Axa, Engie, Telecom Italia, Thales
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
A AXA entra em 2026 de forma sólida
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
A AXA entra em 2026 de forma sólida
Axa
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A AXA concluiu o seu amplo processo de recentragem na atividade seguradora e os resultados começam a refletir essa estratégia. A seguradora francesa apresentou um resultado operacional por ação de 3,86 euros (+8% face a 2024), situando-se no topo do intervalo previsto no plano estratégico 2023-2026 (+6% a +8%).
Os prémios brutos e outras receitas também avançaram, atingindo 116 mil milhões de euros, o que representa um crescimento anual de 6%. A progressão foi impulsionada tanto pelo aumento dos volumes como pela subida dos preços.
Com estes números, a AXA entra em 2026 com bases sólidas e confirma o objetivo de continuar a aumentar o resultado operacional por ação no limite superior da meta definida, entre +6% e +8%.
A Axa não é uma ação de crescimento comparável às tecnológicas, mas a proposta é diferente: maior previsibilidade e estabilidade.
A regularidade dos lucros permite à Axa manter uma política de remuneração atrativa para os acionistas. Está previsto um dividendo de 2,5 euros por ação em 2026, o que corresponde a um rendimento próximo de 6,2%.
Engie
Manter
A Engie anunciou a aquisição da distribuidora de eletricidade UK Power Networks por 10,5 mil milhões de libras, reforçando a sua posição nas redes reguladas e tornando o Reino Unido no seu segundo mercado mais relevante. Apesar de a operação ser relativamente cara, o mercado reagiu positivamente, com uma subida de 7,5% da ação.
O negócio melhora a qualidade dos resultados futuros, já que, após a conclusão da transação, 44% do lucro operacional deverá provir de ativos regulados, face a 35% atualmente.
A operação levou também a uma revisão em alta das previsões para 2026. A Engie espera agora um lucro líquido recorrente entre 4,6 e 5,2 mil milhões de euros (antes 4,2 a 4,8).
Em 2025, o lucro líquido caiu 7% para 3,8 mil milhões de euros, penalizado por imparidades na venda de ativos não estratégicos e alterações regulatórias nos Estados Unidos, bem como por custos de reestruturação. O volume de negócios recuou 2,5% para 71,9 mil milhões de euros.
O crescimento nas infraestruturas (+4,3%) foi travado por quebras nas renováveis (-5,2%) e no Supply & Energy Management (-5%). O lucro líquido recorrente, excluindo elementos excecionais, diminuiu 12% para 4,9 mil milhões de euros, em linha com as expectativas.
Para o período 2026-2028, a Engie espera lucros líquidos de 5,2 a 5,8 mil milhões de euros em 2028 e um lucro operacional, excluindo nuclear, entre 10,3 e 11,3 mil milhões. O plano prevê investimentos de 34 a 38 mil milhões de euros, dos quais 90% serão direcionados para renováveis, baterias e infraestruturas. Prevê ainda 6 mil milhões de euros em alienações de ativos, incluindo 4 mil milhões associados à operação da UK Power Networks.
Telecom Italia
Manter
A Telecom Italia encerrou 2025 com resultados em crescimento e anunciou novas iniciativas para valorizar os acionistas.
O grupo registou receitas de 13,7 mil milhões de euros (+2,7%), impulsionadas pelos serviços às empresas e a cloud. A rentabilidade também melhorou (lucro operacional +6,5%; os resultados completos serão divulgados em meados de março) e reduziu a dívida para menos de 6,9 mil milhões de euros. Pelo quarto ano consecutivo, a Telecom Italia atingiu os objetivos definidos.
O conselho de administração proporá um programa de compra de ações próprias no valor de 400 milhões de euros.
E também um agrupamento de ações (reverse stock split): cada 10 ações atuais passarão a 1, com valor unitário mais elevado. O objetivo é tornar a ação mais atrativa, bem como incentivar a entrada de investidores institucionais (geralmente menos propensos, ou impossibilitados, a investir em ações com preço unitário muito baixo).
Se os resultados continuarem a melhorar, a Telecom Italia prevê retomar o pagamento de dividendos em 2027. Em 2026, pretende continuar a aumentar receitas e margens, também graças às sinergias com a Poste Italiane e ao desenvolvimento do negócio de cloud.
Não alteramos as nossas estimativas e o conselho: manter.
Thales
Comprar
À semelhança dos concorrentes no setor europeu da defesa, a Thales cumpriu as expectativas ao divulgar resultados sólidos para 2025. No conjunto do exercício, o volume de negócios aumentou 8,8% e o resultado operacional 14%. A margem situou-se em 12,4% (11,8% em 2024), na parte superior do intervalo previsto.
Outro sinal positivo foi a geração de caixa de 2,57 mil milhões de euros (+ 27%), indicando que a Thales conseguiu converter resultados em liquidez mais rapidamente do que o antecipado. Em 2025, as encomendas atingiram um nível recorde de 25,3 mil milhões de euros, dos quais 15,13 mil milhões no segmento da defesa.
A carteira de encomendas ascende agora a 53 mil milhões de euros, reforçando a visibilidade da atividade para os próximos anos. Neste enquadramento, a Thales anuncia, para o exercício em curso, um objetivo de margem entre 12,6% e 12,8% e um crescimento das receitas entre 6% e 7%.
Estes objetivos parecem prudentes à luz do desempenho de 2025 e do dinamismo observado nos mercados da defesa, da aviação civil e na recuperação em curso das atividades de cibersegurança.
Os objetivos da Thales para 2026 não são ambiciosos, apesar dos bons resultados de 2025. Contudo, pode querer margem de manobra para rever em alta as metas ao longo do ano.