Accenture, BNP Paribas, Engie, Telecom Italia
A Accenture reforça as capacidades em IA
A Accenture reforça as capacidades em IA
Accenture
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A Accenture publicou resultados em linha com as expectativas relativos ao segundo trimestre de 2025/26. O volume de negócios aumentou 8% e o lucro por ação 4%, enquanto as encomendas atingiram um novo máximo, com uma progressão de 6% em termos homólogos.
Num contexto de incerteza, a Accenture refere a prudência das empresas clientes, mas mostra-se confiante quanto ao impacto das inovações potencialmente disruptivas no setor.
A administração destaca o reforço das capacidades em IA, que foi reforçado por aquisições direcionadas realizadas nos últimos anos, e as oportunidades associadas a esta tecnologia.
Apesar das tensões no Médio Oriente e dos riscos para a economia mundial, a Accenture reviu ligeiramente em alta os seus objetivos para 2025/26, prevendo agora +5% a 7% do volume de negócios e +6% a 8% do lucro por ação. Prevemos lucro por ação de 13,1 dólares em 2025/26 e de 14,5 dólares em 2026/27.
A cotação recuperou depois da revisão em alta dos objetivos. Mesmo assim, a ação ainda negoceia em 15 vezes o lucro esperado para 2025/26. Um nível demasiado reduzido tendo em conta os trunfos da Accenture (ganhos de quota de mercado, elevada rentabilidade, situação financeira sólida). Aproveite a oportunidade.
BNP Paribas
Manter
Após integrar a gestão de ativos da Axa, o BNP Paribas apresentou os objetivos desta atividade. No final de 2025, os ativos sob gestão atingiam 1,6 biliões de euros (2,2 da Amundi e 1,6 do UBS). O BNP visa agora um crescimento anual de 5%, excluindo o efeito de mercado, até 2030, o que corresponde a 1,95 biliões de euros de ativos sob gestão.
Este reforço deverá traduzir-se num aumento anual de 4% das receitas da gestão de ativos, com o BNP a privilegiar as comissões em detrimento da margem de juros. Em conjunto com o aumento das receitas, a estabilidade de custos deverá conduzir a um crescimento do lucro na ordem dos 13% por ano até 2030, uma dinâmica muito favorável.
Para sustentar este crescimento, o BNP Paribas AM pretende reforçar-se nos fundos alternativos, nomeadamente na dívida privada, atualmente sob pressão nos EUA.
Por fim, o BNP não apresentou novas informações sobre o financiamento do antigo regime sudanês, um processo no qual foi condenado em 2025 e interpôs recurso. O risco de uma indemnização de vários milhares de milhões de euros mantém-se, portanto, presente.
O BNP Paribas pretende explorar o efeito de escala para aumentar a rentabilidade da gestão de ativos. A dívida não cotada, mais controversa, deverá servir para sustentar este crescimento.
Engie
Manter
A Engie resiste bem ao conflito no Médio Oriente, apesar da subida acentuada dos preços do gás. A ação, que já valoriza mais de 20% desde janeiro, beneficia do seu estatuto de valor defensivo procurado em períodos de tensão geopolítica. Os investidores privilegiam as utilities com receitas previsíveis, em detrimento de empresas cíclicas mais vulneráveis.
A Engie limita a volatilidade através de estratégias de cobertura dos preços da energia, um bom mix de renováveis-redes e de contratos de longo prazo. O mercado considera que o choque atual é gerível, sem paralelo com o de 2022, associado à invasão da Rússia.
Telecom Italia
Manter
De forma inesperada, a Poste Italiane acelera a sua ofensiva sobre a Telecom Italia e lança uma OPA (oferta pública de aquisição) com o objetivo de assumir o controlo do grupo e retirar o título da bolsa de Milão.
Trata-se de uma das operações mais relevantes das telecomunicações em Itália, não apenas pelo valor total, cerca de 10,8 mil milhões de euros, mas também pela reconfiguração do equilíbrio entre infraestruturas, serviços digitais e distribuição.
A oferta apresentada pela Poste Italiane inclui uma componente mista. Por cada ação da Telecom Italia, serão oferecidas 0,0218 ações da Poste e 0,167 euros em numerário.
Esta estrutura permite à Poste limitar o desembolso em caixa, cerca de 2800 milhões de euros, e, ao mesmo tempo, integrar os atuais acionistas da Telecom no futuro grupo. O Estado italiano, que detém cerca de 65% da Poste Italiane, manterá o controlo da nova entidade mesmo no cenário de adesão total.
A lógica da operação é essencialmente operacional. A Poste Italiane pretende criar um grupo integrado que combine telecomunicações, serviços financeiros e distribuição.
A complementaridade é evidente: cerca de 13 000 estações de correio e 4000 pontos de venda da TIM permitem ampliar significativamente a rede comercial. Esta integração facilita a venda de serviços combinados, num contexto em que a atividade da Poste já vai muito além do correio tradicional, incluindo serviços financeiros, seguros, energia e conectividade.
Os benefícios esperados ascendem a cerca de 700 milhões de euros por ano. Aproximadamente 200 milhões resultam de sinergias comerciais, nomeadamente da venda cruzada de produtos entre as duas bases de clientes. Os restantes 500 milhões deverão advir de poupanças financeiras, uma vez que o novo grupo apresentará um perfil de risco mais sólido do que a atual Telecom Italia, reduzindo os custos de financiamento. Os custos de integração, também estimados em 700 milhões de euros, serão pontuais.
No curto, para os acionistas da Telecom Italia não há impacto. As ações continuam cotadas até à concretização da operação, prevista para o final do ano. Quando a oferta for lançada, será possível optar entre vender as ações e receber títulos da Poste Italiane com uma componente em numerário, ou manter a posição. Neste último caso, existe o risco de ficar com ações não cotadas, caso a empresa seja retirada de bolsa.
No entanto, persistem incertezas, nomeadamente a necessidade de a OPA alcançar pelo menos 66,67% do capital da Telecom Italia.
Quanto a uma eventual estratégia especulativa sobre a Telecom Italia, o potencial é limitado. O prémio implícito na oferta ronda 9% face ao preço de fecho anterior ao anúncio, um nível reduzido e já parcialmente refletido na subida da cotação. Em síntese, o nosso conselho não se altera: pode manter as ações da Telecom Italia.