Reino Unido
Até agora longe dos principais receios, começa a preocupar
investidores
Desde o início do ano, a atenção dos investidores centra-se nos problemas orçamentais dos países do sul da Europa, nomeadamente da Grécia. Até agora afastado desses receios, outro país europeu começa a preocupar os investidores: o Reino Unido.
No mesmo barco
Com um défice público superior a 10% do PIB em 2010 e com a dívida a aproximar-se da fasquia simbólica de 100% do PIB, a situação das contas públicas britânicas até pode ser pior do que na Grécia.
Face ao PIB oficial, os rácios orçamentais não consideram a economia “paralela”, estimada em mais de 20% na Grécia, mas apenas 10% no Reino Unido. Deste modo, se a Grécia tem um elevado potencial para obter mais receitas fiscais trazendo para a legalidade mais actividades económicas, as autoridades britânicas têm pouca margem de manobra para aumentar a base fiscal.
A par do endividamento público é preciso considerar as dívidas do sector privado para avaliar a situação financeira de um país. Se considerámos a dívida do Estado, das famílias e das empresas trata-se mesmo das mais elevadas do mundo.
Por outro lado, além da situação actual, a dívida pública deve ser vista à luz do crescimento futuro, porque um aumento da actividade gera automaticamente mais receitas fiscais. E também a este nível, o Reino Unido está em dificuldades. Os dois pilares da economia britânica eram os sectores financeiro e imobiliário, ou seja, os mais atingidos pela crise. Logo, é de esperar um fraco crescimento nos próximos anos
Privilégio justificado?
O Reino Unido parece beneficiar de uma respeitabilidade exagerada e ainda usufrui da notação máxima de AAA, enquanto a notação da Grécia continua a cair. Contudo, os sinais de tempestade multiplicam-se.
As agências de notação continuam a emitir avisos sobre o estado das finanças públicas e a redução da notação do Reino Unido é uma questão de tempo. Todas as semanas, gestores de fundos apontam o dedo ao estado do Reino Unido. Alguns prevêem mesmo uma queda abrupta da libra esterlina e do mercado obrigacionista britânico.
Infelizmente, 2010 é um ano de eleições e o governo, que está a perder nas sondagens, está com dificuldades para conseguir definir uma estratégia de saída da crise.
Assim, são as autoridades monetárias que se mostram mais activas. Em 2009, para fornecer liquidez ao mercado financeiro, o Banco de Inglaterra pôs em prática um plano de compra de activos de 200 mil milhões de libras. Deste modo, a maior parte dos 225 mil milhões emitidos pelo Estado foram subscritos pelo Banco de Inglaterra.
De acordo com algumas estimativas, esta medida permitiu manter as taxas 1% abaixo do valor que seria de esperar., o que facilitou o financiamento das contas públicas. Porém, actualmente, com o evoluir da situação, as crescentes necessidades de financiamento do governo e as dúvidas sobre o volume da dívida, as taxas de juro britânicas já começaram a subir.
Banco de Inglaterra
Após ter aumentado regularmente o montante do programa de compras em 2009, o Banco de Inglaterra anunciou uma pausa a 4 de Fevereiro. As autoridades monetárias, no entanto, deixaram a porta aberta para uma extensão desse programa em caso de necessidade.
Contudo, não esperavam que apenas um mês depois, a questão voltasse à ordem do dia. As expectativas sobre a subida das taxas inglesas, semelhantes às que atingem a Itália ou a Espanha, relembram que o dilema não é fácil. Ao querer conter o preço do dinheiro, o Banco de Inglaterra está num impasse.
Para evitar sufocar a débil retoma da economia, terá de prosseguir o programa de compra de dívida pública. Mas acaba por se “afundar” cada vez mais nessa estratégia irreversível de criação de moeda. Está condenado a injectar liquidez que não relança o crédito nem a actividade económica, mas que serve unicamente para financiar o défice público.
Seja qual for a atitude, a libra sairá sempre a perder. Ao aumentar a massa monetária para limitar a subida dos juros, a compra de activos fragiliza a divisa inglesa que já perdeu 30% face ao euro desde o máximo em Janeiro de 2007. Mas deixar subir os juros também penalizará a libra que será atingida pelo mau desempenho económico e a dívida galopante.
Investimentos
Devido às preocupações com a libra, não se deve expor demasiado ao mercado obrigacionista.
No que diz respeito à Bolsa de Londres (que está barata), pode dedicar uma parte mais importante da carteira, dado que a maioria das empresas cotadas são multinacionais e não estão demasiado dependentes do crescimento específico do Reino Unido.




