Comunicados de imprensa

Planos de poupança-reforma - Comissões de betão 29/10/2007

Os subscritores de planos de poupança-reforma pagam até 12 vezes mais comissões do que noutros produtos de investimento idênticos sem benefício fiscal. A denúncia é da DECO, na semana em que se assinala o Dia Mundial da Poupança.

Os planos de poupança-reforma (PPR) foram criados para incentivar a poupança e garantir um complemento de reforma aos subscritores, sendo atractivos pelos benefícios fiscais que proporcionam. Em 2007, permitem poupar até € 400 no IRS, em função da idade do titular.

Mas um estudo do boletim financeiro POUPANÇA QUINZE e da revista DINHEIRO & DIREITOS, duas publicações da DECO PROTESTE, revela que estes benefícios têm ajudado sobretudo os bancos, seguradoras e sociedades gestoras a engordar os seus cofres. Estas entidades aproveitam-se das fortes restrições à movimentação dos PPR e de o consumidor, nalguns casos, ser obrigado a fazer entregas periódicas mensais para cobrarem elevadas comissões.

Os seguros e fundos PPR exigem 2,4% e 1,9%, em média, por cada entrega e subscrição, ao passo que os fundos mistos defensivos pedem só 0,2 por cento. Ou seja, até doze vezes menos. Para a associação de defesa do consumidor, a diferença é injustificável, já que aqueles produtos têm políticas de investimento idênticas.

Os PPR caracterizam-se também por serem aplicações de longo prazo, cuja rentabilidade depende da capacidade das empresas gestoras. E as diferenças são significativas, com implicações na poupança acumulada pelos subscritores ao longo do tempo. Segundo a DECO PROTESTE, nos últimos três anos, os resultados variaram entre 9,2%, do Eurovida PPR Activo, e 1,5% anualizados, do BPI Reforma Segura PPR e Barclays PPR Rendimento.

Mesmo assim, o consumidor é impedido de escolher a melhor aplicação para o seu dinheiro. Se estiver descontente com o PPR e quiser transferi-lo para outra instituição, é obrigado a deixar uma grande parte do rendimento como “indemnização”. Nalguns casos, a comissão de transferência chega aos 5% do montante a resgatar, o que anula a vantagem da rentabilidade obtida noutra aplicação.

Para a DECO, estas comissões são um grave entrave à concorrência. As únicas beneficiadas são as seguradoras e sociedades gestoras de fundos, que acumulam mais riqueza à custa da poupança fiscal que deveria ser para os contribuintes. Aquela associação já pediu ao Ministério das Finanças a alteração da lei, no sentido de eliminar os custos de transferência dos PPR. O respeito pelos direitos dos consumidores e pelas regras da concorrência assim o exigem.

A página da associação na Internet disponibiliza também uma ferramenta interactiva, que permite comparar as comissões e a rentabilidade de um total de 72 PPR.

COMISSÕES (média, %)

Tipo de produto

Subscrição / por cada entrega

Gestão e depósito

Transferência

(+ de 5 anos)

SEGUROS PPR

Com capital garant.

2,5

1,2

2,4

Sem capital garant.

2,0

1,6

2,3

Total dos seguros

2,4

1,3

2,4

FUNDOS PPR

Com menor risco

1,8

1,2

2,3

Com maior risco

1,9

1,6

2,4

Total dos fundos

1,9

1,5

2,4

OUTRAS CATEGORIAS DE FUNDOS

Mistos defensivos

0,2

1,1

0,2 (1)

Mistos neutros

0,1

1,4

0,2 (1)

Obrig. Euro M/L P.

0

1,2

0,1 (1)

(1) Comissão cobrada pelo resgate após seis meses, já que não existe comissão de transferência.

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