S&P reduz rating de Portugal a lixo

Data da publicação: 18/01/2012

O ministro dos negócios estrangeiros alemão propôs a criação de uma agência de rating europeia para quebrar o monopólio das agências anglo-americanas.

Corte da Standard & Poor's

Após uma semana de alguma acalmia na crise da dívida soberana da zona euro, inclusive com uma descida das taxas das dívidas espanhola e italiana, a agencia de notação de rating  americana Standard & Poor’s veio colocar no tapete a classificação de nove países da zona euro. Entre as grandes economias da região, salvou-se apenas a Alemanha, que mantém a sua notação máxima de AAA e que por enquanto continua assim a beneficiar da contínua degradação da dívida dos outros países da moeda única.

Com efeito, os investidores que pretendam aplicar em dívida soberana de países europeus com nota máxima, têm uma escolha cada vez mais apertada. Além da Alemanha, sobram apenas algumas pequenas economias que mantiveram nota máxima (Holanda, Finlândia e Luxemburgo). Coincidência, ou não, já há quem pague um “seguro” de refúgio para colocar o seu dinheiro em obrigações alemãs com rendimentos nega-tivos a seis meses.

Do lado dos perdedores, estão os restantes países da zona euro. A começar pela França, que perdeu a nota máxima. Passando pela Espanha e Itália, que têm sido apontados como próximos alvos de uma eventual intervenção muito difícil. Acabando pela maior gravidade para os países que já estão sob intervenção da troika: Grécia, Irlanda e Portugal.

Para a dívida pública portuguesa, a nota desceu dois níveis, tendo-lhe sido atribuída a notação de BB, a qual é conotada como especulativa ou “lixo”. Essa notação deixa desde logo antever como ainda mais difícil e mais longínquo o tão necessário regresso ao mercado para financiar a emissão de dívida a longo prazo.

 

Efeitos negativos imediatos

Porém, os efeitos negativos podem ser mais imediatos, já que com uma eventual descida do rating do Fundo Europeu de Estabilização Financeira, através do qual se processa o financiamento da ajuda da troika a Portugal, poderá agravar os juros desse mesmo financiamento. Por outro lado, nos mercados cambiais, o Euro desceu para níveis mínimos dos últimos meses penalizado pela letargia dos dirigentes europeus na procura de uma solução para a crise da dívida europeia.

Segundo a Agência Lusa, o ministro dos negócios estrangeiros alemão, Guido Westerwelle, propôs a criação de uma agência de rating europeia para quebrar o monopólio das agências anglo-americanas. Na opinião de Westerwelle, poderia ser criada com base no modelo das associações de defesa do consumidor, como a DECO, em Portugal, ou a Stiftung Warentest, na Alemanha.

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