A TotalEnergies anunciou um fluxo de caixa de 23,9 mil milhões de euros no primeiro semestre (30,4 no total de 2021), graças ao aumento dos preços dos hidrocarbonetos e à recuperação da rentabilidade da refinação (transformação do petróleo em combustível).
O grupo reforçou ainda mais o balanço, reduzindo a dívida líquida para 13 mil milhões de euros (17 no final de 2021 e 25 no primeiro semestre de 2021). Um dos balanços mais fortes do setor e um trunfo importante para crescimento num cenário de juros mais elevados.
A TotalEnergies anunciou um fluxo de caixa de 23,9 mil milhões de euros no primeiro semestre (30,4 no total de 2021), graças ao aumento dos preços dos hidrocarbonetos e à recuperação da rentabilidade da refinação (transformação do petróleo em combustível).
O grupo reforçou ainda mais o balanço, reduzindo a dívida líquida para 13 mil milhões de euros (17 no final de 2021 e 25 no primeiro semestre de 2021). Um dos balanços mais fortes do setor e um trunfo importante para crescimento num cenário de juros mais elevados.
Mais investimentos…
O dinheiro gerado e a redução da dívida permitem aumentar os investimentos de 15 para 16 mil milhões de euros, em 2022, dos quais 25% serão em energias renováveis. Esperamos o mesmo montante em 2023 e 2024. Nas renováveis, a TotalEnergies continua a evolução iniciada há alguns anos. Em maio, adquiriu 50% da produtora americana de energia renovável Clearway. Investiu também na Índia, em hidrogénio verde, um projeto a mais longo prazo.
No gás natural liquefeito (GNL, segunda maior empresa privada atrás da Shell), assinou um contrato em junho, assumindo 6,3% de um grande projeto em desenvolvimento no Qatar. Um acordo que surge numa altura em que o crescimento está parado na Rússia e a Europa procura diversificar as suas fontes de fornecimento nos próximos anos. Operacional em 2026, este projeto pode acrescentar cerca de 2 milhões de toneladas de GNL por ano às 17 milhões já produzidas pela TotalEnergies.
…e mais investimentos?
Sem dívida, a TotalEnergies tem capacidade para financiar uma aquisição em 2023. O mais provável seria uma operação de energia renovável para acelerar o desenvolvimento. Também silenciaria as exigências de tributação sobre os "lucros excessivos" que estão a aumentar em França. No entanto, e num futuro imediato, o CEO da TotalEnergies prefere garantir o dividendo e comprar ações próprias.
Barril nos 90-100 dólares
Apesar da considerável incerteza, avançamos com uma previsão para a cotação do barril de Brent (petróleo do Mar do Norte) entre 90 e 100 dólares, em 2023 (atualmente perto dos 91 dólares), com um cenário de recessão económica na Europa durante o inverno e um acentuado abrandamento da economia norte-americana em 2023.
No início de agosto, a Agência Internacional de Energia esperava que o barril de Brent atingisse uma média de 105 dólares, em 2022, e 95 dólares, em 2023, níveis revistos em alta com a invasão da Ucrânia.
Mas a situação é mais complicada porque a OPEP e os seus aliados já reduziram ligeiramente a oferta e poderão fazê-lo de forma mais assertiva se os preços recuarem mais. Há rumores que a OPEP quer mesmo manter o Brent acima dos 100 dólares.
Devido ao menor investimento das grandes petrolíferas na exploração (menos oferta) por culpa da pandemia e das pressões ecológicas não se pode agora excluir um aumento dos preços do petróleo a longo prazo.
Perspetivas
A presença do grupo na Rússia (GNL), numa altura em que os concorrentes deixaram o país, preocupa os investidores. Para silenciar os críticos, a TotalEnergies acaba de vender mais ativos na Rússia, o que protege um pouco o grupo a curto prazo.
Para 2022 e 2023 esperamos lucros por ação de 11,5 e 10 euros, respetivamente. Neste pressuposto, as ações estão a negociar em apenas 5,4 vezes os lucros de 2023 face aos 6,2 da média do setor europeu. A baixa valorização do setor reflete as expectativas de uma queda do preço do barril e dos lucros atuais. E o desconto da TotalEnergies é atribuível ao problema russo e ao risco de tributação dos "lucros excessivos" pelo Estado francês.
Conselho: Manter
A TotalEnergies é bem gerida (pouca dívida, aposta no GNL). O dividendo (2,8 euros previsto para 2023) não está em perigo, mesmo em caso de queda dos lucros. Atualmente, o rendimento do dividendo de 5,4% é um bom motivo para manter a ação em carteira.
Cotação à data da análise: 49,47 euros