A Jerónimo Martins obteve lucros de 0,42 euros por ação no primeiro semestre do ano, uma subida de 40% face a igual período de 2021, que superou o previsto. Na base, está a melhoria do desempenho operacional, com um crescimento de 20% das receitas, que beneficiaram do progressivo regresso à normalidade no pós-pandemia e do aumento dos preços.
Por geografias, destaque para a Colômbia (+74%; 7% do total) e a Polónia (+19%; 71% do total), mercados onde o aumento do número de lojas ajudou a estimular as vendas. Em Portugal (22% do total), o crescimento (+12%) não foi tão forte, mas foi bem positivo.
Por outro lado, apesar do aumento dos custos devido à inflação, as margens caíram apenas ligeiramente, pelo que o EBITDA cresceu 19%. Ao invés, a nível financeiro, os resultados pioraram 15%, devido ao aumento dos juros e a diferenças cambiais desfavoráveis.
A subida da inflação e das taxas de juro penaliza o rendimento das famílias e a confiança dos consumidores. Por isso, apesar do aumento dos custos, a Jerónimo Martins quer manter o esforço de contenção dos preços de venda, embora isso deva implicar uma maior pressão sobre as margens.
Contudo, perante os bons resultados do primeiro semestre, subimos as previsões de lucros por ação de 0,77 para 0,93 euros, em 2022 e de 0,82 para 0,96 euros, em 2023.
O nosso conselho
Os resultados foram bons mas a degradação do clima económico irá pressionar os lucros dos próximos trimestres. Porém, a Jerónimo Martins deverá absorver “bem” os efeitos negativos, dada a sua solidez e posicionamento no mercado.
Cotação à data da análise: 19,36 euros