Depósitos a prazo: taxas continuam a encolher
43% das poupanças dos portugueses estão paradas em depósitos que rendem muito pouco.
43% das poupanças dos portugueses estão paradas em depósitos que rendem muito pouco.
Em tempos de incerteza, como os que se vivem atualmente, em que o mundo está de candeias às avessas com os conflitos no Médio Oriente, a tendência da maioria das pessoas com poupanças é não arriscar muito.
Há quem procure ativos de refúgio, como o ouro, mas, nos últimos tempos, nem os metais preciosos estão a salvo da especulação. Sobram os tão apreciados depósitos, que rendem uma ninharia. Ainda assim, serão a solução?
Ter uma parte das poupanças em produtos de capital garantido, para emergências de curto prazo, é essencial. Todavia, com as taxas paupérrimas que os bancos oferecem, é um erro manter a totalidade do dinheiro a render abaixo da inflação. É essencial diversificar a carteira com outros ativos que proporcionem mais de 2,1%, estimativa do Banco de Portugal para a inflação em 2026.
Ao contrário do que aconteceu na zona euro, onde a taxa de juro média dos novos depósitos a prazo de particulares aumentou para 1,82%, de dezembro para janeiro, em Portugal encolheu de 1,36 para 1,34%, antes de imposto. A remuneração média manteve-se, assim, como a quarta taxa mais baixa da área do euro.
Isso não impede os portugueses de continuarem a eleger os depósitos bancários como o seu principal produto financeiro. Segundo o Banco de Portugal, no final de janeiro, o stock de depósitos de particulares nos bancos residentes totalizava 200,7 mil milhões de euros.
De salientar que 43% das poupanças dos portugueses estão paradas em depósitos que rendem muito pouco.
À semelhança do mês passado, apenas uma conta supera a inflação estimada. Trata-se de um depósito promocional exclusivo para novos clientes no Banco BiG. Rende 2,2% líquidos, mas apenas num curto prazo de 3 meses. Chegado ao fim, renderá, certamente, menos.
Para os prazos de 6, 12 e 24 meses, não há taxas que consigam igualar a inflação. A menos que o Banco Central Europeu altere a política monetária nos próximos meses – um cenário não descartável, como admitiu o economista-chefe do BCE, Philip Lane, se o conflito no Médio Oriente se prolongar e causar um aumento substancial da inflação –, este será um ano de rendimento real negativo para as suas poupanças.
Para minimizar o efeito negativo do aumento dos preços, é muito importante que opte pelas melhores taxas do mercado. No entanto, não as encontra nos grandes bancos, mas apenas em bancos pequenos, online, estrangeiros e, muitas vezes, em contas promocionais exclusivas para novos montantes ou novos clientes.
Em março, a maior parte dos bancos mantiveram inalteradas as taxas de juro dos depósitos a prazo. Tal como em fevereiro, mês em que a DECO PROteste Investe celebrou uma parceria com o Haitong Bank: encontra nesta instituição depósitos a 6, 12 e 24 meses com condições mais vantajosas para subscritores. As taxas brutas variam entre 2,30% e 2,70 por cento. A bonificação é de 0,10 por cento. De salientar que esta instituição é, também, Escolha Acertada para não-subscritores. O montante mínimo é de 2500 euros.
Apesar de o Banco BAI Europa oferecer taxas mais baixas a 6 meses (2,60% e 2,55%), estão muito próximas das proporcionadas pelo Haitong Bank, razão pela qual mantemos também a parceria com a instituição angolana – mas já não é Escolha Acertada. Se optar pelos produtos deste banco, mencione, quando abrir conta, o protocolo da DECO PROteste.
No prazo de 12 meses, os não-subscritores têm, além do Depósito a Prazo HB Sem Mobilização, do Haitong Bank, o BPG Save, do Banco Português de Gestão. Rendem ambos 2,4% brutos (1,7% líquidos).
No prazo de dois anos, não se registam alterações. O Bison Bank e o Banco Finantia estão na dianteira, com uma taxa de 2,5 por cento. Apenas o montante mínimo diferencia as duas contas: o DP Bison Rendimento Premium exige metade do valor (25 mil euros) e é mobilizável antes do fim do prazo, um aspeto relevante, se precisar do dinheiro. Para valores mais baixos, recomendamos o Depósito a Prazo HB Sem Mobilização (Haitong Bank).
Consulte o comparador de depósitos a prazo e contas poupança para saber outras rentabilidades destes produtos.
Em março, a taxa de juro bruta para novas subscrições de Certificados de Aforro, da série F, caiu de novo, para 2,012 por cento. Em termos líquidos, estes títulos do Estado rendem 1,45%, muito abaixo da inflação estimada e dos melhores depósitos a prazo.
Contudo, se tem séries mais antigas, o cenário é bem diferente: as séries A e B rendem 3,2% líquidos; a série B subscrita depois de junho de 1989 rende 3,2% brutos (2,3% líquidos); a série D rende 4,01% brutos (2,9% líquidos); e a série E rende entre 3,5% e 4,01% brutos, consoante o ano de subscrição (ou seja, 2,5% a 2,9% líquidos). Estas, sim, garantem um rendimento acima da inflação estimada: mantenhas-as.
Por enquanto, a Euribor tem estado a descer, mas a instabilidade geopolítica mundial poderá gerar uma nova crise ao longo do ano.