Dicas

As diferenças no prazo de validade dos alimentos

"Consumir de preferência antes de...", "consumir de preferência antes do fim de..." ou "consumir até..." têm significados diferentes. Saber distingui-los permite reduzir o desperdício alimentar. Apostar na impressão da data junto destas menções seria uma mais-valia.

 

  • Dossiê técnico
  • Sofia Mendonça
  • Texto
  • Rita Santos Ferreira, Sofia Frazoa e Alda Mota
13 outubro 2021
  • Dossiê técnico
  • Sofia Mendonça
  • Texto
  • Rita Santos Ferreira, Sofia Frazoa e Alda Mota
prazo de validade dos alimentos

iStock

Cerca de 10% do desperdício alimentar está relacionado com a marcação dos prazos de validade dos alimentos. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, em inglês), compreender o significado dos prazos de validade e, consequentemente, fazer um uso correto dos mesmos é uma forma de combater o desperdício alimentar. Em 2015, o desperdício alimentar foi responsável por 8% das emissões de gases com efeito de estufa. De acordo com a FAO, cada português desperdiça, em média, 97 quilos de alimentos, por ano. O seu papel enquanto consumidor é, assim, essencial. Esteja atento às condições de conservação dos alimentos e siga as indicações dadas no rótulo.

Seja um consumidor mais sustentável

O prazo de validade é um elemento importante de verificar em alguns alimentos. Porém, para que seja fiável, o produto deve ser conservado nas condições corretas, tanto na loja como em casa. Nas lojas, esteja atento à temperatura indicada nas arcas frigoríficas e congeladoras. Em casa, um termómetro ajudará a ter a certeza de que guarda os alimentos no local ideal. 

"Consumir de preferência antes..." vs. "consumir até..."

A lei determina que exista uma data de durabilidade mínima ou data-limite de consumo nos alimentos. Caberá ao produtor ou ao distribuidor estabelecer um processo para determinar os prazos de validade.

A data de durabilidade mínima deve incluir o dia, o mês e o ano, exceto para alimentos com durabilidade inferior a três meses (neste caso, apenas se deve referir o dia e o mês), para os que têm uma durabilidade entre três e 18 meses (o mês e o ano são suficientes) ou com uma durabilidade de mais de 18 meses (só deve constar o ano).

Antes da data deve vir a menção “consumir de preferência antes de…” quando o prazo inclui o dia e o mês, ou "consumir de preferência antes do fim de..." quando o prazo indica o mês e/ou o ano. É o caso dos bens alimentares menos perecíveis, como conservas, congelados, cereais, massa, chá, café, entre outros. Trata-se de um prazo máximo de garantia de qualidade, ou seja, se este for ultrapassado, e as condições de conservação forem respeitadas, não é necessário deitar fora os alimentos. Pode consumi-los com relativa segurança, tendo em atenção a textura, a cor, o sabor e o cheiro.

Quando os produtos têm indicado “consumir até”, significa que aquela é a data limite de consumo. Após o prazo indicado, o alimento é tido como não seguro, e o consumidor pode correr o risco de sofrer uma toxi-infeção alimentar se o ingerir. Esta menção aparece em produtos muito perecíveis como a carne, o peixe ou o leite (pasteurizado) e derivados.  

Alimentos sem validade obrigatória

Há uma série de alimentos em que o prazo de validade não é obrigatório. Uns por terem estados de conservação muito longos – o sal, o açúcar, o vinho ou o vinagre, por exemplo –, e outros por terem de ser consumidos nas 24 horas após o fabrico, como os produtos de pastelaria e padaria. A fruta e os legumes frescos não descascados ou cortados também não têm prazo de validade obrigatório.

Mesmo um alimento “acondicionado em atmosfera protetora” precisa de respeitar as condições de conservação habituais.

Exigimos mudanças na marcação dos prazos de validade 

No nosso estudo de 2020, 47% dos inquiridos afirmaram ter dificuldade em encontrar a data de validade nas embalagens. Exigimos, assim, que esta data esteja junto das expressões “consumir até” e “consumir de preferência antes de”, ou “... antes do fim de”. E, quando as encontravam, 54% garantiram ser difícil a sua leitura. Daí a importância de a visibilidade dos números ser valorizada, de modo que estes fiquem mais claros e percetíveis. Por lei, sempre que adequado, deve-se indicar as condições de conservação e/ou o prazo de consumo após a abertura da embalagem.

Assegure-se de que os prazos não são suscetíveis de serem falsificados (por exemplo, de que estão impressos diretamente na embalagem e não numa etiqueta colada) e lembre-se de que apenas são válidos enquanto a embalagem estiver fechada. Uma vez aberta, consuma o alimento rapidamente.

Alguns alimentos encontram-se com descontos por se aproximarem do fim do prazo de validade. Antes de acreditar que está a fazer um bom negócio, assegure-se de que consegue consumir tudo dentro do prazo.

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