Notícias

Vale a pena manter um frigorífico de 20 anos?

A análise de ciclo de vida de um eletrodoméstico avalia o seu impacto ambiental desde a extração das matérias-primas para o produzir até ao destino no seu fim de vida. Manter um frigorífico antigo será melhor para o ambiente e para a sua carteira?   

24 fevereiro 2022
frigorifico

iStock

O que é mais sustentável? Manter um frigorífico em casa mais de 20 anos ou optar por trocá-lo mais cedo por um com tecnologia mais recente? A resposta é fácil: o primeiro tem uma eficiência energética menor do que os mais recentes. A tecnologia, felizmente, evolui e permite poupar um pouco mais o planeta e o bolso dos consumidores. Por isso, manter um frigorífico em casa durante duas décadas pode não ser a opção mais sustentável.

Esta é uma das conclusões do nosso estudo de avaliação dos impactos ambientais ao longo do ciclo de vida de vários produtos, que realizámos com as organizações nossas congéneres de Espanha, Itália, Bélgica, Reino Unido, Países Baixos, França e Dinamarca. Começámos pelos frigoríficos, e vamos embarcar numa viagem por outros produtos necessários para o dia-a-dia dos consumidores, como telemóveis e máquinas de lavar roupa, entre outros.

Conheça o nosso Portal Mais Sustentabilidade

No nosso teste, utilizámos os estudos feitos pela Euroconsumers sobre a durabilidade média destes equipamentos na casa dos consumidores, e fizemos as contas. Ora, os portugueses mantêm o seu frigorífico, em média, 16 anos e cinco meses. Mas para fazermos a nossa comparação, nem é preciso selecionar um frigorífico tão antigo.

Escolhemos um frigorífico de 2013 que não era um topo de gama, mas que tinha uma eficiência energética boa (classe A) e outro de 2019 com muito boa eficiência energética (Classe A+++). A diferença é avassaladora: o primeiro tem um consumo médio anual de 429,24 kw/h e o segundo de 124,10 kw/h. A diferença é de 305,14 kw/h num ano.

E como se traduz isso em dinheiro poupado para o consumidor que comprar um frigorífico mais recente? Em 66,24 euros por ano. Pode parecer pouco, mas se os multiplicarmos pelos 16 anos do tempo médio que este eletrodoméstico é mantido por cada português, são mais de mil euros poupados. Este resultado traduz uma diferença de 93,19 euros anuais gastos na fatura da luz com o frigorífico antigo versus os 26,94 euros do modelo novo. Ou seja, se escolher um aparelho eficiente, em vez de manter outro, antigo, de classe A, poupa cerca de 70% de energia.

Em termos de emissões de CO2 equivalente, a unidade usada para medir o potencial de aquecimento global (um dos impactos considerados no nosso estudo), isso permitiria poupar o que sete árvores conseguem absorver durante um ano. Ou 119 árvores, contando os pouco mais de 16 anos de tempo médio de vida útil deste nosso frio companheiro.

O impacto maior do frigorífico está na utilização

Analisámos o impacto ambiental destes aparelhos desde o momento em que são extraídas as matérias-primas necessárias para os produzir até ao destino que terão no seu fim de vida (incineração, aterro ou reciclagem). Além disso, procurámos saber em que fase — produção, transporte, uso ou fim de vida — esses impactos são maiores.

No caso destes produtos essenciais para a conservação dos alimentos, o impacto maior está, de longe, no período de utilização. Portanto, a maior pressão ambiental é exercida pela energia elétrica que consomem.

A seguir à utilização, responsável pelos impactos ambientais mais significativos (quase 90%), segue-se a produção, com um impacto de 14 por cento. O transporte, seja o frigorífico proveniente da Europa ou de outra parte do mundo, não tem uma importância muito significativa (menos de 1% do impacto total). A boa notícia é que o impacto deles em fim de vida é negativo. É simples de explicar: uma vez que acabam a sua função e são transportados para fora das nossas casas, têm peças com valor económico e que, na reciclagem, são retiradas para produzir novos produtos, o que leva a um benefício ambiental. 

Mais eficientes e de vida mais longa

Já sabemos qual é a durabilidade média de um frigorífico em Portugal, e que deverá optar por um exemplar mais eficiente no consumo. Mas qual será o período de tempo mínimo para ter um aparelho destes em casa e causar o menor impacto ambiental possível? Quantos anos terá de o manter até compensar os impactos ambientais associados à extração de matéria-prima e produção do equipamento face aos impactos da utilização? Cerca de quatro anos é o mínimo necessário.

Isso quer dizer que devemos mudar a cada quatro anos? Naturalmente que não. Não existe uma data específica em que cada frigorífico deva ser trocado e irá depender de caso para caso. O que não vale a pena é ficar agarrado à ideia de que manter o seu frigorífico com 20 anos é bom para a sua carteira e para o ambiente. No entanto, economicamente e ambientalmente também não faz sentido mudar de frigorífico com uma grande frequência.

Escolha-o bem na hora de comprar e mantenha-o até que existam soluções no mercado com uma tecnologia muito mais eficiente. Até porque, como o frigorífico está sempre ligado e a consumir energia, convém que compre o mais adequado para as necessidades, de modo a que não seja obrigado a trocá-lo ao fim de poucos anos. Mesmo que tenha de escolher um mais caro, ao longo da vida do produto esse investimento será facilmente recuperado. No entanto, analise bem caso a caso: mais caro não significa mais eficiente. O nosso comparador online pode ser uma ajuda preciosa.

Compare resultados do teste a frigoríficos

É nosso subscritor e precisa de esclarecimentos personalizados? Contacte o nosso serviço de assinaturas. Relembramos ainda que pode aceder a todos os conteúdos reservados do site: basta entrar na sua conta

Se ainda não é subscritor, conheça as vantagens da assinatura.

Subscrever

 

O conteúdo deste artigo pode ser reproduzido para fins não-comerciais com o consentimento expresso da DECO PROTESTE, com indicação da fonte e ligação para esta página. Ver Termos e Condições.