Investir em ações do setor farmacêutico
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
As perspetivas mantêm-se cautelosas no setor farmacêutico para 2026
Autor: Análise da equipa internacional de analistas da Euroconsumers
As perspetivas mantêm-se cautelosas no setor farmacêutico para 2026
O setor só viveu alguma tranquilidade no final do ano após os acordos assinados com a administração Trump. Apesar das pressões, a Roche (comprar) teve um bom desempenho em 2025, com um aumento de 7% das vendas (excluindo efeitos cambiais) e fortes resultados clínicos que sustentaram o preço das ações. No entanto, o grupo está a adotar uma abordagem mais cautelosa para 2026.
A Gilead (manter) partilha do mesmo sentimento. Após um sólido ano de 2025, o grupo prevê um impacto negativo dos acordos nos EUA em 2026 e vendas abaixo do previsto para o Yeztugo, o seu novo tratamento para a prevenção do VIH.
A Novartis (manter) também se mostra cautelosa. Embora as vendas tenham aumentado 8% (excluindo efeitos cambiais) em 2025, 2026 será marcado pelo aumento da concorrência dos genéricos, principalmente para o seu principal produto, o Entresto (insuficiência cardíaca).
Para celebrar a chegada do novo CEO, a GlaxoSmithKline (manter) divulgou resultados melhores do que o esperado, com um aumento de 7% das vendas a taxas de câmbio constantes, que foram impulsionadas principalmente por tratamentos inovadores.
O grupo prevê, no entanto, uma desaceleração do crescimento em 2026, devido, em particular, a uma queda (esperada) da procura por vacinas (devido a um ambiente desfavorável nos EUA). Ainda assim, o grupo mantém as ambiciosas metas para 2031.
A contração no segmento das vacinas deverá também ter um impacto negativo na Sanofi (comprar). Contudo, a farmacêutica prevê um forte crescimento das vendas em 2026 graças ao seu medicamento de grande sucesso, o Dupixent (para o eczema, etc.), que representa atualmente 36% das vendas.
As primeiras expirações de patentes para este medicamento, previstas para 2031, estão a causar preocupação no mercado, após os recentes contratempos na investigação do grupo. Ainda assim, a Sanofi já tem novos motores de crescimento: os lançamentos de novos produtos impulsionaram as vendas em 48% em 2025.
A Merck (manter) enfrenta um problema semelhante de dependência, dado que o crescimento das receitas (+2% em 2025) foi impulsionado, sobretudo, pelo seu medicamento oncológico de grande sucesso, Keytruda, que representa 49% das vendas.
E, as perspetivas para 2026 parecem ser claramente dececionantes, devido ao efeito combinado da concorrência dos genéricos para o seu medicamento para a diabetes, Januvia, e a uma despesa significativa relacionada com a recente aquisição da Cidara.
A Pfizer (comprar) já não tem, infelizmente, uma fonte de receita tão expressiva, uma vez que os tratamentos para o Covid-19 continuam em declínio. Esta situação persistirá em 2026 e as vendas, na melhor das hipóteses, manter-se-ão. Não se prevê um regresso ao crescimento significativo antes de 2029. Ao invés, o grupo beneficiará até ao final de 2027 de um ambicioso programa de redução de custos.
Ao contrário de outras farmacêuticas, a AstraZeneca (manter) prevê um crescimento robusto em 2026, sustentado pelo seu portefólio de oncologia. A empresa está também cada vez mais focada na China, o seu segundo maior mercado depois dos EUA, onde planeia investir 15 mil milhões de dólares e está a expandir as suas parcerias.
O otimismo também prevalece na Eli Lilly (manter), cujas estimativas para 2026 superam significativamente as expectativas, graças ao sucesso dos seus dois principais produtos para a obesidade.
Considerados mais eficazes, o Mounjaro e o Zepbound ganharam uma quota de mercado significativa ao Wegovy da Novo Nordisk (manter), que surpreendeu os mercados com previsões muito dececionantes para 2026. Embora o mercado da obesidade continue a ser promissor, a concorrência está a tornar-se cada vez mais feroz.
Após resultados financeiros globalmente sólidos em 2025, apesar das ameaças dos EUA ao setor, as perspetivas para 2026 são, no geral, moderadas devido à pressão sobre os preços e ao aumento da concorrência dos genéricos. Dada a maturidade esperada de várias patentes nos próximos anos, prevê-se alguma volatilidade nas vendas e nos lucros.
As farmacêuticas procuram novos motores de crescimento. Alguns já estão em marcha, enquanto outros dependerão dos resultados dos ensaios clínicos em curso, que são inerentemente incertos.
Outros terão de ser procurados externamente, como mostra o aumento das aquisições direcionadas no ano passado: Verona e Cidara, pela Merck, Metsera pela Pfizer, Blueprint Medicines pela Sanofi, etc.
As empresas farmacêuticas têm linhas de produtos mais robustas e estão a beneficiar das crescentes necessidades de cuidados de saúde. Por isso, o setor merece estar presente em qualquer carteira diversificada.
Se não quiser correr o risco de investir em ações individuais, recomendamos que compre o ETF Xtrackers MSCI World Health Care UCITS (Código ISIN: IE00BM67HK77) ou o SPDR MSCI World Health Care UCITS (IE00BYTRRB94).