A estratégia da Amazon.com é ganhar quota de mercado. Reinveste o dinheiro gerado pela atividade no desenvolvimento e expansão dos seus mercados (catálogo, país) e na cadeia de abastecimento. Uma opção que limita os lucros no imediato. Assim, na sua história, a Amazon demorou nove anos até conseguir um ano positivo (em 2003). E nos dez anos posteriores não foi rentável de forma consistente.
Hoje, as prioridades do grupo não mudaram. Em 2021, obteve um lucro de 42,80 dólares por ação (excluindo a mais-valia ligada ao IPO da Rivian, um construtor de veículos elétricos) mas o objetivo prioritário continua a ser o investimento na inovação.
A estratégia da Amazon.com é ganhar quota de mercado. Reinveste o dinheiro gerado pela atividade no desenvolvimento e expansão dos seus mercados (catálogo, país) e na cadeia de abastecimento. Uma opção que limita os lucros no imediato. Assim, na sua história, a Amazon demorou nove anos até conseguir um ano positivo (em 2003). E nos dez anos posteriores não foi rentável de forma consistente.
Hoje, as prioridades do grupo não mudaram. Em 2021, obteve um lucro de 42,80 dólares por ação (excluindo a mais-valia ligada ao IPO da Rivian, um construtor de veículos elétricos) mas o objetivo prioritário continua a ser o investimento na inovação.
Valorização em causa
Tal como todas as chamadas ações de crescimento (growth stocks), a Amazon é avaliada principalmente com base na perspetiva de um aumento acentuado dos lucros a longo prazo. Isto faz com que a sua cotação seja mais sensível ao aumento das taxas de juro. Mas a queda da cotação da Amazon deve-se também ao abrandamento. O crescimento do comércio eletrónico foi de 20% em 2021, mas caiu para apenas 6% no quarto trimestre e para 3,1% no primeiro trimestre de 2022 (e apenas devido a receitas publicitárias e subscrições Prime).
Desde o quarto trimestre de 2021, as atividades de e-commerce não têm sido lucrativas nos EUA e no resto do mundo. Os resultados têm sido penalizados desde os confinamentos e, sobretudo, desde o segundo semestre de 2021, pelo disparo dos custos operacionais (logística, salários).
A Amazon permanece com lucros graças ao bom desempenho da Amazon Web Services (serviços cloud). No entanto, no quarto trimestre de 2021, os resultados caíram 65%, o que levou a uma estagnação dos lucros do conjunto do ano de 2021 (excluindo itens não recorrentes). E no primeiro trimestre de 2022 voltaram a cair 53%, para 7,60 euros por ação. Evolução não compatível com uma ação de crescimento.
Distribuição ou “nuvem”?
A Amazon é cada vez mais uma empresa a duas velocidades. Em 2021, a divisão Amazon Web Services gerou apenas 13% das receitas, mas forneceu 74% do lucro operacional. E este ano, provavelmente será a única fonte de lucros.
Originalmente criada para acolher as bases de dados do grupo, agora presta serviços a pequenas empresas e a grandes multinacionais. A sua quota de mercado atingiu os 33%, logo à frente da Microsoft.
Será que a Amazon se tornou uma empresa da nuvem (atividade muito rentável, cujas vendas cresceram 37% em 2021 e deverão ter o mesmo score em 2022), em detrimento do e-commerce, que ainda gerará 85% das vendas em 2022, mas que é muito pouco ou nada rentável?
Não é o caso. A Amazon domina o comércio eletrónico nos EUA (mais de 50% do mercado) e goza de uma larga margem de progressão na Europa (10% do mercado). O seu sistema, lançado há quinze anos oferece-lhe uma posição única que se autossustenta.
Ao vender mais barato, a Amazon atrai mais compradores. Isto dá-lhe mais poder para investir (logística, marketing), negociação de preços, atração de mais vendedores externos (55% das vendas) e assim expandir continuamente a sua oferta. E fecha o ciclo ao atrair novos compradores que retém com a oferta Prime (serviço de entrega privilegiado e outros serviços "gratuitos" como o Prime Video). O Prime tem mais de 200 milhões de subscritores, em 21 países.
Esta posição única, difícil de destronar, é uma fonte de rendimento para o futuro.
O nosso conselho
Estimamos que a Amazon não conseguirá escapar à apresentação de prejuízos no segundo trimestre e, embora possa corrigir o rumo, dificilmente conseguirá fechar o ano 2022 com um lucro superior a 20 dólares por ação. Depois, em 2023, esperamos uma recuperação dos lucros para cerca de 50 euros por ação.
O rácio para um investidor que agora comprasse a Amazon - valor da empresa/EBITDA (valor em bolsa da empresa mais a dívida líquida/lucros antes de juros, depreciações e impostos) é historicamente baixo para a Amazon (15), mas a cotação ainda pode sofrer. O nosso conselho é que seja paciente antes de ir às compras. Se já tem, mantenha.
Cotação à data da análise: 102,31 dólares