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Árvore de Natal de plástico ou pinheiro natural?

Em casa

Especialistas

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Analisámos o impacto ambiental das duas opções mais comuns para a tradicional árvore de Natal. A árvore de plástico evita o abate das verdadeiras; mas, por outro lado, tem plástico e metal e é originária da China, o que significa maiores impactos ambientais... Já as reais implicam o abate de milhares de árvores na época das festas.

Qual a árvore de Natal mais sustentável? Natural ou artificial? Não há uma resposta preto no branco. É o que demonstra o resultado da análise ao ciclo de vida dos dois exemplos. Para fazer uma comparação mais justa, foram consideradas duas árvores da mesma dimensão, 2 metros de altura, mas com peso, naturalmente, diferente.

No caso da árvore artificial, considerámos a produção, da árvore e da embalagem, o seu transporte até Portugal e, depois, até ao local de venda e à casa do consumidor; e o fim de vida da árvore e da embalagem.

Quanto ao pinheiro natural, foram tidas em conta a germinação e todas as necessidades da árvore ao longo de 11 anos (o tempo considerado necessário até se desenvolver para a altura natalícia de 2 metros), o corte, a produção da embalagem, o transporte até ao local de venda e para casa, e o fim de vida da embalagem e da árvore.

Excluídos da nossa análise ficaram os impactos ambientais associados à iluminação da árvore, uma vez que se considerou que, tendo as árvores a mesma dimensão, teriam a mesma necessidade de iluminação. Também os impactos ambientais da construção de fábricas e máquinas foram excluídos.

Cem quilómetros até chegar à loja

A árvore artificial tem como país de origem a China e é relativamente simples no que diz respeito aos materiais utilizados. É constituída apenas por plástico, neste caso PVC, e por aço e pesa 7 kg. O cenário do estudo estabelecia que esta árvore seria embalada numa embalagem de cartão. Após estar produzida, considerou-se que chegaria até Portugal de barco e que em Portugal iria percorrer 100 km de camião entre o porto e o local onde será vendido. Além disso, o consumidor faria uma viagem de 10 km para ir buscar a árvore de Natal à loja.

A árvore natural, também com 2 metros de altura, teria um peso de 15 kg. Foi plantada em Portugal e, depois de ser cortada, seria transportada de camião por uma distância de 100 km até chegar à loja onde seria vendida. Considerou-se que consumidor a iria recolher a uma distância de carro de 10 km.

E a árvore mais sustentável é... depende

Analisadas diversas variáveis de impactos ambientais, tais como o grau de contribuição de ambas para o aquecimento global, impacto sobre a saúde humana, ecotoxicidade terrestre e na água, uso do solo e consumo de água, entre outras, os resultados podem resumir-se muito facilmente: a árvore de plástico tem muito mais impacto em todas as vertentes estudadas, à exceção da categoria de uso do solo. O que é natural, tendo em conta que não é plantada, como a sua congénere natural.

Mas há uma pequena surpresa: existem impactos ambientais na categoria de potencial de aquecimento global para a árvore de Natal natural. Pode parecer curioso, mas o fenómeno tem que ver com as emissões associadas à manutenção da árvore (corte da relva, fertilizantes e pesticidas que possam ser utilizados), e ao seu abate, transporte e embalagem. De salientar que o dióxido de carbono que a árvore absorve durante a sua vida acaba por ser libertado quando a árvore chega ao seu fim de vida.

Já no caso da árvore de plástico, os processos de produção do plástico acabam por significar um maior impacto ambiental. Relativamente ao transporte, o barco da China até Portugal não apresenta impactos ambientais muito relevantes, uma vez que apenas são considerados os impactos associados ao transporte de 7,5 kg (árvore mais embalagem de cartão).

O estudo centrou o cálculo em 18 categorias de impacto ambiental, que foram agregadas em três categorias que, em conjunto, dão origem a um único valor. Naturalmente, quanto mais alto for este valor, mais alto será o impacto ambiental.

Considerando então esta unidade de medida, a conclusão é que a árvore de plástico tem mais impacto ambiental que uma árvore de Natal natural. É, mais concretamente, quase sete vezes superior ao impacto ambiental da árvore de Natal natural, o que significa que a árvore artificial terá de ser utilizada durante, pelo menos, sete períodos natalícios para que os impactos ambientais que tem a mais sejam compensados.

Por isso, não há uma escolha certa ou errada: tudo depende do perfil do consumidor. Se optar pela árvore de plástico e a usar, pelo menos, sete Natais seguidos, terá compensado o que ela custou ao ambiente. Quanto mais anos utilizar a árvore de Natal artificial, melhor será para o ambiente. Mantenha-a pelo máximo tempo possível.

Dicas para adeptos das árvores de plástico

Se for essa a opção, há algumas dicas adicionais para ter em conta, se quiser ter uma árvore de Natal mais sustentável. Deve assegurar que compra uma árvore para o futuro.

  • Evite versões de árvores artificiais que tenham cores diferentes do verde habitual e que possam fazer com que se canse rapidamente. Árvores douradas, vermelhas ou brancas podem parecer boa ideia para um ano, mas é mais provável que a troque antes de se estragar.

  • Compre uma árvore de Natal que tenha dimensões adequadas para a divisão onde irá estar. Árvores excessivamente grandes podem causar alguma frustração por reduzirem o espaço útil da divisão e árvores muito pequenas podem fazer com que a troca por outra árvore aconteça mais cedo.

  • A árvore artificial deve ser resistente e robusta o suficiente para durar tantos anos quantos aqueles que o consumidor desejar. Evite, portanto, árvores de Natal que sejam mais frágeis ou cujo aspeto não lhe inspire muita confiança.

Dicas para adeptos das árvores naturais

  • Certifique-se de que a origem da árvore é sustentável e que esta não provém de práticas de desflorestação.

  • Não compre árvores que sejam originárias de fora de Portugal.

  • Se tiver um terreno grande, compre uma árvore em vaso e depois da época natalícia plante a árvore no terreno.

  • Compre árvores que tenham sido cortadas para manter o terreno limpo e prevenir incêndios. O Pinheiro Bombeiro, iniciativa que decorre em regra todos os anos, permite que o consumidor compre a sua árvore de Natal (parte do valor reverte para os bombeiros) e que, depois do fim da época natalícia, devolva, para que seja transformada em biomassa, ou seja, para que seja produzida energia. Esta será a alternativa mais sustentável.

O que fazer no fim de vida da árvore?

Independentemente do tipo de árvore de Natal escolhido, é importante perceber que a árvore irá, mais cedo ou mais tarde, chegar ao fim de vida. Quando isso acontecer, importa saber o que deverá fazer e onde deve colocar a árvore.

Pinheiro de Natal

Quando desmontar o pinheiro de Natal, pode dar várias soluções à árvore. Caso tenha um terreno e o pinheiro esteja num vaso, pode plantá-lo. Caso não tenha vaso, então pode aproveitar a madeira como biomassa e colocá-la na lareira ou, caso não tenha lareira, pode entregar num ecocentro.

Árvore artificial

Caso ainda esteja em boas condições, pode tentar vendê-la no mercado de segunda mão. Se não for possível ou não tiver esse interesse, procure doar a familiares, amigos ou a instituições de caridade que recebam este tipo de produtos. Por outro lado, caso a árvore já não se encontre em boas condições, deverá ser colocada no lixo indiferenciado. Apesar de ser em plástico e metal, dois materiais recicláveis, a verdade é que não é uma embalagem e, como tal, não pode ser colocada no ecoponto.

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