Comissões de corretagem
Custos de investir em Bolsa06/11/2007
Há cada vez maior concorrência entre os intermediários financeiros na transacção de títulos em Bolsa, mas os custos variam bastante. Se optar pelo intermediário financeiro e canal de negociação correctos, pode poupar até 2400 euros por ano!
O mercado de corretagem
Nos primeiros nove meses do ano, o investimento em acções movimentou 99,3 mil milhões de euros (+63% face ao período homólogo de 2006). Assim sendo, as acções representaram 63% do valor total negociado (87,3% do número de ordens) em valores mobiliários, enquanto a dívida pública representou 15,8% e a dívida privada 12%.
Por mercados, os investidores nacionais apostam sobretudo no mercado accionista português (74%). Nos mercados internacionais, os mais procurados são Espanha (5,5%), França (5,2%), Alemanha (3,2%) e Estados Unidos (2,0%).
Relativamente aos canais de negociação, a Internet já domina o número de ordens recebidas (52,6%), mas se considerarmos o volume transaccionado esse indicador cai para 11,6%, devido ao facto das ordens dos investidores institucionais serem de maior valor unitário (correspondem a 70,4% no volume transaccionado) e também porque este indicador inclui todos os valores mobiliários transaccionados e não apenas acções.
Quatro tipos de investidores
À imagem dos últimos estudos realizados, criámos quatro cenários distintos para diferentes tipos de investidores. No que respeita ao investimento em Bolsas internacionais, optámos pela Euronext Paris e por Nova Iorque.
• Pequeno Investidor:
– Valor da carteira: 8000 euros (5000 euros em acções nacionais e 3000 euros em acções internacionais).
– Transacções anuais: 8, de 1500 euros cada (6 nacionais e 2 internacionais).
– Dividendos recebidos: 150 euros, relativos a 3 empresas
– Ordens fraccionadas: 0
• Investidor Passivo:
– Valor da carteira: 66 000 euros (60 000 euros em acções nacionais e 6000 euros em acções internacionais).
– Transacções anuais: 8, de 3000 euros cada (6 nacionais e 2 internacionais).
– Dividendos recebidos: 4000 euros, relativos a 20 empresas
– Ordens fraccionadas: 1
• Investidor Activo:
– Valor da carteira: 35 000 euros (30 000 euros em acções nacionais e 5000 euros em acções internacionais).
– Transacções anuais: 36, de 2500 euros cada (30 nacionais e 6 internacionais).
– Dividendos recebidos: 1500 euros, relativos a 10 empresas
– Ordens fraccionadas: 3
• Investidor Agressivo:
– Valor da carteira: 66 000 euros (60 000 euros em acções nacionais e 6000 euros em acções internacionais).
– Transacções anuais: 57, de 3000 euros cada (48 nacionais e 9 internacionais).
– Dividendos recebidos: 4000 euros, relativos a 20 empresas
– Ordens fraccionadas: 8
| Investir em Bolsa | ||||
| Intermediário | Perfil do Investidor (2) | |||
| Pequeno | Passivo | Activo | Agressivo | |
| GoBulling Pro * | 85,5 | 174,6 | 318,7 | 521,9 |
| Best Trading * | 82,3 | 170,0 | 330,4 | 537,8 |
| Banco Best * | 106,3 | 196,0 | 437,1 | 712,1 |
| Caixa Direct Invest * | 132,3 | 204,4 | 468,5 | 762,5 |
| Santander Totta Net* | 112,8 | 231,4 | 535,9 | 871,6 |
| Banco BPI Net * | 126,8 | 242,1 | 534,3 | 856,7 |
| Deutsche Bank | 156,3 | 249,5 | 526,9 | 827,7 |
| BPI Online * | 129,5 | 180,9 | 569,1 | 887,9 |
| Global Trader (3) * | 219,0 | 323,9 | 515,1 | 752,6 |
| Activo Bank 7 * | 137,8 | 278,0 | 539,1 | 868,6 |
| Orey Financial | 120,1 | 120,1 | 627,1 | 987,4 |
| Binvestor – Banif * | 119,2 | 210,8 | 600,9 | 968,0 |
| Banco Big * | 141,6 | 282,4 | 583,3 | 939,0 |
| Fincor | 152,3 | 205,5 | 688,0 | 1085,5 |
| Crédito Agrícola | 164,9 | 259,4 | 683,5 | 1180,9 |
| BES Net * | 244,7 | 364,8 | 722,8 | 1140,9 |
| BCP Net * | 188,4 | 300,2 | 816,2 | 1275,7 |
| Banco BPI | 146,8 | 310,9 | 806,7 | 1417,5 |
| Banco Big PeqInv * | 101,1 | 320,2 | 834,8 | 1545,6 |
| Finibanco | 131,4 | 264,6 | 870,3 | 1559,7 |
| CGD | 276,4 | 425,5 | 876,4 | 1467,0 |
| BCP | 238,5 | 378,7 | 983,4 | 1538,7 |
| Barclays | 275,2 | 417,5 | 958,1 | 1538,8 |
| BES | 276,7 | 470,0 | 1035,5 | 1728,4 |
| BBVA | 202,9 | 534,0 | 1229,6 | 1992,5 |
| Santander Totta | 288,9 | 507,6 | 1336,3 | 2173,9 |
| BPN | 589,4 | 680,1 | 1976,6 | 2962,2 |
| Média | 183,2 | 307,5 | 755,7 | 1226,0 |
Custos do investimento
• Quando um investidor compra ou vende acções, o intermediário financeiro (IF) cobra-lhe uma comissão. Esta comissão é o ganho do intermediário financeiro por cada transacção e pode ser fixa ou variável. No primeiro caso, o valor cobrado é sempre o mesmo independentemente do valor da transacção e oscila entre os 3 euros e 15 euros, sendo que este último valor já inclui a Taxa de Bolsa (ver texto abaixo) enquanto o primeiro não. Já as comissões variáveis, que dependem do valor da transacção, encontram-se compreendidas, de forma geral, entre 0,20 e 0,70% mas com valores mínimos cobrados desde os 5 euros. Isto é, se o produto do valor da transacção com a taxa de comissão for inferior ao valor mínimo, será este último que será cobrado. Actualmente, somente a GoBulling (nova designação da LJ Carregosa) não cobra comissão de transacção. A estes valores acresce o imposto de selo (4%).
• A Euronext Lisboa também cobra pelos seus serviços. Trata-se da taxa de Bolsa e pode variar consoante o acordo do intermediário e a Euronext. Na grande maioria, são cobrados 2 euros por negócio, sendo que uma ordem pode ser fraccionada em vários negócios (por exemplo, uma ordem de compra que tenha de recorrer a dois vendedores). Esta situação ocorre nomeadamente em acções com menor liquidez e/ou em ordens de montantes mais elevados. Há casos em que a comissão do intermediário financeiro já inclui a totalidade deste custo. Naturalmente, nesses casos a comissão do intermediário financeiro é superior à média dos que não incorporam a taxa de Bolsa na sua comissão.
• Outro encargo que um investidor em Bolsa tem é a guarda de títulos, apesar de actualmente as acções cotadas já só terem “existência digital”. Essa comissão cobrada pelos intermediários financeiros tem um valor normalmente fixo e pode custar mais de 300 euros por ano, numa carteira com activos internacionais. Somente o Netinvest da Caixa de Crédito Agrícola e a corretora Orey Financial é que não cobram qualquer comissão por este serviço.
• Por fim, os intermediários cobram igualmente comissões quanto as empresas distribuem dividendos ou quando há lugar a aumentos de capital, sobre as quais incide IVA a 21%. De resto, somente a Orey Financial isenta os investidores da comissão relativa ao pagamento de dividendos. Naturalmente, estes intermediários terão de fazer a retenção de imposto sobre o rendimento. Actualmente, corresponde a 20% do dividendo bruto.
As melhores (Bolsa nacional e internacional)
A melhor opção depende do perfil de cada investidor, uma vez que não existe um intermediário que consiga ter a melhor oferta para todos os cenários que desenhámos.
Assim, para alguém com o perfil do tipo “Pequeno Investidor”, destaque para o Best Trading, seguido de perto pela conta GoBulling Pro da LJ Carregosa. O baixo custo de guarda de títulos e custos de negociação competitivos justificam a escolha.
Já para o perfil “Investidor Passivo”, a escolha recai sobre a corretora Orey Antunes. Apesar do custo de transacção ser elevado, o facto de não cobrar guarda de títulos justifica, para este caso em particular, a escolha acertada.
Para os perfis com maior peso ao nível dos custos de transacção (“Investidor Activo” e “Investidor Agressivo”), a escolha recai sobre a conta GoBulling Pro da LJ Carregosa Trader, seguida de próxima pelo Best Trading. Pela negativa, os preçários praticados ao balcão dos principais bancos a actuar em Portugal.
As melhores (só Bolsa nacional)
Como nem todos os investidores se querem “aventurar” fora da praça lisboeta, apresentamos igualmente um quadro com as melhores opções para quem invista só na Bolsa nacional (aos cenários criados retirámos a parcela internacional). A Netinvest é a mais barata para os perfis “Pequeno Investidor” e “Investidor Passivo”, enquanto a GoBulling destaca-se nos outros dois perfis.
| Investir na Bolsa Nacional | ||||
| Intermediário | Perfil do Investidor | |||
| Pequeno | Passivo | Activo | Agressivo | |
| GoBulling* | 53,2 | 144,8 | 148,6 | 267,3 |
| Best Trading | 57,3 | 145,0 | 180,6 | 313,2 |
| Go Bulling Pro * | 69,4 | 158,5 | 222,1 | 376,9 |
| Netinvest | 52,3 | 111,9 | 252,3 | 472,0 |
| BarclaysNet | 90,0 | 194,9 | 261,2 | 423,9 |
| Caixa Direct Invest* | 73,7 | 145,8 | 286,1 | 505,9 |
| Banco Best | 81,3 | 171,0 | 287,3 | 487,4 |
| Montepio Geral Net | 71,8 | 136,3 | 254,5 | 463,9 |
| Titulo Directo | 60,1 | 149,6 | 315,3 | 581,6 |
| Orey Antunes* | 75,0 | 166,6 | 335,8 | 570,3 |
| Média Global | 92,5 | 201,7 | 407,5 | 712,0 |
Internet: poupe com os seus dedos
Nos maiores bancos é normal existirem diferentes canais para comunicar as ordens de compra e/ou venda em Bolsa. Se tiver acesso à Internet, opte por este canal porque as ofertas online são claramente preferíveis. Em média, a poupança pode ir desde os 105 euros (“Pequeno Investidor”) aos 714 euros (“Investidor Agressivo”).
No quadro seguinte, comparamos quanto gastaria um investidor do tipo “Activo”, que aplique no mercado nacional, usando o balcão e a Internet. Assim, caso opte pela Net, a poupança pode atingir mais de 500 euros por ano. Se porventura não tiver acesso à Internet, prefira o telefone. De facto, o Santander Totta e o BES replicam o preçário da Internet para a banca telefónica.
| Investidor Activo Nacional: Balcão vs Internet | ||||
| Intermediário | Custo anual em euros | Poupança (1) | ||
| Balcão | Net | Em euros | Em % | |
| Santander Totta | 840,0 | 325,4 | 514,6 | -61,3% |
| BES | 614,6 | 301,9 | 312,8 | -50,9% |
| Barclays | 479,6 | 261,2 | 218,4 | -45,5% |
| Finibanco | 555,3 | 315,3 | 240,0 | -43,2% |
| Banco BPI | 541,6 | 331,6 | 210,0 | -38,8% |
| Montepio Geral | 402,7 | 254,5 | 148,2 | -36,8% |
| BCP | 523,0 | 358,2 | 164,8 | -31,5% |
| CGD | 466,7 | 376,9 | 89,9 | -19,3% |
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