Qual o impacto da guerra com o Irão na Bitcoin?
A Bitcoin mostra resiliência apesar da crise no Médio Oriente
A Bitcoin mostra resiliência apesar da crise no Médio Oriente
Nos últimos dias, o mercado de criptomoedas — especialmente a Bitcoin — tem sido fortemente influenciado pela escalada do conflito envolvendo o Irão, os Estados Unidos e Israel.
A guerra gerou um período de forte volatilidade nos mercados globais, e a Bitcoin mostrou um comportamento interessante que ajuda a compreender o seu papel atual no sistema financeiro.
Quando surgiram as primeiras notícias de ataques militares contra o Irão, o mercado reagiu rapidamente. A Bitcoin caiu para cerca de 63 mil dólares, refletindo o aumento do medo e da incerteza global.
Esse movimento é comum em momentos de choque geopolítico. Investidores tendem a vender ativos considerados arriscados para migrar temporariamente para ativos mais tradicionais, como o dólar americano ou o ouro.
Apesar da queda inicial, a Bitcoin mostrou resiliência, tendo em poucos dias, recuperado parte das perdas e voltou para a faixa de 68 000 a 70 000 dólares, com alguns momentos de alta ainda mais fortes.
Em determinado momento da semana, o preço chegou a subir cerca de 7%, aproximando-se dos 73 000 dólares, impulsionado pela entrada de investidores que aproveitaram os preços mais baixos para comprar.
Essa recuperação indica que muitos participantes do mercado veem a Bitcoin como um ativo capaz de recuperar o seu valor rapidamente mesmo em períodos de tensão internacional.
O conflito no Médio Oriente também teve efeitos indiretos importantes:
Aumento do preço do petróleo, devido ao risco no Estreito de Hormuz.
Pressão inflacionária global, que pode adiar cortes de juros pelos bancos centrais.
Fortalecimento do dólar, o que normalmente pesa sobre ativos de risco, incluindo criptomoedas.
A Bitcoin não conseguiu manter-se acima de 70 000 dólares por muito tempo, tendo desvalorizado mais de 11% desde dia 4 de março, quando cotava acima dos 74 000 dólares, estando agora em torno dos 69 000 dólares, o que muitos analistas interpretam como sinal de força relativa.
Bitcoin não é refúgio! Durante muito tempo, a mãe das criptomoedas foi descrita como “ouro digital”, um ativo de proteção contra crises. No entanto, a reação recente mostra que ela ainda se comporta, em muitos momentos, como um ativo especulativo de risco muito elevado, dado não ter nenhum valor intrínseco e a sua cotação só depende apenas de haver maior ou menor procura.
Na prática, o que se observou foi:
Queda inicial com o choque geopolítico,
Recuperação rápida com a entrada de investidores,
Volatilidade elevada durante todo o período.
Isso sugere que a Bitcoin ainda está num processo de maturação dentro do sistema financeiro global, e não pode ser comparada com ativos de refúgio como o ouro, o franco suíço, entre outros.
Em 2025, a Bitcoin sofreu uma desvalorização de 6,54%, tendo a maior parte da valorização desse ano sido eliminada a partir de outubro de 2025, quando a Bitcoin rondava ainda os 126 200 dólares, mas em menos de quatro meses, perdeu cerca de 52,5%, tendo mesmo chegado a cotar a 59 930 dólares na sessão do dia 6 de fevereiro.
Desde o início do ano de 2026 a Bitcoin já desvalorizou 21,16%.
As novas frentes de guerra mostraram que a Bitcoin continua sensível a eventos macroeconómicos e geopolíticos. Embora tenha sofrido uma queda imediata após o início do conflito, o ativo demonstrou capacidade de recuperação e manteve-se relativamente estável em comparação com outras classes de ativos.
No curto prazo, a continuação do conflito pode manter a volatilidade elevada. No entanto, a forma como a Bitcoin reagiu — com queda inicial seguida de recuperação — reforça a perceção de que a mesma está cada vez mais integrada ao comportamento dos mercados globais.
A DECO PROteste Investe não recomenda investir em criptomoedas. No entanto, para quem, mesmo assim, decide especular e aceita assumir um nível de risco muito elevado, a sugestão é limitar este tipo de investimento a no máximo 5% do total da carteira.
Nesses casos, pode também consultar as análises e recomendações relativas a Bitcoin, Ethereum e Ripple. Para quem investe ou faz trading em criptomoedas, é igualmente importante acompanhar os volumes de compra e de venda, pois estes podem indicar tendências do mercado.
Para investidores particulares, uma estratégia como o DCA (Dollar-Cost Averaging) pode ser útil para construir posições de longo prazo de forma gradual.
Este método consiste em investir regularmente pequenas quantias ao longo do tempo, ajudando a reduzir o risco de comprar em momentos de preços elevados ou de reagir de forma impulsiva às descidas do mercado.
Além disso, é aconselhável evitar operações especulativas de curto prazo e manter uma abordagem disciplinada, com foco num planeamento financeiro de longo prazo.