Solvay: mudança de conselho
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
A fraqueza da conjuntura e a concorrência chinesa colocaram a Solvay sob pressão
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
A fraqueza da conjuntura e a concorrência chinesa colocaram a Solvay sob pressão
As reduções de custos estruturais, estimadas em 200 milhões de euros no final de 2025 face a 2023, deveriam constituir o principal motor do crescimento dos lucros da Solvay. Contudo, os seus efeitos positivos foram, para já, mais do que neutralizados pela fraqueza da conjuntura e pela concorrência chinesa no carbonato de sódio.
Com o abrandamento das tensões na guerra das tarifas, estimávamos uma recuperação dos lucros assente numa economia mais dinâmica. No entanto, tal não se concretizou.
Após a recuperação em 2024, os volumes vendidos voltaram a cair e os preços continuam a recuar. Perante a aceleração da contração do EBITDA, -5,9% no primeiro trimestre e -15,4% no segundo trimestre, a Solvay foi obrigada a emitir um profit warning no verão.
A administração indicou então que esperava uma queda de cerca de 14% do EBITDA em 2025, face a uma estimativa anterior de -5%. O terceiro trimestre, com um EBITDA em recuo de 10,3%, não revelou qualquer sinal de inflexão. Os volumes e os preços mantêm-se em queda, tendência que deverá prolongar-se no quarto trimestre.
O principal problema da Solvay reside no carbonato de sódio, que representa cerca de 40% do volume de negócios e é utilizado na indústria do vidro, baterias, painéis solares e detergentes, entre outras aplicações.
Não só a procura permanece fraca há mais de dois anos na Europa e nos Estados Unidos, como as sobrecapacidades dos produtores chineses, que investiram massivamente sem que a procura local acompanhasse o mesmo ritmo, continuam a exercer uma pressão constante sobre os preços e as margens nas exportações, nomeadamente para o Sudeste Asiático. Num mercado em situação de excesso de oferta, a Solvay chegou mesmo a reduzir a produção, designadamente na Europa.
Embora a procura ligada ao tratamento do lítio destinado a baterias possa evoluir favoravelmente, a evolução da procura de painéis solares será igualmente determinante para a dinâmica dos preços da soda cáustica.
Ora, as perspetivas para 2026 neste domínio, marcadas por ajustamentos políticos, saturação de alguns mercados e níveis de inventários sem precedentes, não são animadoras. A procura mundial de novas instalações solares poderá mesmo registar uma ligeira descida, o que seria inédito nos últimos 25 anos.
Enquanto não se verificar uma recuperação dos preços do carbonato de sódio, a cotação da Solvay, apesar de objetivamente atrativa, com um rácio valor da empresa/EBITDA 2026 de 5,46, deverá continuar sob pressão. Por isso, deixamos de recomendar a compra. Se já detém ações pode, no entanto, mantê-las.
A Solvay reviu em baixa as expectativas de EBITDA para 2025, mas manteve a estimativa de liquidez excedentária (300 milhões de euros). A Solvay adotou uma postura mais prudente em matéria de investimento (-15% em 2025) e a liquidez gerada será suficiente para assegurar o dividendo generoso. Estimamos que a liquidez gerada em 2026 será igualmente suficiente para garantir o dividendo relativo ao exercício em curso. No entanto, optamos por alterar o conselho: não compre mais ações da Solvay, mas pode manter.