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Apoios financeiros, custos e condomínios: trio complexo faz os consumidores desistir de casas mais eficientes

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Paulo Vaz Henriques/4See

“Como passamos à ação quando vivemos num condomínio?” A pergunta de José Osório, um dos consumidores que assistiam à sessão “Consumidores na transição energética: da informação à ação”, na Biblioteca das Galveias, em Lisboa, roçava o tom de desespero.

Não foi o único a colocar no microfone um dos principais bloqueios sentidos pelos consumidores, num evento de esclarecimento a eles dirigido, organizado pela DECO PROteste com a Lisboa E-Nova, Agência de Energia e Ambiente de Lisboa. Durante uma manhã, cerca de 30 consumidores ouviram a discussão sobre financiamento e estruturas para apoiar a renovação energética de edifícios. Os custos com a renovação energética das casas e o impacto na saúde da pobreza energética estiveram em destaque no painel moderado por Elsa Agante, especialista da DECO PROteste em energia e sustentabilidade.

Conforto e saúde não podem ser luxo

Nem de propósito, no dia escolhido para o encontro, os termómetros batiam os 30 graus. Fica mais fácil perceber os efeitos nefastos da ligação entre a pobreza energética, generalizada em Portugal, e as alterações climáticas. “Se as casas não arrefecem durante a noite, grupos vulneráveis, como os idosos, sofrem com estas temperaturas; se pensarmos que muitos permanecem em casa e tomam medicação diurética, que faz perder líquidos, não é difícil entender que isto se traduz em mortes diretas”, exemplificou Jorge Rodrigues de Almeida, da RdA Climate Solutions | Powering Energy Hubs, empresa privada de consultoria.

As soluções de climatização e de isolamento têm um custo elevado e representam um investimento com pouco retorno, se o consumidor olhar apenas para os números. Mas a saúde, a qualidade do ar e o conforto térmico não são um luxo, defenderam os especialistas.

Este tipo de investimentos não pode ficar a cargo apenas dos consumidores. “A pobreza energética não é provocada pela bolsa de cada pessoa, mas pelas condições em que se construíram edifícios”. Nuno Roque, da Associação Portuguesa das Empresas dos Setores Energético, Eletrónico e do Ambiente, apontava o dedo à ausência de legislação até 2006 para acautelar o conforto térmico das casas na construção.

Programas de apoio demasiado complexos que ficam por aproveitar

O financiamento público pode fazer a diferença. Mas a complexidade do processo e os requisitos exigidos para as candidaturas a apoios do Governo nesta área foram muito criticados pelos oradores. Será por isso que os milhões de euros não chegam a quem realmente precisa?

Susana Camacho, da Rede Nacional das Agências de Energia e Ambiente de Portugal, assinalou a importância dos “Espaços Energia”, criados para um aconselhamento neutro e de apoio, que já foi útil sobretudo para candidaturas que decorrem em plataformas digitais que nem todos conseguem utilizar com confiança. “Só com trabalho em rede e parcerias, por exemplo, com centros de informação autárquica, unidades de saúde ou IPSS (instituições particulares de solidariedade social), podemos alcançar o público prioritário para beneficiar deste financiamento.” Neste âmbito, haverá novidades até ao final do ano, fez saber João Tomaz, da Associação Portuguesa de Bancos, que participou na consulta para a criação de um novo instrumento financeiro para a eficiência energética e a melhoria do conforto térmico das habitações.

Condomínios como força a desbloquear

O excesso de informação e as limitações do certificado energético, base para os sistemas de financiamento, também estiveram no centro das atenções. “O certificado energético é bom para comparação e para fins estatísticos, mas não é um guia exato sobre como reabilitar a minha casa; cada casa tem realidades interiores e prioridades diferentes”, salientou Catarina Serra, do Itecons (Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico para a Construção, Energia, Ambiente e Sustentabilidade) da Universidade de Coimbra.

E como gerir as especificidades quando se está inserido num espaço comum? Estava aberta a discussão para as dificuldades que a reabilitação de edifícios em condomínio coloca e que é bem sentida na pele pelos consumidores. “Não é fácil gerir, já que a entidade condomínio não é dona de nada. Por exemplo, os bancos não emprestam dinheiro ao condomínio. Vai exigir sempre o acordo de todos, porque o risco do investimento é de todos, de cada condómino”, concluiu Jorge Rodrigues de Almeida, da RdA Climate Solutions | Powering Energy Hubs.

No final da sessão, Elsa Agante, da DECO PROteste destacou a importância de espaços físicos, como os Espaços Energia, e plataformas digitais, como a Renovar Casa, para esclarecimento e ajuda aos consumidores, numa altura em que o objetivo de neutralidade carbónica em 2050 está em risco.

Horis Programa EU Life
O projeto Horis é financiado pelo programa LIFE da União Europeia, sob o acordo de subsídio n.º 101120497. O conteúdo desta publicação não representa necessariamente a opinião da União Europeia ou da Agência de Execução Europeia do Clima, das Infraestruturas e do Ambiente (CINEA). Nenhuma destas entidades é responsável pela informação e utilização das informações publicadas.
Clear Programa EU e Life
O projecto Clear-HP é financiado pelo programa LIFE da União Europeia, sob o acordo de subsídio n.º 101119923. O conteúdo desta publicação não representa necessariamente a opinião da União Europeia ou da Agência de Execução Europeia do Clima, das Infraestruturas e do Ambiente (CINEA). Nenhuma destas entidades é responsável pela informação e utilização das informações publicadas.

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