Depósitos em moeda estrangeira: não vá para fora
Fique longe dos depósitos em moeda estrangeira dos bancos nacionais: não o protegem do improvável colapso do euro nem rendem tanto como os restantes depósitos.
Abandonar o euro
Ainda o ano mal tinha começado quando chegou o aviso de que a Grécia poderia abandonar o euro. Pantelis Kapsis, o porta-voz do Governo, disse que a troika formada pelo Fundo Monetário Internacional, pelo Banco Central Europeu e pela Comissão Europeia tem de fornecer um novo pacote de apoio de 130 mil milhões de euros para evitar a saída da Grécia. “A transferência tem de ser autorizada. Caso contrário, estaremos fora dos mercados e fora do euro”, afirmou.
A voz de Pantelis Kapsis ecoou por cá, aumentando o receio de que Portugal também poderá renunciar ao euro. Nesse cenário, estariam as poupanças salvaguardadas num depósito em moeda estrangeira constituído junto de um banco português? Essa é uma questão que paira sobre muitos dos nossos associados.
A oferta de depósitos em divisas estrangeiras da banca nacional é vasta. É possível fazer aplicações em 17 moedas diferentes, como o dólar norte-americano, a libra esterlina e o franco suíço.
Depósitos nacionais não o protegem
Continua a ser muito pouco provável um cenário em que Portugal deixa o euro. Ainda menos credível é um panorama em que há a desagregação completa da união monetária europeia. Por isso, não é necessário procurar uma solução que o proteja.
De qualquer maneira, um depósito noutra divisa junto de um banco nacional não o protegeria do colapso do euro. Num cenário de catástrofe, não se sabe exatamente que medidas seriam implementadas pelas autoridades financeiras nacionais e estrangeiras. Desconhece-se, por exemplo, qual o modelo cambial a adotar ou a relação da nova moeda portuguesa com as divisas estrangeiras. Logo não é possível garantir que o património ficaria protegido apenas por estar denominado noutra moeda.
Se, mesmo assim, quiser proteger o seu dinheiro numa conta em moeda estrangeira, o melhor remédio é dirigir-se a um banco noutro país, como a Suíça, por exemplo. Só assim não ficará à mercê das decisões dos bancos centrais e dos governos dos países da zona euro num cenário improvável de pós-euro. Todavia, para se proteger dos receios em torno do euro tem uma solução mais rentável no longo prazo: a carteira de fundos da PROTESTE INVESTE.
Juros são nulos ou muito baixos
Alguns bancos apenas permitem constituir depósitos à ordem noutras moedas. Isto quer dizer que, em muitas instituições, não receberá juros se contratar uma conta em moeda estrangeira. Todavia, mesmo nos bancos em que consegue constituir um depósito a prazo, em regra, as taxas de juro são inferiores às das aplicações em euros.
É o caso do Millennium bcp, por exemplo: a taxa de juro anual bruta dos depósitos-padrão em moeda estrangeira é de 0,1% nos prazos até 1 ano. Esse banco tem adicionalmente dois depósitos especiais em dólares canadianos e norte-americanos cujas taxas chegam aos 1,375 por cento.
As taxas dos depósitos a prazo em moedas estrangeiras refletem muitas vezes a realidade dos mercados monetários dos países de origem dessas divisas. Se as taxas dos depósitos de curto prazo nos Estados Unidos da América rondam os 0,5%, é natural que os juros dos depósitos em dólares norte-americanos em Portugal também se fiquem por essa taxa. Apesar disso, há exceções, como a solução do PrivatBank, que paga taxas brutas de 4,8% (3,6% líquida).
No Banif conseguem-se as maiores taxas entre os 20 bancos analisados na edição de janeiro da PROTESTE INVESTE, disponível nas publicações. Um depósito em florins húngaros pode render uma taxa anual bruta até 5,75% (4,31% líquida) e em dólares australianos até 5,25% (3,94% líquida). Conheça os melhores depósitos em moeda estrangeira.
Rendimento sempre incerto
Embora a taxa líquida de 4,31% do depósito em florins húngaros possa parecer atrativa, o rendimento da aplicação é incerto, tal como em todos os depósitos em moeda estrangeira. No momento da constituição não se sabe qual será a evolução futura da taxa de câmbio. Quando o vencimento da aplicação chegar, a divisa poderá ter depreciado, o que representaria perdas para a carteira do aforrador.
No caso do depósito do Banif na divisa húngara, se o florim depreciar mais de 4,31%, o aforrador obtém uma perda efetiva. É muito difícil antecipar as flutuações de curto prazo das divisas, por isso os depósitos em moeda estrangeira não são bons veículos para obter rendimentos previsíveis.
Para o prazo de um ano, entre as principais moedas, o modelo de avaliação cambial da PROTESTE INVESTE apenas estima potencial de apreciação da coroa sueca. No longo prazo, além desta moeda também o dólar americano e o franco suíço deverão valorizar contra o euro.
Protegido do euro no longo prazo
Se evita expor-se à economia da área do euro e procura rendimentos interessantes no longo prazo, as carteiras-modelo são indicadas para si. Em geral, as nove carteiras já preveem uma boa proteção face à moeda única. Na versão neutra da carteira a 10 anos, por exemplo, a única exposição direta ao euro está na posição em Certificados do Tesouro. Representam 25% do total.
Se deseja ainda mais segurança, exclua os ativos denominados em euros, como os Certificados do Tesouro. Privilegie as obrigações em coroas dinamarquesas e suecas e em dólares canadianos. No longo prazo, esses fundos deverão ganhar mais do que qualquer depósito na banca nacional denominado nessas moedas.




