Crise financeira e segurança dos investimentos

Dificuldades na banca22/09/2008

O sector financeiro vive horas difíceis há mais de um ano, quando vieram a lume os problemas que tiveram origem no subprime , o crédito hipotecário de alto risco nos Estados Unidos. Desde então, a crise agudizou-se e os títulos financeiros foram penalizados de um e outro lado do Atlântico. Para investir, deve ser selectivo na escolha dos títulos e ter uma óptica de longo prazo.


Falências causam pânico
No início deste mês, de forma a evitar a falência da Freddie Mac e da Fannie Mae, as autoridades americanas procederam à nacionalização destas agências americanas especializados na concessão de crédito. Mais tarde, intervieram para salvar o American International Group, o maior grupo segurador mundial.

Pelo meio, o Lehman Brothers (LB), quarto maior banco de investimento americano, constituiu a maior falência de todos os tempos. Já o seu congénere Merrill Lynch foi salvo ao ser adquirido à última hora pelo Bank of America (BAC).

Do outro lado do Atlântico, o maior banco de crédito hipotecário do Reino Unido, o Halifax Bank of Scotland (HBOS) foi protegido ao ser adquirido pelo Lloyds TSB. Esta onda de dificuldades e falências na banca lançou o pânico nas Bolsas e os títulos finaceiros acumularam as maiores perdas.


Medidas aliviam mercados
Todavia, no final da semana passada, as Bolsas reagiram em alta acentuada às medidas anunciadas pelas autoridades norte-americanas de criarem um fundo destinado à compra do crédito malparado para apoiar os bancos em dificuldades. Porém, ainda não são conhecidos os detalhes do plano.


Cura de emagrecimento
O forte crescimento da banca de investimento nos últimos anos apoiou-se bastante no financiamento a crédito de investimentos potencialmente muito rentáveis, mas sem envolver fundos próprios. Esta estratégia gerou excessos, como se tem vindo a descobrir há mais de um ano.

Agora, afectados pela crise imobiliária, os bancos deverão reduzir as carteiras de activos para ficarem mais de acordo com os seus fundos próprios ou deverão reforçar os capitais. Esta cura de emagrecimento forçada será exigida aos bancos directamente afectados pela crise de crédito, mas igualmente aos que se mantiveram relativamente afastados.


Efeito dominó
A queda do LB e outras eventuais falências fazem temer um possível efeito dominó no sector. Este cenário aumentou a aversão ao risco dos investidores, levou a um recuo do valor dos activos (como as acções ou os produtos ligados ao imobiliário), e conduziu a mais perdas nas carteiras de títulos e nas contas dos bancos.

Por isso, ainda prevemos uma nova vaga de depreciações nas contas dos bancos até ao final do ano. De facto, as primeiras estimativas publicadas pelos bancos europeus sobre a sua exposição ao americano LB apontam para valores significativos. Até agora, os mais afectados parecem ser o belga Dexia, e os franceses Société Générale e BNP Paribas.


Europa menos afectada
Porém, os bancos europeus estão longe de ser tão afectados como os congéneres americanos. Salvo excepções (os suíços UBS e Crédit Suisse), na Europa, o grosso das actividades de banca de investimento (onde está a maior parte dos actuais problemas) está alojado no seio de bancos universais, que detêm rentáveis actividades na banca de retalho.

Nestes bancos, as actividades vão desde a captação de depósitos até à gestão de fundos e de patrimónios, passando pelo aconselhamento a empresas e área seguradora. Logo, o risco inerente à banca de investimento aparece diluído nas restantes actividades e a liquidez obtida através das suas redes permite absorver uma parte das perdas.


Seguradoras não escapam
Por um lado, a descida dos mercados accionistas e obrigacionistas pesa nas carteiras de investimento das seguradoras. Por outro, a crise financeira afasta investidores do ramo vida. Nos seguros, a nossa preferência vai para a AXA.


Conclusão
Os bancos europeus não foram poupados pela crise, mas os aumentos de capital realizados e/ou a forte redução da exposição a activos de risco melhoraram as respectivas estruturas financeiras. Porém, os rácios de solvabilidade poderão deteriorar-se novamente se for preciso contabilizar novas e significativas reduções no valor dos activos. Nesse caso, poderão surgir mais aumentos de capital e por em causa os dividendos de 2009 ou até de 2010.


Pela nossa parte, subimos o nível de risco dos bancos “predadores” que se lançaram ao ataque das “presas”, como foi o caso do BAC sobre o Merrill Lynch ou do Lloyds TSB sobre o HBOS e, em ambos os casos, alterámos o conselho para manter.


Actualmente, não recomendamos a compra de acções norte-americanas do sector financeiro. Apenas aconselhamos a compra de títulos que avaliamos baratos, numa conjuntura desfavorável que não melhorará antes do segundo trimestre de 2009.


Veja os conselhos de compra preferenciais aqui, bem como o nível de risco inerente. A curto prazo, os mercados deverão continuar muito voláteis. Seja selectivo na escolha dos títulos e adopte uma óptica de investimento para o longo prazo.


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