NXP Semiconductors: nova ação na nossa seleção
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Sediada nos Países Baixos, a NXP Semiconductors era a divisão de semicondutores da gigante Philips, abrindo o seu capital no Nasdaq, em 2010.
O grupo opera, sobretudo, no setor dos Semicondutores Automóveis (58% das receitas em 2025). Focada em chips de elevado valor acrescentado, a empresa concebe as unidades de controlo eletrónico que gerem o motor, a travagem e a direção, bem como os sistemas de gestão de baterias, essenciais para otimizar a autonomia e o carregamento dos veículos elétricos.
A NXP é líder mundial em soluções de assistência ao condutor por radar (sensores e processadores), possibilitando características de segurança como a travagem de emergência, a deteção do ângulo morto e a visão 360°, essenciais para os veículos autónomos do futuro. A NXP tem ainda uma forte presença em soluções de chaves digitais seguras e sistemas multimédia. Nos semicondutores automóveis, detém uma quota de mercado de 11%, logo atrás da líder Infineon (14%) e à frente da STMicroelectronics (9%) e da Melexis, especializada em sensores.
Nos Semicondutores Industriais e na Internet das Coisas, o segundo maior mercado do grupo (18% das receitas), a empresa concebe microcontroladores para a automatização de fábricas, gestão de redes inteligentes, sistemas complexos de controlo de motores e eletrodomésticos conectados. As outras duas áreas de negócio são a Mobilidade (pagamentos móveis, geolocalização e gestão de energia) e as Infraestruturas de Comunicação (identificação segura, sinais 5G e comunicação digital…), que geram 13% e 11% das receitas, respetivamente.
Nos últimos anos, a empresa tem tido resultados voláteis devido às variações erráticas da procura. Isto foi muito evidente no setor automóvel, onde os fabricantes tiveram de lidar, em simultâneo, com a Covid-19 e as suas consequências e com a transição dos motores de combustão interna para os motores elétricos. O colapso da procura de veículos provocado pela pandemia foi rapidamente seguido pela escassez de componentes eletrónicos. Assim, em 2020, a receita e o lucro por ação diminuíram, antes de recuperarem até 2023. Os anos de 2024 e 2025 foram desafiantes devido à redução dos stocks no setor. Entre 2023 e 2025, a receita e o lucro caíram 8% e 16%, respetivamente.
O grupo também sofreu com a significativa exposição à China, que representava 38% das receitas em 2021, contra 17% em 2025. Este dinâmico mercado foi-se fechando gradualmente ao grupo (restrições à exportação de semicondutores, tarifas aduaneiras), o que impactou negativamente os resultados que, de outra forma, seriam mais sólidos. O perfil do grupo é agora menos arriscado e a sua diversificação geográfica é mais equilibrada. Agora, a Ásia, sem a China, gera 29% das receitas, a América 27%, a Europa/Médio Oriente 27% e a China apenas 17%.
Os resultados de 2025 mostraram claros sinais de recuperação. A receita subiu 7% no último trimestre de 2025 (-3% no ano) e prevê-se que suba 8% a 15% no trimestre atual, graças à aceleração da procura nos setores automóvel e industrial. A margem operacional está a seguir esta tendência crescente, atingindo 34,6% (sem itens não recorrentes) no último trimestre de 2025, mais 40 pontos base face a 2024, graças a uma rigorosa disciplina de custos e poder de fixação de preços (chips de ponta). Este nível compara favoravelmente com os concorrentes mais próximos, como a Infineon (atualmente com a margem abaixo de 20%) e a STMicroelectronics (inferior a 10%).
Para o setor automóvel, o motor de crescimento, segundo o grupo, advém sobretudo do crescente número de componentes eletrónicos por veículo, uma vez que não se prevê uma forte recuperação da produção automóvel global. No setor industrial, as coisas também estão a melhorar, com um aumento de 24% das receitas no último trimestre de 2025 e metas ambiciosas para o futuro.
O grupo quer atingir receitas de 16 mil milhões de dólares (MD) em 2027 (12,3 mil MD em 2025), um aumento médio anual de 14,2%. A margem operacional, excluindo itens não recorrentes, deverá situar-se entre 34% e 40%, face aos 33,1% de 2025. Isto, aliado à continuidade das recompras de ações (cerca de 2% da capitalização bolsista anualmente), deverá permitir à empresa duplicar o lucro por ação, de 2023 até 2030, ou um pouco mais, o que equivale a um aumento médio anual de 19% entre 2025 e 2030.
Estas metas estão, obviamente, dependentes dos desenvolvimentos da guerra no Médio Oriente, mas os chips da NXP estão integrados no núcleo dos ciclos de design automóvel de 5 a 7 anos, garantindo uma elevada visibilidade e baixos custos de transição para os clientes. O grupo adota também uma estratégia de fabrico híbrido, combinando as suas próprias fábricas para tecnologias próprias com parcerias com fabricantes de semicondutores, como a que ocorreu com a TSMC para os seus chips mais avançados, otimizando assim o investimento de capital, o que permite gerar um cash flow alto e recorrente.
A sua posição financeira é sólida e a empresa recompensa generosamente os acionistas através de recompras regulares de ações e do pagamento de dividendos (rendimento bruto de 2,1% à cotação atual). Além disso, a NXP beneficia de uma boa diversificação, já que nenhum cliente representa mais de 10% das receitas e os 20 principais clientes finais pesam menos de 45% no total.
A NXP é uma empresa consolidada no setor dos semicondutores e tem boas perspetivas de crescimento. Está bem posicionada para beneficiar do desenvolvimento dos carros elétricos, condução autónoma e automação industrial. Apresenta níveis de rentabilidade superiores à maioria dos seus concorrentes e demonstrou capacidade para resistir a choques, por vezes brutais, na oferta e na procura.
Os seus objetivos para os próximos anos são convincentes, com um forte aumento esperado dos lucros até 2030. Com base nas nossas estimativas de lucros por ação de 12 dólares em 2026 e 13,50 em 2027, a ação está a ser negociada a 16 vezes o lucro esperado para 2026, o que é muito inferior à média dos últimos dez anos (26 vezes) e à avaliação dos seus concorrentes. O risco associado à ação é 3 na nossa escala de 1 a 5. Pode comprar.