Dicas

Separar o lixo em 10 respostas

Ainda lava as embalagens antes de as pôr no ecoponto? Se a reciclagem lhe suscita dúvidas, este artigo é para si. Reutilize em vez de deitar fora e evite o desperdício. Quando já não puder evitar os resíduos, saiba como proteger o ambiente.

16 julho 2021
pessoa a deitar uma garrafa de plástico no ecoponto amarelo

iStock

Os dados da Agência Portuguesa do Ambiente são inequívocos: em 2019, em Portugal, cada cidadão produziu cerca de 513 quilos de lixo, cem quilos a mais do que os números definidos como meta para o ano de 2020 para a União Europeia. Isto correspondeu a 1,4 quilos de lixo por dia, antes ainda de se iniciar o ano do recurso em massa ao material descartável impulsionado pela pandemia da covid-19.

Para onde vão todos esses resíduos? Apenas 13% têm como destino final a reciclagem, e menos de 20% são usados para valorização energética. A maioria segue para deposição em aterro.

Como podemos fazer a nossa parte? Se evitarmos produtos com um tempo de vida curto, quando existem alternativas mais duradouras, poupamos recursos com o fabrico de novos produtos. Sempre que possível, devemos fazer opções sustentáveis no dia-a-dia no sentido de reaproveitar, reutilizar ou reparar os equipamentos ou, quando tal não for possível, separá-los devidamente e encaminhá-los para que sejam valorizados ou reciclados.  

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Escolha produtos duradouros e separe os resíduos para reciclar

Há muitos objetos do dia-a-dia que podem ser reaproveitados. Podemos alugar em vez de comprar, reparar em vez de comprar novo, partilhar e ainda doar. E, quando o produto chega ao fim de vida, é bom saber exatamente qual o destino certo a dar-lhe, para que o círculo se feche da forma mais virtuosa possível. Se queremos melhorar a nossa qualidade de vida e ajudar, com gestos pequenos, a combater algumas consequências das alterações climáticas e ter recursos para o futuro, precisamos de rever certos hábitos e, seguramente, esclarecer alguns mal-entendidos.

Posso pôr o lixo no contentor coletivo a qualquer hora?

Sim. Quer seja lixo indiferenciado ou lixo separado em casa, se o destino do lixo for o contentor coletivo, que serve várias moradias ou prédios, os sacos de lixo podem aí ser depositados a qualquer hora. Quando a recolha dos resíduos se faz porta-a-porta, há horas específicas para a passagem do camião de recolha, e, nesse caso, cada município estabelece a hora mais conveniente para colocar o saco ou o contentor na rua.

Se o condomínio tiver os seus próprios contentores, alguém do prédio é responsável por os colocar na rua a partir de determinada hora para que a recolha seja feita, de noite ou de madrugada. Se, ainda assim, tiver dúvidas, informe-se na câmara municipal da área de residência sobre as soluções adotadas para a recolha e eventuais sanções em caso de desrespeito.

No que diz respeito a móveis ou outros monos que queira deitar fora, não os ponha junto ao contentor: contacte a autarquia, solicitando a recolha, ou entregue-os no ecocentro mais perto de si. Sempre que possível, restaure-os para que se adequem a novas funções. Vender em segunda mão ou doar são também alternativas, quando ainda se encontram em bom estado.

O PC ainda funciona, mas quero substituí-lo. Posso deixá-lo na rua indicando “Dá-se” numa tabuleta?

A intenção é boa, mas a resposta é não. Um aparelho eletrónico, a funcionar ou avariado, é considerado lixo abandonado na via pública a partir do momento em que é depositado em locais não-autorizados. Para se desfazer de um eletrodoméstico ou aparelho a funcionar, recorra a lojas de artigos em segunda mão. Também pode doá-lo a uma instituição de apoio social. Algumas fazem a recolha porta-a-porta. Estes equipamentos têm materiais que podem ser reciclados e valorizados, pelo que é fundamental encaminhá-los para o local correto para que sejam aproveitados para originar novos produtos. Se os abandonar, podem ser recolhidos por alguém que, ilegalmente, os desmantele, libertando poluentes para a atmosfera. 

Milhões de produtos elétricos e eletrónicos são descartados todos os anos na União Europeia. Muitos deles são-no prematuramente, porque não podem ser atualizados, estão fora de moda ou porque não há soluções satisfatórias para a sua reparação. Caso possua algum equipamento que tenha deixado de funcionar de forma prematura, use a nossa plataforma para denunciar a situação.

Em muitos casos, o custo da reparação dos equipamentos pode estar próximo do custo de comprar um novo produto, desencorajando os consumidores a fazerem esta opção. Opte, sempre que possível, por eletrodomésticos mais duráveis e prefira sempre a reparação à substituição. Dentro do possível, contacte o representante da marca para o reparar; nem sempre o orçamento é alto. Se puder, leve-o a um dos Repair Cafés, que funcionam em vários locais do País, incluindo em Lisboa e no Porto: trata-se de espaços em que voluntários oferecem o seu tempo para fazer pequenas reparações.

Caso o aparelho já não tenha recuperação possível, pode entregá-lo à loja onde comprou o novo (sem qualquer encargo adicional para si) ou depositá-lo num ecocentro ou num dos pontos de recolha das entidades gestoras de resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos: ElectrãoERP Portugal e Weeecycle (alguns supermercados e zonas comerciais disponibilizam também contentores para pequenos eletrodomésticos ou aparelhos eletrónicos). Estas entidades são responsáveis pelo encaminhamento destes equipamentos de forma segura para as unidades de tratamento e valorização onde se aproveitam os materiais viáveis e se descontaminam os que não se podem aproveitar.

Descobri medicamentos fora de prazo em casa. Posso pôr no lixo?

Os medicamentos possuem substâncias que precisam de ser neutralizadas de forma segura. Por essa razão, não devem ser postos no lixo nem deitados para o esgoto. As embalagens dos medicamentos (cheias ou vazias), bem como os respetivos frascos, blísteres, colheres ou copos-medida, devem ser entregues na farmácia ou parafarmácia. Não devem ser incluídas nestes resíduos seringas nem agulhas, pois estas precisam de ser depositadas em recipientes próprios em farmácias ou em instituições de saúde. A Valormed – Sociedade Gestora de Resíduos de Embalagens e Medicamentos é a entidade responsável pelos resíduos de medicamentos. Depois de separadas segundo os materiais, as embalagens seguem para reciclagem, e os medicamentos, para incineração. Quando entregar na farmácia ou parafarmácia, acondicione de forma a evitar o derrame de qualquer produto.

É também na farmácia que devem ser entregues as radiografias. Consulte a sua para saber se estão a aceitar. Todos os anos, a AMI (Assistência Médica Internacional) lança uma campanha de recolha e reciclagem.

Onde coloco o autoteste à covid-19?

Os autotestes à covid-19 devem ser depositados no lixo comum, uma vez que contêm material biológico. Desta forma, coloque todos os componentes do teste dentro do saco de plástico que vem com o kit e, só depois, deite no lixo comum. Caso o teste dê positivo, antes de deitar fora, deve proteger tudo com dois sacos: o tal que vem com o kit e um outro de plástico,

Gazes, algodões ou testes de gravidez são também exemplos de resíduos que tiveram contacto com material biológico e, como tal, devem também ser depositados no lixo comum.

Onde deposito a máscara descartável? E o termómetro avariado?

As máscaras descartáveis, apesar de terem na sua constituição um tipo de plástico, são, à imagem de outros resíduos associados à proteção contra a covid-19 (luvas e equipamentos de proteção individual, por exemplo), potencial foco de contágio e, como tal, têm de ser depositadas no lixo comum e nunca devem ser colocadas nos ecopontos.

Os termómetros digitais (com pilha) são considerados equipamentos eletrónicos e devem ser colocados nos locais que recebem pequenos eletrodomésticos. Os termómetros de mercúrio devem ser entregues na farmácia.

Posso despejar na sanita o óleo da fritadeira?

Deitar os óleos de fritura usados pelo ralo do lava-loiça ou pela sanita tem um impacto gravíssimo, que começa logo em casa: as canalizações correm o risco de ficarem entupidas, com custos elevados de reparação e manutenção. Além de poluir o ambiente, provoca problemas nos sistemas de tratamento de águas residuais. Quando eliminados de forma descontrolada, estes óleos constituem um potencial perigo de contaminação, quer dos solos, quer das águas, tanto ao nível de aquíferos como das ribeiras e águas do mar. 

Os óleos alimentares usados podem ser valorizados em produtos como biodiesel e sabão, sendo por isso essencial proceder à recolha seletiva e encaminhá-los para destinos adequados. Mil litros de óleos alimentares usados permitem produzir entre 920 e 980 litros de biodiesel, combustível que apresenta índices de emissão de dióxido de carbono que podem ser 80% mais baixos do que os emitidos ao utilizar gasóleo. 

Para substituir o óleo da fritadeira, após a última utilização deixe o óleo arrefecer, despeje-o com a ajuda de um funil numa garrafa de plástico usada, coloque um autocolante, identificando "óleo alimentar usado", e armazene-a até ficar cheia. Depois, entregue-a num súper ou hipermercado que possua um oleão ou coloque-a num dos já disponibilizados na via pública do seu município. Se não existir nenhum local de recolha na sua área de residência, coloque a garrafa bem fechada no lixo comum.

Posso pôr embalagens de iogurte ou de manteiga no contentor amarelo?

Sempre que possível, use embalagens de plástico, frascos de vidro ou latas para armazenar alimentos não perecíveis ou outros objetos. A reutilização é considerada a melhor opção para mais de 20% das embalagens de plástico atualmente à venda. Quando não for possível aproveitar as embalagens para novos usos, a reciclagem é crucial, por permitir a reutilização dos materiais em novos produtos, reduzindo a pegada ecológica do processo produtivo e gerando menos dióxido de carbono em comparação com a produção a partir de plástico virgem, o que contribui para cumprir as políticas de baixo carbono definidas pela União Europeia. 

Tanto as embalagens de iogurte como as embalagens de manteiga devem ser colocadas no contentor amarelo (também chamado "embalão"). O mesmo acontece com os pacotes de leite e sumos e as restantes embalagens de cartão para líquidos.

Por sua vez, as embalagens de metal têm lugar no ecoponto amarelo, tal como as embalagens de folha de alumínio. Mas atenção: tachos, frigideiras e panelas, incluindo panelas de pressão, devem ser colocados no lixo indiferenciado. O "embalão" deve, sim, ser usado para o depósito de garrafas PET (de água e refrigerantes), embalagens de champô, cremes, géis de banho, desodorizantes e de maquilhagem. Espalme as embalagens vazias e não as enxague, pois não precisam de ser lavadas.

E os lenços de papel? Devo deitá-los no lixo indiferenciado ou no papelão?

Só se pode pôr no ecoponto azul (ou "papelão") papel e cartão limpo. Os restantes resíduos, como autocolantes, papel de cozinha e lenços de papel usados, devem ir para o lixo indiferenciado. As substâncias que se encontram nestes papéis sujos, sobretudo quando têm cola ou gorduras, não facilitam a tarefa na altura de os reciclar. Os invólucros de plástico que envolvem as revistas devem ser colocados no ecoponto amarelo. 

Uma caixa de cartão de piza, desde que não se encontre muito suja de gordura nem com restos de comida, pode (e deve) ser colocada no ecoponto azul. Mesmo que a parte de baixo da caixa de piza se encontre demasiado suja, o consumidor pode sempre separar a parte de cima (por norma, está limpa) e colocá-la no ecoponto azul, pondo a parte suja no lixo indiferenciado.

Deposite no ecoponto azul papel que não possa ser reaproveitado (cadernos, jornais e revistas, desdobráveis, etc.) e cartão limpo (caixotes de supermercado, caixas de eletrodomésticos, etc.).

O espelho partiu-se. Posso depositar os estilhaços no vidrão?

Não, o ecoponto verde (conhecido por "vidrão") destina-se apenas às garrafas, aos frascos e aos boiões de vidro. Os espelhos, os vidros das janelas, o cristal e as porcelanas não podem ser depositados no ecoponto verde. Estes materiais têm uma composição química diferente. Resistem a temperaturas mais elevadas, o que significa que não derretem à temperatura dos restantes vidros. Tal pode causar problemas durante a reciclagem. As lâmpadas (incandescentes, economizadoras, tubulares e LED) também não são consideradas vidro. As primeiras (as antigas, que possuem filamentos) podem seguir para o saco do lixo indiferenciado. Já as restantes exigem cuidados adicionais: devem ser colocadas em pontos de recolha específicos (disponíveis, por exemplo, em supermercados e grandes superfícies) ou entregues em ecocentros, tal como os pequenos eletrodomésticos. 

As rolhas de cortiça têm também o seu destino: o “rolhinhas”, disponível em vários espaços comerciais. E não tem de lavar garrafas, boiões ou frascos antes de os depositar no ecoponto verde. 

Posso deitar as pilhas no lixo comum?

As pilhas não podem ser misturadas com o lixo comum. Fazem parte do que denominamos pequenos resíduos perigosos. Se forem antigas, poderão conter mercúrio e cádmio, metais pesados muito poluentes e nocivos. Coloque-as nos contentores específicos para estes tipos de resíduos disponíveis nos súper e hípermercados, retalhistas e outras entidades, e nos ecocentros. Depois de recolhidos, as pilhas e os acumuladores usados serão transportados para uma entidade licenciada, onde é feita a separação por tipo de resíduo e o encaminhamento apropriado para as unidades de reciclagem. Se tiver dificuldade em encontrar um contentor específico perto de si, consulte os sites das entidades gestoras licenciadas para este tipo de resíduos (Electrão e ERP Portugal). 

Quanto aos telemóveis, tablets, computadores e dispositivos semelhantes, os fabricantes devem conceber os aparelhos de modo que as respetivas pilhas, as baterias e os acumuladores possam ser facilmente removidos e de forma segura, caso seja necessário trocar. No final de vida do produto, este deve ser encaminhado para reciclagem mantendo pilhas, baterias e acumuladores no seu interior. Por conterem substâncias perigosas, como mercúrio, chumbo e cádmio, não podem ser depositados juntamente com os restantes resíduos. 

Vou fazer a revisão do carro. O que acontece aos resíduos?

Sempre que precisar de trocar os pneus do carro, escolha um local que garanta um destino correto aos pneus antigos, com ligação à rede Valorpneu, a entidade responsável pela gestão dos pneus usados. Em caso de dúvida, contacte um dos pontos de recolha no País. O sistema funciona com a entrega dos pneus em qualquer operadora, sem custos adicionais, que os encaminha para a Valorpneu. Esta entidade é financiada pela cobrança de um ecovalor na venda dos pneus novos.

As baterias usadas também não podem ser eliminadas juntamente com os restantes resíduos, pois contêm substâncias perigosas, como ácido sulfúrico, e materiais recicláveis, como o chumbo e o plástico. Podem ser devolvidas nas lojas onde foram adquiridas e sem custo adicional ou entregues no momento da compra de uma nova. Também é possível entregar num centro de recolha licenciado. Garanta que a transporta na posição vertical, com as aberturas fechadas e voltadas para cima. Consulte os centros de recolha de baterias usadas nos sites das duas entidades gestoras a operar no nosso país, a Valorcar e a Gestão e Valorização de Baterias (GVB).

Também os óleos usados não devem ser descarregados no sistema de saneamento: provocam graves problemas de poluição e dificultam a eliminação de outras substâncias, inclusive do próprio óleo. Não misture óleos minerais com outras substâncias, como os alimentares, pois limita o seu posterior tratamento e aproveitamento. Deposite os óleos minerais usados nos respetivos ecocentros espalhados pelo País (saiba qual o mais próximo no site da entidade responsável pela gestão destes resíduos, a Sogilub – Sociedade de Gestão Integrada de Óleos Lubrificantes Usados). O seu financiamento é assegurado pelos produtores de óleos novos, através do ecovalor: pagamento de uma prestação por litro de óleo lubrificante vendido.

Se tiver um veículo em fim de vida, entregue-o num centro de desmantelamento licenciado, da rede Valorcar. Esta é a entidade responsável pela gestão do sistema de recolha de veículos em fim de vida. O serviço é gratuito, se o veículo estiver completo. Ao entregá-lo, delega naquela entidade a responsabilidade de um tratamento correto, com separação de fluidos, plásticos, vidros, espumas e outros materiais. Além disso, os registos de propriedade e matrícula são automaticamente cancelados.

 

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