Em março, o Banco Central Europeu decidiu manter inalteradas as taxas de juro de referência. Na altura, Christine Lagarde deixou claro que o BCE está preparado para lidar com o choque em curso decorrente da guerra no Médio Oriente. Mas, entretanto, o conflito escalou e trouxe um nível de instabilidade que afeta os preços da energia, a confiança dos consumidores e o comércio internacional.
O que se segue? Perante a expectativa de uma subida da taxa diretora da zona euro a curto prazo, a Euribor registou uma tendência de subida ao longo de março, em todos os prazos. Como a taxa-base da série F dos Certificados de Aforro, atualmente em subscrição, é dependente da Euribor a 3 meses e determinada mensalmente no antepenúltimo dia útil do mês, vigorando durante o mês seguinte, estes títulos da dívida foram beneficiados.
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Em março, o Banco Central Europeu decidiu manter inalteradas as taxas de juro de referência. Na altura, Christine Lagarde deixou claro que o BCE está preparado para lidar com o choque em curso decorrente da guerra no Médio Oriente. Mas, entretanto, o conflito escalou e trouxe um nível de instabilidade que afeta os preços da energia, a confiança dos consumidores e o comércio internacional.
O que se segue? Perante a expectativa de uma subida da taxa diretora da zona euro a curto prazo, a Euribor registou uma tendência de subida ao longo de março, em todos os prazos. Como a taxa-base da série F dos Certificados de Aforro, atualmente em subscrição, é dependente da Euribor a 3 meses e determinada mensalmente no antepenúltimo dia útil do mês, vigorando durante o mês seguinte, estes títulos da dívida foram beneficiados.
A tendência de queda, iniciada em abril de 2025 e que se manteve até março de 2026, inverteu-se devido à subida das taxas Euribor. Este mês, a taxa-base dos Certificados de Aforro foi fixada em 2,138%, registando a maior subida. Lançada em junho de 2023, esta série F trouxe algumas alterações pouco favoráveis ao aforrador.
A DECO PROteste foi uma das entidades que mais criticaram a nova série, pois apresenta um rendimento inferior – no máximo, 2,5% –, uma maturidade mais longa (15 anos) e prémios de permanência que foram reduzidos para metade nos primeiros 9 anos, face à série E. Nos meses que se seguiram, os montantes aplicados foram Devido à guerra no Médio Oriente, as taxas Euribor começaram a subir, beneficiando os Certificados de Aforro. Em abril, a série F conseguiu o maior acréscimo desde que foi lançada. Os Certificados do Tesouro continuam a render muito pouco sucessivamente encolhendo.
Mas, no último ano, tem-se verificado uma inversão dessa tendência, provavelmente devido à descida das taxas dos depósitos, em geral, e também devido ao alargamento dos locais de subscrição dos Certificados de Aforro (Banco Big e app dos CTT). Atualmente, estão aplicados cerca de 40,6 mil milhões de euros em Certificados de Aforro. Ainda assim, um valor muito inferior ao dos depósitos – 201 mil milhões de euros.
Acima da inflação, só as séries antigas… e nem todas!
Em termos líquidos, a série F rende agora 1,54%, muito abaixo da taxa de inflação de 2,8% estimada pelo Banco de Portugal para este ano. Na prática, significa que não conseguirá uma valorização real das suas poupanças.
A única exceção são algumas series antigas de Certificados de Aforro, como as séries A, B (ambas rendem 3,3% líquidos, exceto a B subscrita depois de junho de 1989, que rende 2,4%) e D, que rende 3% líquidos. Já a série E proporciona entre 2,6% e 3%, consoante o ano de subscrição.
Mantenha-as! É provável que a taxa-base dos Certificados continue a subir, acompanhando a Euribor, especialmente se o BCE revir a taxa diretora nas próximas reuniões. Supondo que a taxa atual se mantém durante os próximos cinco anos, obtém um rendimento anual líquido de 1,7%, já considerando os prémios de permanência. Se aplicar pelo prazo máximo de 15 anos, obtém um rendimento anual líquido de 2,1 por cento.
Poupança sem grande valor
Há quem questione se vale a pena aplicar as poupanças em Certificados do Tesouro. A resposta é clara: não. A cada nova emissão, foram progressivamente perdendo valor, quer no rendimento, quer nos montantes subscritos, como pode confirmar no quadro em cima.
Não deixa de ser caricato que a série atual tenha sido batizada de Certificados do Tesouro Poupança Valor (CTPV), pois é aquela que menos valor gera para os subscritores. As taxas anuais variam entre 0,7% e 1,6% brutos (ou seja, entre os 0,5% e 1,15% líquidos), bastante abaixo da taxa-base dos Certificados de Aforro e dos melhores depósitos a prazo.
A emissão atualmente em subscrição tem um prazo de sete anos, com um montante mínimo de subscrição de 1000 euros, sendo possível a mobilização antecipada após o primeiro ano. Às taxas anuais fixas pode acrescer um prémio de remuneração, caso a economia nacional cresça. Este prémio corresponde a 20% do crescimento médio real do PIB, a partir do 3.º ano, estando limitado a um máximo de 1,5 por cento.
Certificados de Aforro ou depósitos?
Nos títulos do Estado, a subida das taxas é refletida quase de imediato, uma vez que a taxa-base varia em função da Euribor. Já nos depósitos a prazo, a atualização depende das decisões comerciais de cada banco, o que significa que as subidas tendem a ser mais lentas e, muitas vezes, menos expressivas.
Ainda assim, já existem no mercado depósitos com taxas que podem atingir cerca de 3%, pelo que vale a pena comparar e procurar as melhores ofertas, podendo, em alguns casos, obter um rendimento superior ao dos Certificados de Aforro.
No entanto, é importante ter em conta que muitos destes depósitos exigem montantes mínimos elevados e não permitem reforços adicionais, o que os torna menos flexíveis em comparação com os títulos do Estado. Caso pretenda um produto para ir aplicando as poupanças com reforços regulares, os Certificados podem ser a melhor opção. A principal vantagem, é terem periodicidade trimestral e serem integrados no capital, havendo uma capitalização automática dos juros vencidos.