Reflexões do caso Madoff
Rescaldo sobre a “fraude de pirâmide” que atingiu sobretudo grandes investidores
O caso Madoff foi uma “fraude de pirâmide” no mercado financeiro a nível mundial, que atingiu sobretudo grandes investidores, incluindo muitos bancos. É a altura de fazer um pequeno rescaldo.
Cadeia de Ponzi
A fraude de Bernard Madoff (antigo director-geral da Bolsa Nasdaq) baseou-se na “cadeia de Ponzi” ou “fórmula de pirâmide”. À luz deste esquema, o Sr. Madoff limitava-se a pagar juros com os capitais dos últimos investidores a entrar, usurpando grande parte dos capitais. Esta fraude durou cerca de 20 anos e provocou um buraco de 50 mil milhões de euros (quase um terço do PIB de Portugal) no sistema financeiro mundial.
Em Portugal, a exposição ronda os 100 milhões de euros. A grande maioria nas mãos de fortes investidores privados, cujas fortunas são geridas por profissionais. Trata-se de um caso que demonstra os excessos verificados na economia financeira, agravado pelo facto dos mais “enganados” terem sido pessoas com forte experiência nos mercados (gestores de patrimónios e de fundos).
Em Espanha, o Santander foi pioneiro ao anunciar que irá ressarcir os clientes da banca privada que adquiriram participações num fundo exposto à fraude Madoff, mediante a troca por obrigações do banco.
Teoria do “Greater Fool”
Um pouco à imagem das fraudes piramidais, as bolhas bolsistas são uma tendência exagerada e a confiança que alguém irá comprar a um preço mais alto, mesmo sem justificação (embora com um activo de suporte). É a teoria do “Greater Fool” que diz que os investidores, por vezes, compram activos (no caso, acções) no pressuposto que haverá alguém “mais louco” que suportará o seu valor.
Expressões como “não perder o momento de subida” são utilizadas nestas alturas. Este sistema dura até que um acontecimento derrube a confiança no mesmo. Uma recessão económica, pode, por exemplo, conduzir a uma retirada massiva do mercado. Um crash é então inevitável. Na crise do subprime aconteceu exactamente isto.
Regras fundamentais para evitar surpresas
A lógica perigosa que, muitas vezes, se impõe no mercado bolsista leva a excessos que conduzem a fortes rupturas, por vezes, também excessivas. Assim, não deverá necessariamente comprar apenas porque os mercados estão a subir, nem vender só porque as Bolsas estão em queda. Considere os fundamentais das empresas e não invista dinheiro que possa necessitar a curto e médio prazo.
Como proceder se foi lesado?
· Caso tenha investido directamente em produtos da Bernard L. Madoff Investment Securities LLC deverá preencher um formulário de queixa e enviá-lo para o liquidatário deste caso até 4 de Março para se candidatar aos fundos no âmbito do US Securities Investor Protection Act. Se o fizer entre 4 de Março e 2 de Julho poderá ter menos protecção. Se o fizer após 2 de Julho, a sua queixa não será considerada.
Em todo o caso, este sistema de protecção americano não irá reembolsar mais do que 500 000 dólares por investidor. Poderá encontrar o formulário de queixas em www.sipc.org, que deverá endereçar para:
Irving H. Picard, Esq
Trustee for Bernard L. Madoff Investment Securities LLC
Claims Processing Center
2100 McKinney Ave., Suite 800
Dallas, TX 75201
Para obter mais informações sobre este caso, consulte a CMVM (www.cmvm.pt) ou o liquidatário (www.madofftrustee.com).
· Caso desconfie que um fundo de investimento que contratou estava exposto a produtos da Bernard L. Madoff Investment Securities LLC, poderá contactar a sociedade gestora para o informar das diligências que está a fazer para ser ressarcida das perdas. De resto, como a compra é feita pelos fundos, terão de ser os responsáveis destes a encaminhar o processo. Se não ficar satisfeito, pode sempre fazer queixa junto da CMVM.




