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Trade Republic abre sucursal em Portugal

Segundo a Trade Republic, o utilizador português tem, em média, 35 anos e mantém cerca de 50 mil euros na plataforma.

Publicado em: 21 julho 2026
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Autor: Adelino Gonçalves

Trade Republic abre sucursal em Portugal

Com a abertura de uma sucursal nacional, a Trade Republic pode agora disponibilizar contas com IBAN português. A corretora alemã tem cerca de 200 mil clientes no país.

A Trade Republic reforçou a sua presença em Portugal com a abertura oficial de uma sucursal nacional. Um passo que surge quatro anos após a entrada da corretora alemã no mercado português. A operação permite agora disponibilizar contas com IBAN português, uma funcionalidade muito solicitada pelos utilizadores e que deverá facilitar a utilização da plataforma como conta bancária do dia-a-dia.

Segundo Pablo Albarellos, responsável da Trade Republic para Portugal, Espanha e Grécia, a criação da sucursal resulta do forte crescimento registado no mercado nacional. O processo de autorização junto do Banco de Portugal foi iniciado em junho de 2024 e concluído recentemente, permitindo que, a partir de agora, as novas contas sejam abertas diretamente na entidade portuguesa.

Os clientes atuais poderão migrar gradualmente para o novo modelo, embora essa alteração seja facultativa.

Trade Republic quer meio milhão de clientes em Portugal

Nos últimos doze meses, a Trade Republic duplicou o número de clientes em Portugal, alcançando cerca de 200 mil utilizadores. A empresa pretende repetir esse desempenho e atingir aproximadamente 500 mil clientes durante o próximo ano.

A corretora acredita que a existência de um IBAN português será um fator determinante para acelerar essa expansão, uma vez que permitirá aos clientes receber salários, efetuar débitos diretos e utilizar a conta para operações bancárias correntes, aproximando a plataforma do modelo de um banco tradicional.

Segundo a empresa, o mercado bancário representa uma oportunidade significativamente superior ao da simples corretagem, razão pela qual pretende reforçar a sua oferta de serviços financeiros em Portugal.

Juros de 3% para novos clientes

Um dos principais argumentos comerciais continua a ser a remuneração do saldo disponível na conta. Os novos clientes beneficiam de uma taxa anual nominal bruta de 3% sobre saldos até 50 mil euros. Para montantes superiores, e também para clientes abrangidos pela nova sucursal portuguesa, a remuneração passa a acompanhar a taxa anual nominal bruta de depósitos do Banco Central Europeu, atualmente fixada em 2,25%. Deixa de existir qualquer limite máximo para o capital remunerado.

Ao contrário dos depósitos a prazo tradicionais, não é necessário constituir um depósito específico, sendo os juros calculados sobre o saldo disponível.

A Trade Republic afirma ainda que esta política de remuneração foi concebida como uma proposta de longo prazo, não sendo encarada como uma campanha promocional temporária.

Garantias não são as mesmas dos depósitos

Há um aspeto importante a ser considerado. Com este novo modelo, parte do saldo em dinheiro pode deixar de estar depositado num banco e passa a ser aplicado em fundos do mercado monetário. Esta diferença é relevante porque um depósito bancário está protegido pelo Fundo de Garantia de Depósitos até 100 mil euros por cada titular. Já o dinheiro investido em fundos monetários não beneficia dessa garantia uma vez que é visto como um investimento e não um depósito. 

Como são protegidos os depósitos

Os fundos dos clientes permanecem distribuídos por vários bancos parceiros, entre os quais o Deutsche Bank, o HSBC e o Crédit Agricole. Desta forma, os depósitos beneficiam da proteção dos respetivos sistemas de garantia de depósitos, até ao limite de 100 mil euros por entidade bancária.

A empresa refere igualmente que, dependendo da estrutura de alocação dos fundos, parte da liquidez poderá ser aplicada em fundos do mercado monetário.

Qual o perfil do investidor português?

Segundo a Trade Republic, o utilizador português tem, em média, 35 anos e mantém cerca de 50 mil euros na plataforma.

A corretora refere que os clientes utilizam sobretudo a plataforma para investir a longo prazo, privilegiando instrumentos como ETF e ações, especialmente de empresas tecnológicas.

As operações de compra e venda têm uma comissão fixa de um euro por ordem, enquanto os investimentos realizados através de planos de poupança periódicos estão isentos dessa comissão.

Apesar da abertura da sucursal, a Trade Republic não prevê lançar novos produtos de investimento no imediato. A prioridade passa por consolidar a operação nacional e recolher o feedback dos clientes.

Entre as funcionalidades atualmente em estudo encontra-se a possibilidade de disponibilizar contas conjuntas, uma das solicitações mais frequentes dos utilizadores portugueses. Desde abril, a empresa passou também a oferecer apoio ao cliente em português, disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana.

Estratégia da Trade Republic para Portugal

A abertura da sucursal portuguesa representa um passo importante na estratégia da Trade Republic para consolidar a sua presença em Portugal. Com um IBAN nacional, uma oferta competitiva de remuneração sobre depósitos e serviços cada vez mais semelhantes aos de um banco tradicional, a empresa procura atrair mais clientes e afirmar-se como uma alternativa à banca convencional, mantendo simultaneamente o foco no investimento de longo prazo. 

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