Depois da forte correção registada em fevereiro, quando a Bitcoin chegou a negociar perto dos 60 000 dólares antes de recuperar para acima dos 82 000 dólares no início de maio, a principal criptomoeda do mercado voltou a enfrentar pressão vendedora.
Neste início de junho, a BTC regressou a níveis inferiores a 59 100 dólares, reacendendo preocupações sobre a sustentabilidade económica da atividade de mineração e sobre a estabilidade do mercado em geral.
Bitcoin sob pressão
Apesar do mês de maio ter sido um mês relativamente estável para a Bitcoin, junho começou da pior maneira. Apenas nos primeiros cinco dias de junho a Bitcoin desvalorizou de cerca de 73 000 para pouco acima dos 59 000 dólares, ultrapassando a zona de procura que se havia formado desde fevereiro. Desde o início do ano até ao mínimo registado na sessão de dia 5 de junho, a Bitcoin perdeu 32,6% do seu valor.
Esta zona de procura dos 59 aos 62 mil dólares será muito importante para a performance da Bitcoin. Se os volumes de venda continuarem a exercer pressão sobre o preço, é possível que a Bitcoin ainda desça mais, para níveis anteriores a novembro de 2024 (eleição de Trump), podendo ainda ir testar a zona de procura dos 52 000 dólares, que suportou o preço deste criptoativo na grande maioria do ano de 2024 que, era nada mais nada menos, que a zona de oferta que limitou o preço entre março e novembro de 2021.
Preço de novo abaixo do seu custo de mineração
A mineração de Bitcoin funciona como um mercado altamente competitivo, onde empresas e investidores utilizam equipamentos especializados — os chamados ASICs (Application-Specific Integrated Circuits) — para validar transações e garantir a segurança da rede.
O principal custo operacional destes operadores é a eletricidade. Em muitos casos, os gastos energéticos representam mais de metade do custo total associado à produção de cada Bitcoin.
Quando o preço da criptomoeda recua de forma significativa, enquanto os custos energéticos permanecem elevados, as margens dos mineradores diminuem rapidamente. Em determinados casos, a atividade torna-se mesmo deficitária.
Com a Bitcoin a atingir de novo um preço abaixo dos 59 100 dólares, diversos operadores que utilizam equipamentos de gerações anteriores poderão estar a aproximar-se ou mesmo a ultrapassar os seus pontos de equilíbrio (break-even), situação em que as receitas da mineração deixam de compensar os custos de eletricidade.
O efeito bola de neve das liquidações
A fragilidade do mercado é amplificada pelo elevado recurso à alavancagem financeira.
Muitos investidores assumem posições de grande dimensão utilizando capital emprestado. Quando a cotação cai rapidamente, as plataformas de negociação exigem reforços de margem ou procedem à liquidação automática das posições.
Estas liquidações transformam-se em vendas forçadas que aumentam ainda mais a pressão descendente sobre o preço. À medida que níveis técnicos de suporte são quebrados, novas ordens automáticas de venda entram no mercado, acelerando o movimento.
O resultado é um efeito bola de neve: um mercado inicialmente dominado por compradores pode transformar-se rapidamente num mercado fortemente vendedor.
O que observar nas próximas semanas
A evolução da Bitcoin nas próximas semanas será determinante para avaliar a robustez do atual ciclo de mercado.
Os investidores deverão acompanhar particularmente:
-a rentabilidade dos principais mineradores;
-o volume de ordens de compra e venda;
-o volume de liquidações em posições alavancadas;
-o comportamento das empresas com grandes reservas de Bitcoin, como a Strategy;
-a capacidade da Bitcoin recuperar e consolidar acima dos principais níveis técnicos de suporte.
Se a criptomoeda permanecer durante um período prolongado abaixo dos custos médios de produção de uma parte relevante dos mineradores, a pressão sobre o ecossistema poderá aumentar significativamente. Por outro lado, uma recuperação sustentada do preço poderá aliviar rapidamente as preocupações atuais e restaurar a rentabilidade de grande parte do setor.
Existiram alguns fatores nas últimas semanas que contribuíram para um aumento da aversão ao risco de criptoativos.
Conselho
A DECO PROteste Investe continua a não aconselhar o investimento em criptomoedas, mas se, ainda assim, quiser especular e aceitar correr riscos elevados, não invista mais do que 5% da sua carteira. Acompanhe as notícias mais relevantes sobre bitcoin, ethereum e ripple.
A técnica de investimento gradual (dollar-cost averaging) pode ser uma ferramenta útil para os investidores construírem posições de longo prazo de forma progressiva, reduzindo o risco de comprarem em momentos de alta, ou reagir de forma impulsiva às quedas.