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Como impulsionar a eletrificação dos edifícios

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Workshop Eletrificação e Descarbonização dos Edifícios Desafios da Transição Energética
Paulo Vaz Henriques/4See

A eletrificação dos edifícios é apontada como essencial para a transição energética. Mas como passar da teoria à prática quando existem barreiras financeiras, edifícios envelhecidos e sem conservação, bem como decisões que dependem de dezenas de condóminos, no caso dos edifícios multifamiliares?

Estas foram as questões em debate no workshop "Eletrificação e descarbonização dos edifícios – Desafios da transição energética", que juntou especialistas em energia, investigadores, representantes da administração pública e organizações envolvidas no setor da reabilitação urbana, para discutir os obstáculos e as oportunidades da renovação energética dos edifícios.

Depois da discussão para consumidores, no segundo evento organizado e moderado pela DECO PROteste, com a Lisboa E-Nova, Agência de Energia e Ambiente de Lisboa, ao longo de duas mesas-redondas, os participantes analisaram o papel das políticas públicas, dos mecanismos de financiamento e das soluções já implementadas no terreno para acelerar a descarbonização do parque edificado português.

Financiamento mais previsível e a maior escala

Cerca de 80% das casas em Portugal têm uma classe energética C ou inferior (D ou E), um nível de desempenho considerado baixo. O cenário, traçado por Margarida Pinto, da ADENE – Agência para a Energia, dava conta do grande desafio que o nosso país enfrenta, com a transposição da diretiva europeia de eficiência energética em edifícios (EPBD – Energy Performance of Buildings Directive). Esta obriga todos os países da União Europeia a alcançarem a neutralidade carbónica no parque imobiliário até 2050.

A legislação foca-se na eficiência energética, exigindo reduções de consumo e a transição para energias renováveis. Mas tal não vai ser suficiente, concordaram os intervenientes na sessão. Paulo Pardelha, da Câmara Municipal de Lisboa, sintetizou: “Somos excelentes a criar leis, mas não a implementar, e a implementação também não se faz sem envolvimento dos cidadãos ou sem incentivos.”

Como consegui-lo? Os especialistas sublinharam a necessidade de ações de sensibilização, que expliquem bem os ganhos aos cidadãos, mas também da descomplicação e aposta na continuidade e previsibilidade de programas de apoio, como o Vale Eficiência, o E-lar e o mais antigo Edifícios Mais Sustentáveis. "Não temos de começar sempre do zero, quando surge um programa. Temos de olhar para as falhas e aprendizagens e aumentar o nosso conhecimento. A escala de financiamento também é importante: são precisos 72 mil milhões de euros para renovar Portugal todo, só focando na componente passiva, isolamento e janelas”, alertou João Pedro Gouveia, do CENSE (Centre for Environmental and Sustainability Research).

Este investigador destacou ainda a importância que terá brevemente o Fundo Social para o Clima em utilizar os fundos e fazer chegar os apoios a quem precisa: “Portugal tem uma verba muito grande, e há um desafio adicional a ser explorado, que é o targeting, o direcionamento do investimento para a população mais vulnerável, ou seja, que pode chegar a dois ou três milhões de portugueses.” Para João Pedro Gouveia, tem de haver financiamento, mas também um apoio de proximidade.

Novos materiais e construção prefabricada com futuro

Não passa despercebida a herança de uma área que durante décadas não obedeceu a requisitos de isolamento ou conforto térmico. O setor da construção continua a revelar uma forte inércia. A resistência à mudança foi identificada como uma barreira à adoção de novas soluções energéticas, que deve interessar a todos, cidadão e consumidor final incluído. Para Manuel Collares Pereira, da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII), a evolução da legislação e das exigências ambientais terá impacto direto na valorização dos ativos imobiliários.

Os novos materiais e a construção em prefabricação ganham relevância, para o especialista, ao contribuírem para a redução das emissões associadas à construção. Materiais como o betão e a alvenaria continuam a ter um peso significativo no consumo energético e nas emissões do setor, o que tem levado à procura de alternativas, como cimentos de baixo carbono, cortiça e madeira, esta última com potencial de contribuir para a neutralidade carbónica associada à remoção de carbono já presente na atmosfera.

Segundo Manuel Collares Pereira, estas soluções já se encontram disponíveis, e Portugal apresenta condições favoráveis, tanto pela disponibilidade de matéria-prima como pela existência de empresas especializadas em prefabricação. Este tipo de construção é apontado como forma de reduzir prazos, aumentar a precisão da execução e diminuir os custos globais dos edifícios.

Ações de sensibilização para condomínios

Envolver proprietários e condomínios será crítico para a transição energética. O segundo painel do evento tinha entre os participantes Vítor Amaral, presidente da Associação Portuguesa de Gestão e Administração de Condomínios, que destacou as dificuldades dentro de portas: “Nos edifícios construídos antes de 2000, a eletrificação enfrenta desafios acrescidos, sobretudo quando há ainda necessidades de conservação e reabilitação que exigem investimentos significativos por parte dos condóminos, com diferentes capacidades financeiras.”

Segundo o responsável, as obras de conservação são frequentemente encaradas pelos condóminos, mas também pelas empresas de gestão de condomínios, apenas como uma obrigação de manutenção e não como obras de inovação, ou seja, uma oportunidade para introduzir melhorias de eficiência energética.

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