A Altri totalizou cerca de 69,6 milhões de euros de lucro (0,34 euros por ação) na primeira metade do ano, uma subida de 56,9% face a igual período de 2021. Apesar destes números, a cotação em bolsa caiu depois da apresentação dos resultados semestrais. Isto devido aos receios de que a empresa poderá já ter atingido um "pico" de resultados e que os preços da pasta de papel comecem a baixar. Desde o início do ano, a companhia valorizou perto de 16% em bolsa.
A dívida líquida é agora de 356,9 milhões de euros, o rácio Div. Líquida /EBITDA aumentou para 1.4x, sobretudo devido à distribuição de dividendos de 0,24 euros por ação. Além disso, a Altri entregou 39,64% da participação que detinha diretamente na Greenvolt aos seus acionistas, passando a deter apenas 16,6% da empresa de energias renováveis.
A Altri detalhou o seu projeto na Galiza, onde pretende construir uma fábrica de lyocell. Uma fibra à base de celulose para uso têxtil com menor impacto ambiental. O projeto deve representar um investimento elevado de cerca de 750 milhões de euros, podendo, contudo, contar com o apoio do PRR espanhol e autoridades galegas. A decisão deve ser anunciada durante o primeiro semestre de 2023, mas a construção da fábrica só deverá ser concluída 1 a 2 anos mais tarde.
É um projeto muito interessante para a Altri: prevê-se que esta unidade possa vir a ter capacidade para produzir anualmente cerca de 200.000 toneladas de fibras têxteis de base celulósica, arrancando inicialmente com a produção de aproximadamente 60 mil toneladas. Estará capacitada para fornecer o cluster têxtil do Noroeste da Península Ibérica, contribuindo para o reforço da economia circular e descarbonização do setor.
A expectativa futura de descida dos preços da pasta assim como a alienação de grande parte da participação na Greenvolt levam a crer que a tendência para os resultados futuros é decrescente. No entanto, devido aos continuados problemas logísticos, a nossa expectativa é que os preços da pasta se mantenham em níveis elevados durante todo o ano de 2022, com possibilidade de uma ligeira descida, que pode ser mais acentuada em 2023. Acresce a isso a estabilidade dos dividendos e os prometedores projetos futuros, pelo que não alteramos o conselho de manter a ação em carteira.
Ajustamos em alta as nossas estimativas de lucro por ação. Esperamos que 2022 termine com 0,84 euros (antes, 0,66 euros) e para 2023 esperamos 0,64 euros.
Cotação à data da análise: 4,84 euros