Dubai
Incumprimento da dívida veio agitar
os mercados
financeiros
No final de Novembro, ao anunciar a incapacidade de reembolsar parte da sua dívida, o Dubai agitou os mercados financeiros. De início, o abalo ficou restrito à região, e têm-se vindo a atenuar. Mas o exemplo deste emirato árabe recorda os perigos do endividamento excessivo um pouco por todo o mundo.
Aposta sem limites no turismo
Pouco dotado de recursos energéticos, o Dubai procurou diversificar a sua economia para compensar a quebra das receitas do petróleo, que passaram a representar menos de 10% do PIB.
Assim, os projectos imobiliários multiplicaram-se: grandiosos hotéis, gigantescos centros comerciais e atracções para todos os gostos.
Com uma posição geográfica ideal, entre a Europa e a Ásia, o Dubai tornou-se no destino de milhões de turistas. Mas, para as autoridades locais, não havia limites e projectos quase impossíveis ganharam forma. No entanto, o fluxo de turistas diminuiu na sequência da recessão mundial, as receitas bateram no fundo, a explosão da bolha imobiliária local agravou a situação e os problemas financeiros começaram.
Queda dos mercados
Mais do que o anúncio de um modesto incumprimento de pagamento, é o adiamento de seis meses do pagamento de uma dívida de 3,5 mil milhões de dólares por parte da holding Dubai World que fez regressar a incerteza e o receio de uma reacção em cadeia.
Após meses de fortes subidas das Bolsas, a crise no Dubai veio recordar que a situação económica mundial não é tão animadora quanto a evolução dos índices bolsistas indica.
De seguida, os investidores reagiram com mais ponderação e a sua atenção concentrou-se nas empresas mais expostas à região do Golfo e, principalmente, nos países com maior fragilidade financeira. Por várias razões, outros países também apresentam um endividamento problemático.
Peso da dívida
Os mercados bolsistas, com excepção da região do Golfo, rapidamente recuperaram as perdas iniciais. Assim, é no mercado obrigacionista que se encontram as principais vítimas da crise. Imediatamente após o anúncio de incumprimento de pagamento, a aversão ao risco disparou, mas não foram as dívidas dos países emergentes que foram afectadas, em prol das obrigações dos países desenvolvidos.
Ao invés, as taxas de juro dos títulos da dívida pública escalaram na Grécia. Com uma dívida superior a 110% do PIB e um défice acima dos 12%, as finanças públicas gregas encontram-se num estado preocupante. Ainda que a solidariedade declarada pelos outros países da zona euro tenha tranquilizado os investidores, o problema da dívida, não só na Grécia, é real. O peso do endividamento vai pesar, a longo prazo, no desenvolvimento e representa um factor capaz de provocar maior turbulência nos mercados.
Nova ‘desordem mundial’
Agora, pouco tempo depois, os piores receios deram lugar a uma relativa indiferença face à situação do Dubai. Porém, a crise ainda está longe do fim e podem surgir outros choques financeiros. Ontem a Islândia, agora um emirato árabe e amanhã outros países com elevado endividamento…
O impacto na dívida pública da Grécia demonstra que a próxima vítima pode estar mais perto do que se pensa. Apesar da presença na zona euro garanta segurança, o mesmo não acontece com a Hungria, país europeu que também revela problemas nas contas públicas.
Mais do que nunca, é necessário habituar-se à “desordem económica mundial” que a crise impôs ao aforrador: investir com grande selectividade e aceitar uma maior volatilidade.




