O trading não é um instrumento financeiro em si. O trading é uma forma de investimento de curto e médio prazo, atualmente realizada maioritariamente através de derivados — nomeadamente CFDs. Esta abordagem permite abrir posições de compra e de venda sem deter o ativo ou instrumento financeiro subjacente.
Existem vários estilos de trading, cada um com características próprias e adequados a diferentes perfis de investidores. Para operar, os traders combinam análise técnica, indicadores gráficos e leitura da estrutura de preço para tomar decisões rápidas.
Scalping
O scalping é o estilo mais rápido e intensivo de todos — excluindo o HFT (High Frequency Trading). Consiste em obter lucros a partir de oscilações muito pequenas, por vezes apenas alguns cêntimos por operação, realizando dezenas ou até centenas de trades por dia.
O sucesso do scalping depende da elevada taxa de acerto, da minimização dos custos operacionais — que geralmente se resumem ao spread — e da rapidez de execução.
Por exemplo, num mercado como EUR/USD, um scalper pode entrar baseado num micro movimento de preço e sair minutos depois com lucro. Neste estilo, não é vantajoso utilizar corretoras que cobram comissões por trade.
Intraday Trading
O intraday trading é muitas vezes confundido com day trading, mas existe distinção. Ambos implicam abrir e encerrar operações no mesmo dia; no entanto, intraday é um termo mais amplo que abrange qualquer operação realizada dentro da mesma sessão de mercado, seja Londres, Nova Iorque, Sidney ou Tóquio.
O foco é captar movimentos dentro da sessão, evitando os riscos da volatilidade noturna ou de eventos inesperados fora do horário de mercado que possam afetar negativamente a posição.
Day Trading
No day trading, as operações são abertas e encerradas no mesmo dia, sem manter posições durante a noite. O objetivo é aproveitar variações intradiárias de preço e oportunidades que surgem ao longo da sessão. Engloba diferentes sessões de mercado.
Por exemplo, um trader pode observar um aumento súbito de volume numa empresa tecnológica logo após a abertura do mercado, comprar ações e vendê-las horas depois com lucro.
É exigente, mas pode ser rentável para quem mantém uma abordagem metódica e racional.
Swing Trading
O swing trading envolve manter posições de alguns dias a algumas semanas. Os swing traders procuram tendências de curto ou médio prazo e entram após correções ou sinais de reversão.
Este estilo é ideal para quem não pode acompanhar o mercado a tempo inteiro, mas quer aproveitar oscilações relevantes.
Um exemplo seria comprar ações após bons resultados trimestrais, esperando o movimento ascendente típico dos dias seguintes. O swing combina análise técnica com fatores fundamentais.
É importante referir que o swing trading, assim como o day trading, pode servir de porta de entrada para alocar capital a novos investimentos ou para proteger investimentos existentes (hedge).
Position Trading
O position trading é mais lento e estratégico. As posições são mantidas mais de 4 semanas ou mesmo meses, com base em tendências prolongadas e análises abrangentes.
O position trader preocupa-se menos com a volatilidade de curto prazo e mais com movimentos sustentados.
Um exemplo seria comprar ouro durante instabilidade económica, esperando uma valorização contínua ao longo de meses.
Este estilo exige paciência, confiança na análise e capacidade de suportar flutuações sem fechar a posição prematuramente.
Hybrid Trading
O hybrid trading combina um ou mais estilos. Muitos defendem que, mesmo mantendo análises de curto, médio e longo prazo, o investidor deve procurar as melhores entradas no mercado através de scalping — entradas de muito curto prazo.
As operações iniciadas em scalp devem ter menor capital. À medida que o mercado evolui, o investidor pode adicionar ou retirar posições.
Esta abordagem evita entrar demasiado alto (compras) ou demasiado baixo (vendas), melhora a gestão de risco e reduz a exposição ao usar análises de curto prazo.
Assim, boas análises transformam-se em boas entradas de scalp, que podem evoluir para operações intraday, para day trades, para swings e, após meses, em position trades — vistas por bancos e corretoras como verdadeiras posições de investimento.
Cada estilo exige competências diferentes
Cada estilo de trading requer competências, ferramentas e mentalidades distintas. Um iniciante deve testar e estudar vários métodos para perceber qual se adapta ao seu tempo, tolerância ao risco, personalidade e objetivos financeiros.
Não existe um estilo “melhor”: o mais importante é escolher o que encaixa no perfil individual — e que permita lucro consistente quando aplicado com disciplina.
A reter
-O trading não é um ativo. É uma forma de investir no curto/médio prazo, normalmente através de derivados como CFDs, permitindo comprar e vender sem possuir o ativo.
-Existem vários estilos de trading. Cada estilo tem velocidades, objetivos e exigências diferentes:
-Scalping e Intraday exigem rapidez e foco, operando em movimentos muito curtos; o sucesso depende da precisão, spreads baixos e execução eficiente.
-Day, Swing e Position Trading permitem manter posições por dias, semanas ou meses. São ideais para quem não acompanha o mercado a tempo inteiro e quer capturar tendências mais longas.
-Hybrid Trading combina análise fundamental com análise técnica, garantindo melhores entradas, gestão de risco otimizada e evolução das posições ao longo do tempo — transformando scalps em swings/positions quando o mercado favorece.
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