Quanto tempo espera que dure um aspirador? Ou um telemóvel ou tablet? Ou, ainda, um televisor? Aparelhos diferentes suscitam expectativas diferentes quanto à sua esperança de vida e quanto à possibilidade de serem reparados antes de serem substituídos. Foi em busca dessas respostas que a DECO PROteste e as associações congéneres da Bélgica, Itália, Espanha, Dinamarca e Canadá fizeram um conjunto de questões aos consumidores.
O estudo, realizado em simultâneo nos seis países em janeiro, debruçou-se sobre quando os portugueses estão dispostos a reparar os seus pequenos e grandes eletrodomésticos, e quanto pensam gastar a fazê-lo. Ou seja, qual o limite de despesa que consideram para decidir se os reparam ou se os substituem.
Cinco a dez anos de vida, conforme o aparelho
À partida, aparelhos como os smartphones são vistos como menos duráveis. Os consumidores portugueses esperam usá-los sem sobressaltos, em média, cinco anos. Já eletrodomésticos como máquinas de lavar roupa ou televisores contariam, em média, dez anos de duração sem darem problemas.
Atitudes dos consumidores quanto ao uso dos eletrodomésticos
Uma larga maioria dos inquiridos afirma que usa estes aparelhos o máximo de tempo possível, até que deixem de funcionar, mesmo que surjam novos modelos ou tecnologias no mercado. É assim para as máquinas de roupa (88% afirmam usá-las até avariarem irremediavelmente), aspiradores (85%) e televisores (82%).
No entanto, aparelhos que integram softwares complexos, como tablets e smartphones, geram uma expectativa diferente – um pouco menor – para os consumidores que participaram neste estudo: quase 70% afirmam usar tablets até ao fim, enquanto apenas 60% assumem-no quando se trata de smartphones.
Quem tende mais a conservar todos os equipamentos até ao fim do seu ciclo de vida são as mulheres.
Experiências de reparação de equipamentos
Escolheu-se um aparelho de cada categoria para estudar mais a fundo a reparabilidade de cada um: smartphones dos produtos hi-tech, aspiradores dos pequenos eletrodomésticos e máquinas de lavar roupa dos grandes eletrodomésticos. Os consumidores que tiveram a experiência de ter tido um problema técnico com estes aparelhos nos últimos cinco anos responderam a um conjunto de perguntas mais detalhado.
Smartphones
Trinta e nove por cento dos utilizadores de smartphones debateram-se com uma avaria nos últimos cinco anos. Destes, 44% afirmaram ter resolvido o problema, tendo a maioria (52%) levado o dispositivo a uma loja, a um técnico especializado ou a um repair café (iniciativas mensais, em Lisboa e no Porto, com técnicos voluntários que fazem reparações, mediante inscrição prévia).
Estes consumidores planeiam gastar, em média, um limite de 80 euros para reparar problemas ou avarias não cobertos pela garantia até aos dois anos. Num período maior (três a cinco anos de uso) não contam ir além de uma média de 60 euros para o mesmo fim.
A expectativa em relação à longevidade de utilização dos smartphones é a mais curta: os consumidores inquiridos não contam que vá além dos quatro anos.
Aspiradores
Os aspiradores mais caros – que custam acima dos 200 euros – são os que tendem mais a ser reparados. Quarenta e quatro por cento dos inquiridos repararam estes eletrodomésticos, recorrendo, principalmente ao fabricante ou a um representante da marca para o fazer.
A expectativa é que estes eletrodomésticos durem mais do que um telemóvel. Talvez, por isso, a percentagem dos inquiridos que admitem repará-los por problemas/avarias não cobertas pela garantia depois de dez anos de uso seja ainda de 18 por cento. Em média, estariam dispostos a gastar 72 euros até aos dois anos e 59 euros até aos quatro anos de utilização. E esperam que estes eletrodomésticos tenham, em média, oito anos de uso.
Máquina de lavar roupa
É, de acordo com as expectativas dos consumidores e entre os três aparelhos em estudo, o eletrodoméstico mais longevo. Dele se espera que tenha, em média, quase dez anos de uso. Os inquiridos dizem-se dispostos a mandá-lo reparar por problemas/avarias não cobertas pela garantia para lá dos oito anos de utilização. Estão dispostos a despender em média até 93 euros para a sua reparação nos primeiros dois anos, 82 euros entre três e quatro anos e 85 euros entre os cinco e os dez anos.
O que é mais importante para reparar um aparelho?
Serviços de reparação acessíveis e rápidos, o preço de componentes/peças de substituição e a garantia de reparação são os três aspetos que os consumidores consideram mais importantes para melhorar a “capacidade de reparação” de um aparelho.
Verdadeiro ou falso? Consumidores conhecem mal os prazos de garantia
Parte do questionário desenvolvido pela DECO PROteste consistia num quiz para aferir o conhecimento dos consumidores em relação aos seus direitos em matéria de prazos de garantia. Ou, ainda, por exemplo, sobre o que diz a lei em relação à possibilidade de reparar aparelhos.
Os consumidores inquiridos conseguiram uma média de 1,8 respostas certas em cinco.
Apenas 33% sabem que a bateria está coberta pela garantia do smartphone;
32% dos inquiridos sabem que um aparelho de substituição dado dentro do prazo de garantia do aparelho avariado não prolonga a garantia;
só 11% sabem que uma avaria na porta de um frigorífico não garante a sua substituição se for possível repará-lo;
menos de metade (39%) respondeu com acerto à afirmação falsa "após a reparação ao abrigo da garantia legal, começa a contar um novo período de garantia, porque é como se tivesse recebido um aparelho novo";
62% sabem que é verdadeira a afirmação "a sua nova máquina de lavar loiça, ao avariar ao fim de 13 meses, deve ser reparada gratuitamente, incluindo os custos de transporte, desmontagem e remontagem".
De notar que a maioria – 54% – nunca ouviu falar na legislação europeia relativa à reparabilidade dos produtos. Aí se incluem, por exemplo, os requisitos de ecodesign, a disponibilização de peças sobresselentes – e os períodos de garantia a que também estão sujeitas – e as atualizações de software. Entre os que conhecem este quadro legal, 36% assumem-se pouco informados sobre ele.
A grande maioria defende incentivos e condições de mercado mais favoráveis para a reparação de aparelhos.
Como foi realizado o estudo
A DECO PROteste, em conjunto com as associações de consumidores do grupo Euroconsumers da Bélgica, Espanha e Itália, bem como as da Dinamarca e do Canadá, realizou, em janeiro de 2025, um inquérito online distribuído a uma amostra representativa da população com idades entre os 18 aos 74 anos. No total reunimos 6489 respostas válidas, das quais 1002 em Portugal. Os resultados foram ponderados para serem representativos da população nacional em termos de género, idade, nível de educação e zona geográfica, e espelham as experiências e opiniões dos inquiridos portugueses sobre a reparação de eletrodomésticos.
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Este projeto é uma iniciativa conjunta da Euroconsumers. Reunindo cinco organizações nacionais de consumidores e dando voz a um total de mais de 1,5 milhões de pessoas em Portugal, Espanha, Itália, Bélgica e Brasil, a Euroconsumers é o principal grupo de consumidores do mundo em informação inovadora, serviços personalizados e defesa dos direitos dos consumidores. |
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