Onde investir?
A tarefa de gerir o património ou aumentar as poupanças não é fácil. Qualquer investidor é confrontado com a questão de saber como aplicar o seu dinheiro da forma mais rentável possível.
Existem inúmeras aplicações, com características muito distintas. Uma informação errada ou incompleta pode implicar perdas significativas, sobretudo para quem se guia pela publicidade das instituições financeiras.
Antes de investir, deve conhecer bem os produtos financeiros ou, pelo menos, as suas características básicas. Para ajudá-lo, apresentamos-lhe os principais produtos financeiros, com os respetivos prós e contras e quais os prazos mais adequados.
Subscreva estes produtos para ter dinheiro disponível em caso de imprevistos (acidente, doença grave, desemprego). Junte um mínimo de três a seis vezes o orçamento mensal familiar. Deve aplicar as restantes poupanças por prazos mais longos para conseguir um rendimento superior.
Depósitos a prazo
A favor:
- Taxas de juro atrativas em alguns bancos
- Depósitos promocionais, para novos clientes ou novos montantes, com taxas superiores à média
- Capital garantido
- Possibilidade de obter rendimentos periódicos (mensais, trimestrais, etc.) na conta à ordem
- Disponíveis em todos os bancos
Contra:
- Pode perder juros se levantar antes do prazo estipulado
- Eventuais custos na conta à ordem associada ao depósito a prazo
Mais informações sobre depósitos
Contas poupança-reformado
A favor:
- Isenção de imposto sobre os juros para montantes até 10 500 euros; acima desse valor aplica-se a taxa normal de imposto de 21,5%
- Capital garantido
- Disponíveis em quase todos os bancos para prazos de seis a 12 meses
Contra:
- Só acessíveis para reformados ou pensionistas cuja pensão bruta mensal não exceda, no momento da subscrição, o equivalente a três meses do salário mínimo nacional
- Pode perder juros se levantar antes do prazo estipulado
- Eventuais custos na conta à ordem associada à conta poupança
Mais informações sobre contas poupança
Certificados de Aforro
A favor:
- Remuneração indexada à taxa Euribor
- Garantia do Estado
- Facilidade de subscrição nas estações dos CTT
- Sem custos
Contra:
- Nos primeiros três meses, o dinheiro está indisponível
- Há depósitos a prazo com taxas superiores
- Constantes alterações à lei arrasaram a fórmula de cálculo do rendimento
Mais informações sobre Certificados de Aforro
Fundos de tesouraria em euros
A favor:
- Levantamento em qualquer altura sem perda do rendimento acumulado (pré-aviso entre 1 e 3 dias)
Contra:
- Sem garantia de rendimento nem de capital
- Comissão de gestão elevada em alguns fundos
- Em média, mau desempenho nos últimos anos
Certificados de Aforro
A favor:
- Remuneração indexada à taxa Euribor
- Garantia do Estado
- Facilidade de subscrição nas estações dos CTT
- Sem custos
- Prémio de permanência líquido até 2%
Contra:
- Nos primeiros três meses, o dinheiro está indisponível
- Atual taxa de remuneração base é reduzida, existindo depósitos a prazo com taxas superiores
- Constantes alterações à lei arrasaram a fórmula de cálculo do rendimento
- Uma gestão ativa de depósitos a prazo permite rentabilidades superiores
Mais informações sobre Certificados de Aforro
Obrigações do Tesouro (OT)
A favor:
- Capital e rendimento garantidos se a OT for mantida até ao vencimento
- Rendimentos anuais provenientes dos cupões
- Há OT que permitem aplicar por períodos muito longos
Contra:
- Custos de transação em bolsa
- Mínimo recomendado de 2500 euros
- Reduzida rentabilidade
- Funcionamento das OT é pouco intuitivo
- Em caso de venda antes da data de vencimento podem ocorrer perdas de capital
Mais informações sobre Obrigações do Tesouro
Fundos de obrigações euro (curto prazo)
Apesar da designação, estes fundos são adequados para aplicar entre seis meses e três anos.
A favor:
- Levantamento com um pré-aviso de poucos dias e sem perda do rendimento acumulado
- Disponíveis em quase todos os bancos
- Há fundos que distribuem os rendimentos periodicamente
Contra:
- Sem garantia de rendimento nem de capital
- Podem existir comissões de resgate
- Comissão de gestão elevada em alguns fundos
- Em média, rentabilidades têm decepcionado
Obrigações de caixa (excluindo produtos financeiros complexos)
A favor:
- Capital garantido no final do prazo
- Rendimento, por norma, está definido à partida ou evolui com a taxa Euribor
Contra:
- Levantamento antecipado pode não ser possível ou implicar a perda de capital e/ou rendimento
Mais informações sobre obrigações de caixa
Produtos financeiros complexos
Dada a grande diversidade, podem surgir produtos com características muito diferentes.
A favor:
- Capital garantido no final do prazo (em regra)
- Possibilidade de obter um rendimento superior aos depósitos a prazo
Contra:
- Rendimento muito incerto e dependente de fórmulas normalmente complexas; pode não ganhar nada!
- Levantamento antecipado pode não ser possível ou implicar a perda de capital
Mais informações sobre produtos financeiros complexos
Fundos imobiliários
A favor:
- Rendimento potencial superior às taxas de curto prazo (Euribor)
- Possibilidade de investir em imóveis com pequenos montantes (desde 500 euros)
Contra:
- Sem garantia de rendimento nem de capital
- Custos superiores a outro tipo de fundos
Mais informações sobre fundos imobiliários
Conselhos de compra
Todas as poupanças de que não precisa nos próximos cinco ou mais anos devem ser aplicadas a longo prazo. Se abdicar de alguma liquidez e correr algum risco, pode conseguir um rendimento muito superior.
Certificados do Tesouro
A favor:
- Dívida pública (emitida pelo Estado)
- Rendimento muito próximo das OT a 5 e 10 anos, consoante o prazo aplicado
- Capital está garantido a todo o momento
- Permite resgate antecipado, total ou parcial, nas datas anuais de pagamento de juros
Contra:
- Para períodos inferiores a cinco anos, há depósitos a prazo mais rentáveis
Mais informações sobre Certificados do Tesouro
Fundos de obrigações (médio/longo prazo)
A favor:
- Montante mínimo reduzido (desde 500 euros)
- Carteira com alguma diversificação
- Potencial de valorização dos mercados de obrigações (descida das taxas de longo prazo e/ou ganhos cambiais)
Contra:
- Risco (baixo a médio baixo)
- Sem garantia de rendimento nem de capital
- É conveniente diversificar por fundos de várias categorias
- Risco de desvalorização dos mercados de obrigações (subida das taxas de juro de longo prazo e/ou perdas cambiais)
Mais informações sobre fundos
Conselhos de compra
Fundos de ações
A favor:
- Montante mínimo reduzido (desde 500 euros)
- Carteira com alguma diversificação
- Elevado potencial de valorização das bolsas
Contra:
- Risco (médio a muito elevado)
- Sem garantia de rendimento nem de capital
- É conveniente diversificar por fundos de várias categorias
Carteira de fundos:
Para o longo prazo, combine o investimento em fundos de ações e obrigações, isto é, uma carteira de fundos. Para um nível ideal de diversificação, é aconselhável aplicar, pelo menos, 10 mil euros.
Fundos mistos
A favor:
- Montante mínimo reduzido (desde 500 euros)
- Carteira diversificada
- Potencial de valorização dos mercados de ações e obrigações
Contra:
- Risco muito baixo a médio baixo
- Sem garantia de rendimento nem de capital
- Gestão feita totalmente pela sociedade gestora
Mais informações sobre fundos
Conselhos de compra
Seguros sem capital garantido (‘unit linked’)
Apesar da designação de "seguro", geralmente o capital não está garantido, pois são produtos com várias opções de investimento sob a forma de fundos. Assim, as vantagens e inconvenientes são semelhantes aos fundos de ações, obrigações ou mistos.
Mais informações sobre seguros sem capital garantido
Seguros com capital garantido
A favor:
- Montante mínimo reduzido (desde 250 euros)
- Garantia de capital e, por vezes, com rendimento mínimo
- Menos impostos sobre os rendimentos (16 e 8% para prazos superiores a 5 e 8 anos respetivamente, em vez da habitual taxa de imposto de 21,5%)
Contra:
- Comissões de subscrição e gestão elevadas
- Penalizações por levantamento antecipado
- Baixo potencial de valorização
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Ações (investimento direto)
A favor:
- Elevado potencial de valorização
- Gestão direta por parte do investidor
Contra:
- Risco elevado
- Sem garantia de rendimento nem de capital
- Mínimo recomendado de 20 mil euros
- Acompanhamento permanente dos mercados
Planos poupança reforma (PPR)
A maior vantagem dos PPR perdeu-se com o limite das deduções fiscais, em 2011. As deduções anuais no IRS até 400 euros eram o atrativo desta aplicação. Os PPR não são mais do que fundos mistos, mas com custos médios mais elevados e pouca liquidez. Deve continuar a fazer o pé-de-meia para a reforma, mudando de estratégia: mantenha o PPR já efetuado, mas não faça novas entregas.
A favor:
- Carga fiscal mais reduzida no resgate
Contra:
- Apesar dos benefícios fiscais ainda existirem, foram definidos limites máximos de deduções fiscais
- Comissões superiores a produtos financeiros semelhantes (subscrição e entregas)
- Resgate sem penalização fiscal a partir dos 60 anos, entrada na reforma ou outras situações definidas na lei
- Nos últimos cinco anos antes do vencimento, as entregas não têm benefício fiscal




