Dicas

Compostagem caseira: faça o seu próprio fertilizante

04 janeiro 2022
compostagem caseira

A compostagem é um processo simples, económico e ecologicamente sustentável. Aproveite alguns restos de comida não cozinhada e aparas de jardim e faça o seu próprio fertilizante.

A compostagem, processo de transformação de resíduos orgânicos em composto, já é feita em grande escala nalguns municípios. Mas qualquer um pode fazê-lo mesmo que não tenha um jardim ou um terreno, podendo aproveitar os compostores comunitários que algumas autarquias disponibilizam.

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Cascas de batatas, borras de café ou restos de pão (em pequenas quantidades) podem ser transformados em composto, um material orgânico com aspeto de terra, escuro, sem odor e com excelentes qualidades fertilizantes.

A compostagem doméstica é um processo simples de reciclagem de matéria orgânica, através do qual são depositados no compostor/pilha restos de comida e resíduos das hortas e jardins, que, por ação de microrganismos (bactérias, fungos e actinomicetes), transformam estes resíduos biodegradáveis, num fertilizante natural rico em nutrientes chamado composto.

O composto promove a melhoria das condições do solo em termos de estrutura, porosidade, fertilidade, capacidade de retenção da água, arejamento e atividade microbiana. É uma ótima alternativa aos fertilizantes químicos e permite reduzir a quantidade de resíduos que vão parar aos aterros ou incineradoras.

A qualidade final do composto irá depender do tipo de resíduos e da sua quantidade. Siga as nossas dicas.

Como fazer um compostor

Existem várias formas de fazer um compostor. Este recipiente pode ser um contentor plástico onde é efetuada a deposição de resíduos pela parte superior, ou então uma caixa feita de ripas de madeira com uma cobertura no topo. Mas antes de comprar um compostor ou de construir um, procure junto da sua câmara municipal ou entidade gestora de resíduos da sua região se não existe nenhum projeto onde o compostor lhe seja fornecido. São muitos os locais e as entidades que disponibilizam este material para que possa fazer compostagem.

Independentemente do tipo de compostor, é necessário que este esteja num local de fácil acesso, em cima da terra, para facilitar a drenagem da água e a entrada de microrganismos benéficos do solo na pilha de compostagem. Se vive num local de clima seco, com temperaturas mais elevadas, coloque-o debaixo de uma árvore, para que a sombra evite a secagem e o aquecimento excessivo do composto. Em locais onde a chuva é frequente, o compostor deverá ser coberto.

Se tiver jeito para a bricolage e quiser fazer o seu próprio compostor, deixamos algumas sugestões.

  • Necessita de uma armação de um material à escolha (tijolo, rede ou madeira). Pode usar, por exemplo, quatro paletes de madeira.
  • Para unir os elementos, pregue três das quatro paletes umas às outras, pelos cantos.
  • Na palete que sobra, aplique dobradiças para fazer uma porta. Esta será necessária para retirar o composto, depois de pronto.
  • Caso o local esteja muito exposto às intempéries, pode usar uma quinta palete para fazer uma tampa.

O que compostar? E o que não deve compostar?

Primeiro é necessário fazer uma divisão entre os tipos de resíduos que podem ser compostáveis. Existem duas tipologias de resíduos, os verdes e os castanhos, que podem ser compostados sem nenhuma limitação de quantidade. Os verdes, ricos em azoto e geralmente húmidos são perfeitos para compostar. Falamos de folhas verdes, ervas daninhas sem sementes, flores e plantas (desde que não tratadas com químicos), aparas de relva frescas, restos de vegetais crus e casca de frutas, borras de café, incluindo os filtros, folhas e saquetas de chá.

Os resíduos castanhos, ricos em carbono e secos também são adequados. É o caso das folhas secas, relva cortada seca, palha ou feno, resíduos de cortes e podas, aparas de madeira e serradura (desde que não tratada quimicamente), carumas, cascas de batata, casca de frutos secos e ramos finos.

Existem outros resíduos que podem ser compostados, mas para os quais é necessário especial atenção para não adicionar quantidade excessiva, uma vez que poderá comprometer o sucesso da compostagem: restos de pão, massas e arroz cozinhados, papel de cozinha usado e não contaminado.

Para que a compostagem ocorra como o esperado, é importante saber o que não pode mesmo colocar no compostor, nem em pequenas quantidades: restos de carne e peixe, ossos e espinhas, óleo e comidas gordurosas, laticínios (como queijo e manteiga), cascas e restos de ovos, cortiça, beatas de cigarros, fezes humanas ou de animais, fraldas, toalhitas, materiais não orgânicos, tintas, pilhas, cinzas, medicamentos, embalagens, troncos de árvores e todos os componentes que possam conter produtos químicos, como plantas tratadas com pesticidas.

Dicas práticas para a compostagem

A compostagem é um processo simples, mas exige cuidados para que se atinjam bons resultados.

  • No fundo do compostor devem ser colocados ramos grossos, de modo a facilitar a entrada de ar e impedir a compactação dos resíduos.
  • Antes de adicionar resíduos, é importante cortar sempre os resíduos a colocar no compostor em pequenos pedaços (3 a 7 cm), possibilitando a passagem de oxigénio e de água.
  • Comece por adicionar uma camada de 10 cm de resíduos castanhos no fundo do compostor, por cima dos ramos anteriormente adicionados.
  • Adicione uma mão cheia de terra ou composto pronto anteriormente, pois irá conter microrganismos suficientes para iniciar o processo de compostagem. No entanto, deve ter atenção para não adicionar terra em demasia, pois irá perder espaço útil para fazer composto.
  • Junte uma camada de resíduos verdes.
  • Adicione nova camada de resíduos castanhos.
  • Sempre que adicionar uma nova camada, a anterior deverá ser levemente humedecida.

Ao adicionar novas camadas de resíduos, lembre-se de o fazer por esta ordem até encher o compostor. É importante que a última camada de resíduos a adicionar sejam resíduos castanhos, de modo a evitar problemas de odores e a proliferação de insetos ou outros animais indesejados. Deve evitar colocar resíduos verdes no compostor sem serem cobertos com matéria seca.

Como controlar a temperatura e a humidade?

Como já vimos, é extremamente importante controlar a temperatura e a humidade. A temperatura é altamente influenciada pela atividade de microrganismos - é necessário mantê-la elevada de forma a assegurar a máxima atividade destes organismos. Caso não tenha um termómetro capaz de medir a temperatura das camadas, pode utilizar uma barra de ferro na pilha e esperar alguns minutos. Se, ao retirar a barra, esta estiver quente, então significa que o processo está a decorrer de forma adequada.

Relativamente à humidade, um dos testes mais simples e eficazes que pode fazer é o “teste da esponja”, que consiste em espremer com a mão um pouco do material que se encontra no interior do compostor: caso o material comece a pingar quando for espremido, então significa que tem humidade em excesso e é necessário juntar resíduos castanhos e revolver os materiais.

Caso a sua mão continue seca depois de espremer o material, então significa que é necessário juntar resíduos verdes, regar e revolver os materiais.

Caso esprema o material e fique apenas com a mão molhada, então a humidade é a correta.

Posso fazer compostagem num apartamento?

A compostagem de biorresíduos em apartamentos poderá não ser fácil ao nível logístico, e é necessário ter mais atenção às quantidades de resíduos colocados. Se existir mau odor, ele irá afetar mais do que nos casos em que o compostor se encontra fora da habitação. No entanto, pode fazer compostagem no seu apartamento.

Se não tiver espaço ou não quiser fazer compostagem no apartamento, mas mesmo assim gostaria de transformar os biorresíduos em composto com altos níveis de nutrientes, então poderá procurar compostores comunitários na sua área de residência. Existem já vários locais onde a compostagem comunitária é uma realidade: Porto, Espinho, Gondomar, Maia, Matosinhos, Lisboa e muitas outras cidades já disponibilizam esta alternativa.

Sou obrigado a licenciar a minha atividade de compostagem doméstica?

Não, no entanto deve ser seguida as regras gerais apresentadas pela Agência Portuguesa do Ambiente. Apesar de não ser necessário qualquer licenciamento da atividade, a compostagem doméstica é objeto de registo junto da entidade responsável pela gestão de resíduos urbanos do seu município. Este registo serve para que seja possível contabilizar os resíduos tratados por compostagem para efeitos de aferição do cumprimento das metas nacionais.

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