Questões dos Leitores - Depósitos

As respostas dos nossos especialistas às questões colocadas pelos leitores.


Menos do que aparenta

Na maioria dos depósitos a prazo, a taxa de juro anunciada pelo banco incide sobre a totalidade do dinheiro investido. Se, por exemplo, depositar 10 mil euros por um prazo de 12 meses e taxa for de 4%, recebe 400 euros de juros no final do prazo.

 

10 000 × 0,04 = 400

 

Mas quando os depósitos remuneram o cliente por escalão significa que o dinheiro investido irá usufruir de taxas de juro diferentes. Suponhamos as seguintes taxas de juro para um hipotético depósito a 12 meses:

 

Ficha do depósito “Alfa”
Escalões
TANB (%)
TANL (%)
Até 25 000 euros
3,50
2,625
Entre 25 001 e 40 000 euros
4,00
3,00
Entre 40 001 e 60 000 euros
6,00
4,50

TANB: taxa anual nominal bruta; TANL: taxa anual nominal líquida, e que equi-vale à TANL menos o imposto retido à taxa de 25%.

 

Neste exemplo, um cliente que deposite 45 mil euros terá o seu dinheiro remunerado a três taxas diferentes. Os “primeiros” 25 mil euros beneficiam de um juro bruto de 3,5%. Os “seguintes” 15 mil euros (até aos 40 mil) rendem 4%. Por fim, os restantes 5 mil euros (acima de 40 mil) conseguem um juro de 6%. O juro bruto total será de 1775 euros:

 

25 000 × 0,035 = 875
15 000 × 0,040 = 600
  5 000 × 0,060 = 300

 

E a taxa anual nominal bruta (TANB) auferida pela totalidade do depósito não é 6% mas sim de:

 

 1 775 ÷ 45 000 = 3,94%

 

Esteja atento

Este exemplo ilustra bem que o ganho do investidor fica muito aquém da taxa de 6% anunciada para o escalão máximo, apesar do montante depositado ser superior a 40 mil euros.


Para evitar surpresas deve ler atentamente a ficha de informação normalizada do depósito. Confira, na parte que detalha a remuneração, se o depósito tem ou não taxas para diferentes escalões.


Não confie apenas nas condições do depósito que sejam fornecidas verbalmente. Por vezes, o próprio funcionário do banco pode não conhecer bem as características do produto ou ter tendência apenas para mostrar o seu lado positivo. Investidor prevenido, vale por dois.

Ao comparar os depósitos a prazo, o leitor Miguel Coelho, de Albufeira, verificou que, à exceção do Banco Finantia e do Banco Invest, as melhores taxas rondam os 4,5 por cento. Por sua vez, em Espanha, encontrou taxas de juro acima dos 5% e o imposto é de apenas 21 por cento. Quais são as vantagens e desvantagens de subscrever um depósito em Espanha?

  

Em termos fiscais, como residente em Portugal, os rendimentos obtidos no estrangeiro estão sujeitos a tributação pelo Estado português. Assim, terá de indicar no anexo J da declaração de IRS os juros pagos por depósitos subscritos no estrangeiro, a par da tributação aplicada no país em causa, que será considerada pelo fisco. Feitas as contas, não irá pagar menos imposto.


Ao aplicar o capital em Espanha, usufrui de uma proteção semelhante à proporcionada pelo Fundo de Garantia de Depósitos português. Assim, dos 2 lados da fronteira, em caso de falência da instituição bancária, está garantido o reembolso de todos os depósitos até um valor máximo de 100 mil euros por investidor.


Mas se conseguir obter taxas mais favoráveis em bancos espanhóis, deve aproveitá-las. Tenha o cuidado de verificar junto do Banco de Espanha se a entidade está devidamente autorizada a receber depósitos. Pode consultar mais informação junto do portal financeiro da nossa congénere espanhola OCU. Em alternativa, pode sempre tentar negociar a taxa de juro junto do seu banco. No teste prático que realizámos em outubro, verificámos que pode render até sete vezes mais.

 

Taxas em vigor a 20 de abril de 2012 

 

Depende do objetivo da sua poupança, liquidez pretendida e risco que está disposto a correr. Mas, assumindo que pretende um produto com elevada liquidez e sem risco, ou seja, um depósito, consegue encontrar melhores taxas de juro noutros bancos além dos que refere.

 

A seguir, apresentamos as melhores propostas para alguns desses prazos. No entanto, alertamos o leitor para a taxa de inflação esperada para este ano (3,2% segundo o Banco de Portugal). Assim, apenas as primeiras 3 propostas oferecem remuneração líquida igual ou superior à inflação esperada para este ano.

 

  • PrivatBank: 5,3% bruta a 3 anos
  • Banco Invest: 4,75% bruta a 2 anos
  • Banco Big: 4,25% bruta a 3 anos
  • CGD: 4,2% bruta média, com o Depósito Crescente Mais a 3 anos
  • Banif: 4,1% bruta no Depósito Crescente a 2 anos
  • BES: 4% bruta na Conta Rendimento CR a 3 anos

 

Outra solução, caso não necessite do capital nos próximos cinco anos, será investir em Certificados do Tesouro (TANL de 5,1% para prazos de investimento de 5 a 9 anos). Faça as contas no nosso simulador.


 

 

Taxas em vigor a 16 de março de 2012

Uma conta bancária pode ser singular, quando pertence a uma pessoa, ou coletiva, quando é de mais do que uma pessoa. Se for coletiva, há três alternativas para movimentar o dinheiro:

 

  • Contas conjuntas - para movimentar o dinheiro (levantamentos, cheques, etc.) é preciso que todos os titulares assinem;
  • Contas solidárias - basta a assinatura de um dos titulares para autorizar as movimentações;
  • Modalidade mista - são necessárias as assinaturas de alguns dos titulares, por exemplo, em que fica estabelecido que numa conta com três titulares são precisas as assinaturas de dois para mexer nos valores.

 

A forma mais prática e, geralmente, utilizada é a forma de conta solidária. No entanto, esta opção não está isenta de riscos. Além de casos de burlas sem remédio, pode sempre acontecer que um dos titulares, desconhecendo as movimentações do outro, passe um cheque sem cobertura. Assim, pela grande facilidade de efetuar pagamentos, há que ter algum cuidado na "gestão" da conta.

A expressão "data-valor" pode ter dois significados diferentes, caso diga respeito a um depósito ou a um levantamento.

 

  • Depósito - data a partir da qual o dinheiro começa a render juros. Normalmente, estes só começam a contar um dia útil após ter realizado o depósito. A data-valor não coincide com esta última data.
  • Levantamento - dia a partir do qual se deixa de receber juro. O dia em que levanta o seu dinheiro não é contabilizado para o cálculo de juros. Aqui, a data-valor corresponde ao dia do levantamento.

A taxa anunciada pelos bancos é, em regra, a taxa anual nominal bruta. Anual, por ser definida tendo em conta o período de um ano. Nominal, porque não tem em conta o período efetivo da aplicação. Bruta, porque ainda não foram retirados os impostos (o IRS).

 

Os juros dos depósitos a prazo são tributados à taxa de 25% de IRS. Como este imposto é imediatamente descontado aos juros que tem a receber, o que lhe interessa saber são as taxas líquidas praticadas pelos vários bancos.

 

Duas chamadas de atenção: os juros podem ou não ser capitalizados, embora na maioria dos casos os juros sejam acrescentados ao capital, de modo que os juros são calculados sobre um montante mais elevado. Como grande parte dos depósitos são por prazos inferiores a um ano, existe a possibilidade de reinvestir os juros recebidos. Se aplicar sucessivamente, durante um ano, o capital inicial mais os juros mensais, a rentabilidade que obtém é equivalente à taxa anual efetiva líquida (TAEL).

 

Se, pelo contrário, for renovando o seu depósito apenas com o montante inicial, isto é, sem reinvestir os juros, a sua remuneração corresponde à taxa anual nominal líquida (TANL). Esta taxa deriva diretamente da taxa anunciada pelos bancos, para tal, basta retirar os 25% de imposto à taxa nominal bruta. Como os juros vão rendendo dinheiro, a TAEL é sempre superior à TANL, com exceção das aplicações a um ano em que, logicamente, a taxa nominal coincide com a efetiva.