Comunicados de imprensa

Poupança Acções analisou o Governo das Sociedades de 444 empresas 16/05/2007

POUPANÇA ACÇÕES ANALISOU O GOVERNO DAS SOCIEDADES DE 444 EMPRESAS COTADAS
Ainda há muito a fazer em matéria dos direitos dos accionistas

A POUPANÇA ACÇÕES, boletim financeiro da DECO PROTESTE, em conjunto com as associações europeias de consumidores da Euroconsumers (Portugal, Espanha, Itália e Bélgica) elaborou um estudo sobre o Governo das Sociedades abrangendo 444 empresas cotadas, nacionais e estrangeiras. O conceito de “bom governo” engloba a forma de gerir as empresas, de modo a que se possa controlar aqueles que tomam as decisões mais importantes e proteger os interesses dos accionistas minoritários. Assim, com base num questionário enviado às empresas, complementado pelos relatórios anuais, estatutos e actas das Assembleias-Gerais, avaliámos as empresas à luz dos grandes pilares do Governo das Sociedades: os direitos dos accionistas, o funcionamento do Conselho de Administração e a transparência.

Os resultados não foram brilhantes, com a maioria das empresas a obter classificações medianas. A nota média foi 5,4 pontos, num máximo de 10 valores! No caso das empresas nacionais, o resultado médio atingiu somente os 5 pontos. O funcionamento do Conselho de Administração é onde as empresas nacionais têm piores resultados (em média, apenas 2,9 pontos), o que se deve, sobretudo à reduzida presença de membros independentes nos órgãos da empresa. Já no que concerne aos direitos dos accionistas, conseguem superar a média global, 6,6 contra 5,2 pontos, fruto das exigências legais em vigor neste âmbito em Portugal. Em termos individuais, destacaram-se pela positiva a Cimpor, o BES e a Jerónimo Martins que ficaram no top 100 das empresas abrangidas pelo estudo. Ao invés, empresas como a EDP e a Portugal Telecom encontram-se no fim da tabela prejudicadas pela existência de direitos especiais do Estado português.

Perante os resultados pouco animadores do estudo da POUPANÇA ACÇÕES e o imperativo de um melhor Governo das Sociedades para a protecção dos pequenos investidores, torna-se imprescindível reforçar as obrigações das empresas. Apesar do Governo das Sociedades estar longe de ser o único critério de avaliação de uma acção, as empresas que respeitam as suas regras são frequentemente mais rentáveis e a sua cotação em Bolsa é menos volátil. A POUPANÇA ACÇÕES sempre alertou para as lacunas do Governo das Sociedades e, apesar deste ter evoluído de forma positiva nos últimos anos, ainda há muita margem de progressão. Assim, a POUPANÇA ACÇÕES avança com 9 PROPOSTAS.

Todos os detalhes do estudo em www.poupanca.proteste.pt

 9 Propostas da DECO PROTESTE
para um bom Governo das empresas cotadas

  • O princípio de uma acção um voto deve ser sempre respeitado. Assim, devem ser eliminadas as Golden Shares e quaisquer limitações aos direitos de voto. Além disso, os estatutos da sociedade devem poder ser modificados por vontade dos accionistas sem requerer maiorias qualificadas especiais.
  • O Conselho de Administração deverá ser composto maioritariamente por membros independentes, não associados a nenhum grupo de interesses específicos na empresa. Por seu turno, as comissões de auditoria e de remunerações devem ser constituídas apenas por elementos independentes.
  • A remuneração do Conselho de Administração e dos principais dirigentes deverá ser aprovada em Assembleia-Geral e ser do conhecimento dos accionistas em termos individualizados e com discriminação das componentes fixa e variáveis.
  • O presidente da Comissão Executiva e o presidente do Conselho de Administração devem ser pessoas distintas.
  • O cargo de presidente da Comissão Executiva deverá ser objecto de um limite de idade e/ou de permanência.
  • Os auditores e as empresas de auditoria responsáveis pelas contas devem ser alterados periodicamente, e proibidos de prestar outros serviços, para evitar conflitos de interesses.
  • As despesas confidenciais devem ser eliminadas para promover a transparência das contas.
  • A participação nas Assembleias-Gerais deve ser gerida através da adopção de um sistema de Record Date (1) , em vez do bloqueio de acções, para evitar a perda de liquidez em Bolsa dos títulos nas sessões anteriores às Assembleias-Gerais e promover a participação dos accionistas.
  • Os accionistas deverão poder expressar o seu direito de voto através da votação à distância, por correio e via Internet.

(1) Record date : sistema em que se define uma data de registo dos accionistas titulares das respectivas acções para lhes conferir diversos direitos, como o dividendo, independentemente de, na data do usufruto do direito, o accionista ainda ter, ou não, as suas acções.

Anexo I  
PORTUGAL: MUITO POR FAZER!

AS 10 MELHORES

Empresa

(1)

(2)

(3)

(4)

Metro AG

9,3

9,1

9,3

9,3

Sacyr Vallh.

8,7

10

9,3

9,3

Indra Syst.

8,7

9,1

9,3

9,0

Vodafone

8,0

10

8,4

8,7

Intel

8,7

10

7,6

8,7

Umicore

8,0

8,2

8,6

8,3

Software AG

9,3

7,3

7,5

8,2

BT Group

8,0

8,2

8,4

8,2

Vedior

8,0

7,3

9,1

8,2

Texas Inst.

8,0

9,1

7,6

8,2

(1) Direitos dos accionistas; (2) Funcionamento do Conselho de Administração; (3) Transparência;
(4) Pontuação final = 37,5% x Critério 1 + 27,5% x Critério 2 + 35% x Critério 3

AS 10 PIORES

Empresa

(1)

(2)

(3)

(4)

Pernod Ricard

1,3

0,9

4,1

2,2

Ses Global

-0,7

3,6

4,1

2,2

UCB

-0,7

4,5

2,7

2,0

Casino

1,3

1,8

2,8

2,0

LVMH

2,0

1,8

2,0

2,0

Swatch

-1,3

5,5

1,9

1,7

Mabuchi

0,0

2,7

2,4

1,6

Porsche

-0,7

2,7

2,4

1,4

Michelin

0,0

2,7

1,7

1,4

Zeltia

-1,3

1,8

3,0

1,1

(1) Direitos dos accionistas; (2) Funcionamento do Conselho de Administração; (3) Transparência;
(4) Pontuação final = 37,5% x Critério 1 + 27,5% x Critério 2 + 35% x Critério 3

EMPRESAS NACIONAIS do PSI-20 (1)

Classificação global

Empresa

Direitos dos accionistas

Conselho de Administração

Transparência

Pontuação final

40.º

Cimpor

8,0

7,3

6,9

7,4

76.º

BES

8,0

5,5

6,7

6,9

97.º

Jerónimo Martins

8,0

3,6

7,3

6,6

109.º

SonaeCom

8,0

3,6

7,1

6,5

116.º

Sonae Indústria

8,0

3,6

6,8

6,4

156.º

Impresa

8,0

2,7

6,7

6,1

182.º

BCP

2,7

9,1

6,7

5,9

211.º

Novabase

8,0

2,7

5,3

5,6

261.º

Mota-Engil

8,0

0,9

5,7

5,3

262.º

Portucel

8,0

3,6

3,6

5,3

278.º

Brisa

8,0

2,7

3,7

5,1

280.º

Semapa

8,0

2,7

3,9

5,1

291.º

Altri

7,3

0,9

5,7

5,0

292.º

Sonae

8,0

0,9

5,0

5,0

339.º

BPI

2,7

5,5

5,4

4,4

349.º

Cofina

7,3

0,9

3,7

4,3

379.º

EDP

2,7

3,6

5,7

4,0

396.º

PT Multimedia

1,3

7,3

3,1

3,6

421.º

Portugal Telecom

2,7

2,7

3,3

2,9

(1) À data do início do estudo, em meados de 2006, a Galp Energia ainda não estava cotada

MÉDIAS POR PAÍS
(pontuação máxima de 10 valores)