Comissões de corretagem
Custos de investir em acções nacionais27/01/2004
Como o particular não pode operar directamente na Bolsa, tem de recorrer aos serviços de um banco ou de uma corretora para esse fim, pagando várias comissões. Estes encargos com os intermediários financeiros constituem o principal custo para quem possui uma carteira de acções. Conheça as alternativas menos dispendiosas.
Tipos de custos
Para ficar a par de todos os encargos subjacentes a quem detém uma carteira de acções, deixamo-lhe aqui uma pequena descrição de cada um deles.
- Comissão sobre a transacção
Sempre que dá uma ordem de compra/venda de acções, o intermediário financeiro cobra-lhe uma determinada comissão. O valor cobrado pode ser fixo ou uma percentagem do montante transaccionado. Neste caso, podem também existir comissões mínimas ou máximas. Acresce sempre 4% de imposto de selo. Algumas instituições cobram também uma comissão quando a ordem não é executada ou é alterada.
Suponhamos que Sr. Francisco comprou 1 000 acções da Portugal Telecom a 8 euros. Como o banco leva 0,5% de comissão, o Sr Francisco teria de pagar 8 000 euros pelas acções, 40 euros de comissão mais 1,60 euros de imposto de selo.
- Taxa de Bolsa
Com a migração para a plataforma Euronext, a taxa de Bolsa passou a ser de 2 euros por negócio. Esta taxa é paga pelo intermediário à Bolsa, mas é reflectida na comissão desembolsada pelo investidor. Como uma ordem de compra/venda, por vezes, pode ser executada em vários negócios, o encargo efectivo a suportar pela taxa de Bolsa é incerto (ver a caixa sobre a Euronext).
- Comissão sobre pagamento de dividendos
O intermediário financeiro cobra, em regra, uma percentagem do dividendo líquido (após impostos), existindo normalmente valores mínimos para esta comissão. Acresce o IVA.
O Sr. Francisco como detentor de 1 000 acções da PT teve direito a 160 euros de dividendo líquido. A comissão é de 1%, mas com um mínimo de 2,50 euros, pelo que o Sr. Francisco viu creditados, na sua conta, 157,50 euros.
- Despesas de porte e expediente
Estes encargos surgem, em regra, quando existe envio de documentação para o cliente, podendo ser cobrados em diversos momentos: ordem de compra/venda, recebimento de dividendos. Este tipo de comissões é normalmente omitida nos preçários dos intermediários financeiros.
- Guarda de títulos
Esta comissão é cobrada pelo facto de a instituição financeira “tomar conta” das suas acções. Embora na quase totalidade, as acções sejam apenas um registo informático”, esta comissão é cobrada por muitos bancos e corretoras. A entidade “guardadora” tem também a obrigação de avisar o investidor sobre operações relacionadas com as acções: receber dividendos, prevenir quando existem aumentos de capital, etc. O valor a pagar por ano é quase sempre um montante fixo, que pode ser cobrado trimestralmente, semestralmente ou uma vez por ano (acresce IVA).
A conta do Sr. Francisco é debitada de seis em seis meses pelo facto de ter em carteira algumas acções que foi adquirindo. O Sr. Francisco paga 11,90 euros semestralmente.
Definindo os investidores
Para captar melhor o impacto destes inúmeros custos, imaginemos dois investidores:
- O Sr. Bastosinvestiu aquando das privatizações, mas vai comprando/vendendo alguns outros títulos;
- O Sr. Carlos acompanha de perto o mercado, fazendo transacções com alguma frequência.
Com base nestas hipóteses, quantificámos um conjunto de variáveis, que consideramos as mais relevantes para determinar os custos a suportar por estes hipotéticos investidores (ver quadro 1).
Assim, por exemplo, o Sr. Bastos tem uma carteira avaliada em 25 000 euros e realiza doze transacções por ano (cada uma com um valor aproximado de 2 500 euros). Recebe, em média, 200 euros de dividendo das dez empresas que detém acções. Cada uma das doze ordens foi executada apenas num negócio. Foram transmitidas mais três ordens que acabaram por expirar.
| Sr. Bastos | Sr. Carlos |
Valor da carteira | 25 000 euros | 50 000 euros |
Valor médio por transacção | 2 500 euros | 3 000 euros |
N.º de transacções/ano | 12 | 36 |
Valor médio dos dividendos | 200 euros | 200 euros |
N.º de dividendos/ano | 10 | 20 |
Ordens não executadas | 3 | 8 |
Dados técnicos
As comissões utilizadas para as simulações foram obtidas através de questionários dirigidos às instituições que oferecem o serviço de transacção de valores mobiliários. Paralelamente, foi recolhida informação disponível nos sítios dos intermediários na Internet.
Para o canal "balcão", não considerámos as corretoras nem as instituições claramente vocacionadas para os canais alternativos, nomeadamente, a Internet.
Custos por cenário/canal
Tendo por base estas hipóteses, simulámos os encargos que o Sr. Bastos e o Sr. Carlos teriam anualmente. Nos quadros 2 e 3, incluímos os três intermediários mais baratos para transacções efectuadas ao balcão, telefone e Internet. Incluímos ainda o valor cobrado, em média, por todos os intermediários considerados na nossa simulação. Balcão Banco Português de Negócios 202,2 Montepio Geral 208,8 CCAM (1) 245,5 Média 264,4 Telefone Banco Best - Conta Best Trading 156,5 Banco Best 170,9 Montepio Geral - MG Phone24 171,8 Média 234,3 On-line www.bancobest.pt (Best Trading) 131,5 139,7 145,9 Média 191,6
(1) Através do Central Banco de Investimento.
No caso do Sr. Bastos, o Banco Português de Negócios apresenta os custos mais reduzidos: 202 euros. O BPN lidera graças a uma comissão de transacção de 0,4%, abaixo dos 0,5% praticados pela maioria das instituições. A conta Best Trading do Banco Best é, por seu turno, a opção mais barata para o telefone e a Internet. Uma comissão baixa para as transacções e a ausência de encargos com a custódia de títulos são os factores que mais contribuem para colocar este intermediário como o mais barato. As diferenças entre as escolhas acertadas e a média são superiores a 60 euros/ano.
Balcão | |
Banco Português de Negócios | 604,3 |
Montepio Geral | 648,1 |
Barclays Bank | 705,4 |
Média | 758,4 |
Telefone | |
Banco Best - Conta Best Trading | 386,2 |
Banco Best | 429,3 |
Investimento Directo (Atrium) | 469,6 |
Média | 655,4 |
On-line | |
www.bancobest.pt (Best Trading) | 311,3 |
www.bancobest.pt | 354,4 |
www.cgd.pt (Caixadirecta Invest) | 389,5 |
Média | 489,4 |
Apesar do Sr. Carlos ser mais activo que o Sr. Bastos, as escolhas acertadas mantêm-se. O BPN lidera ao “balcão”, enquanto a Conta Best Trading é a opção mais adequada para o telefone/Internet. A poupança, face à média, excede agora os 150 euros/ano. Contudo, não será totalmente correcto extrapolar estas conclusões para investidores cujas transacções sejam muito superiores às do Sr. Carlos. Nessas situações é mais provável que as ordens sejam repartidas em vários negócios e que os preçários das escolhas acertadas percam parte da sua vantagem (ver "Euronext: uma ordem, vários negócios").
A reter
De uma forma geral, os custos encareceram ao longo do último ano. Por um lado, quase todos os intermediários cobram agora uma comissão pela custódia de títulos. Um facto que retirou parte da vantagem detida pelos bancos/corretoras on-line face aos outros canais (balcão/telefone). Por outro lado, a migração para a Euronext implicou um aumento claro dos custos de transacção, com o surgimento da comissão de 2 euros por negócio.
Se, em média, os custos subiram, a opção pelas escolhas acertadas ou pelos canais alternativos (telefone/Internet) irá permitir sempre uma poupança. Além disso, os investidores devem sempre tentar negociar com o intermediário a obtenção de condições mais favoráveis. Nalguns casos é possível obter isenção da comissão de custódia de títulos mediante a aquisição de certos produtos. Ou a redução da comissão de transacção, quando o volume de ordens é elevado.
Euronext: uma ordem, vários negócios
Imaginemos que o Sr. Francisco dá uma ordem de compra de 20 000 acções da Portugal Telecom ao melhor preço disponível. Dada a dimensão da ordem (20 000 acções), esta não foi executada só de uma vez. O Sr. Francisco comprou primeiro 7 500 acções, depois mais 7 500 e por fim as restantes 5 000. Nesse caso, a ordem teria sido repartida em três negócios e a taxa de Bolsa total seria de 6 euros!
Face à nova taxa de Bolsa, os intermediários seguiram duas vias. Uns continuaram a repercutir directamente o custo no investidor, tal como sucedia anteriormente. Outros, para evitar a fragmentação das ordens e o multiplicar das taxas de Bolsa, introduziram comissões de transacção que já incluem esta taxa. Ou seja, mesmo que a ordem seja executada em dez negócios, o investidor não paga mais. Contudo, se a ordem for executada em apenas um negócio, o investidor acaba, em regra, por desembolsar mais do que se tivesse optado por um preçário “normal” junto de outro intermediário. Por isso, este tipo de comissão “total” é, sobretudo, adequado para grandes investidores.
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