados cerca de 40,6 mil milhões de euros em Certificados de Aforro, ainda assim, um valor muito inferior ao dos depósitos, nomeadamente 201 mil milhões de euros. 

A taxa base da série F dos Certificados de Aforro, em subscrição, é determinada mensalmente no antepenúltimo dia útil do mês, para vigorar durante o mês seguinte, segundo a fórmula: E3, em que E3 é a média dos valores da Euribor a três meses observados nos dez dias úteis anteriores, sendo o resultado arredondado à terceira casa decimal. A taxa base não poderá ser superior a 2,5% nem inferior a 0%.

Depois de um longo período em 2,5% bruta, em abril de 2025 começou a cair (2,415%) e não parou até chegar a 1,987%; algumas subidas e descidas nos últimos meses de 2025 e chegou a dezembro com a taxa bruta de 2,057%. No início de 2026 a taxa base caiu nos primeiros três meses: 2,046% em janeiro, 2,031% em fevereiro e 2,012% em março. Mas, em abril inverteu-se a tendência devido à subida das taxas Euribor e a taxa base foi fixada em 2,138%, registando assim a maior subida desta série.

Acima da inflação, só as séries antigas… e nem todas! 

Em termos líquidos, a série F rende agora 1,54%, ainda assim, bastante abaixo da inflação prevista para 2026 (2,8%, segundo a estimativa mais recente do Banco de Portugal). Assim, estes títulos não lhe garantem uma valorização real das poupanças, tal como também acontece com a maioria dos depósitos. A exceção são algumas séries antigas de Certificados de Aforro.

Em abril, a série A e B rendem 3,3% líquidos; a série B subscrita depois de junho de 1989 rende 3,3% bruta (2,4% líquida, abaixo da inflação); a série D rende 4,14% bruta (3% líquida); e a série E rende entre 3,64% e 4,14% bruta, consoante o ano de subscrição (ou seja, 2,6% a 3% líquida). Assim, a maior parte delas, garante um rendimento acima da inflação estimada, mas nem todas. Se tem alguma das séries anteriores, deverá manter! 

É provável que a taxa base dos Certificados continue a subir, acompanhando a Euribor, especialmente se o Banco Central Europeu proceder a alguma subida na taxa diretora da zona euro. Mas, supondo que a taxa atual se mantém durante os próximos 5 anos, obtém um rendimento anual líquido de 1,7%, já considerando os prémios de permanência; nas mesmas condições, mas supondo que aplica por 15 anos, obtém um rendimento anual líquido de 2,1%.

Pode simular o rendimento para prazos de 1 a 15 anos, supondo que a taxa base se mantém, na calculadora de Certificados de Aforro.

Depósitos ou Certificados de Aforro? 

Com a tendência de subida das taxas, os nossos leitores querem saber se são preferíveis os Certificados de Aforro ou os depósitos a prazo. Nos Certificados de Aforro, a subida das taxas é registada quase imediatamente, já que a taxa base veia em função da Euribor, enquanto nos depósitos depende das decisões comerciais de cada um dos bancos e, como tal, as subidas são mais lentas e de menor valor.

Ou seja, os bancos deverão ainda demorar algum tempo a incorporar essas subidas na oferta de depósitos a prazo. No entanto, há no mercado depósitos com taxas que vão até 3%, pelo que deverá procurar as melhores ofertas e assim consegue um rendimento superior ao dos Certificados de Aforro. O problema é que alguns desses depósitos podem exigir montantes elevados e não permitem reforços, não sendo comparáveis aos Certificados de Aforro no que diz respeito à flexibilidade.  
 
Há vantagens que devemos realçar no produto do Estado: nomeadamente o mínimo de subscrição e reforços muitos baixos (100 e 10 euros, respetivamente); a possibilidade de resgate a qualquer momento, após os primeiros três meses; a capitalização trimestral dos juros, que é pouco comum em produtos de capital garantido e o prémio de permanência crescente a partir do segundo ano.

Além disso, não tem quaisquer comissões e tem a garantia do Estado, já que se trata de um produto de dívida pública. Assim, se tem um montante significativo, verifique primeiro se alguma das ofertas bancárias com melhor taxa serve o seu propósito.

Consulte o nosso comparador de depósitos.

Se pretende um produto sem risco para ir aplicando as suas poupanças com reforços regulares, os Certificados podem ser uma opção a considerar. Veja também a nossa calculadora de rendimento dos Certificados de Aforro.  

Ainda sobre este assunto, pode ver o 11.º episódio do podcast POD Investir.