Constitua um fundo de emergência

Data da publicação: 16/02/2012

Uma das regras essenciais da poupança é ter sempre um fundo de emergência, ou seja, um montante disponível a qualquer momento para fazer face a eventualidades.

 
 

Seja precavido

Uma das regras essenciais da poupança é ter sempre um fundo de emergência, ou seja, um montante disponível a qualquer momento para fazer face a eventualidades. Isso pode incluir problemas de saúde que impliquem despesas inesperadas, arranjos do automóvel, desemprego ou, mesmo, o pagamento de contas com a educação dos seus filhos que não estavam previstas.
 
A vida é repleta de imprevistos
e para que não fique com o saldo da conta negativo ou para não ter de recorrer ao cartão de crédito, o melhor é criar um fundo de emergência.
 

Cinco ou seis salários

 
Recomendamos que guarde nesse fundo um montante equivalente a cinco ou seis salários, ou seja, o suficiente para se manter durante um semestre sem trabalhar. Claro que há outras variáveis a ter em conta, como o valor do salário e o montante das despesas.
 
Um indivíduo que não tenha filhos nem um crédito à habitação poderá não necessitar de um montante tão elevado como outro que, usufruindo do mesmo salário, tenha esses mesmos encargos. Assumimos os seis salários como forma de se sustentar sem trabalho durante seis meses.
 
A intenção não é o dinheiro obter o máximo de rendimento, mas estar guardado num local seguro, que não ofereça riscos de perda e que possa facilmente ser utilizado, caso surja uma necessidade. Assim, o foco não é rentabilidade, mas a segurança e a liquidez.
 

Depósitos são a solução

 
Não basta juntar esse montante e guardá-lo no colchão ou num mealheiro, até porque o principal inimigo das poupanças, a inflação, encarregar-se-ia de retirar valor ao seu dinheiro.
 
Os 1000 euros que pouparia hoje valeriam menos daqui a um ano. Por isso, é necessário rentabilizar esse montante de forma a garantir, pelo menos, o mesmo poder de compra ao longo dos anos e, se possível, alguma valorização.
 
Os produtos nos quais deve aplicar esse montante devem ter elevada liquidez, de forma a poder resgatar a qualquer altura e sem custos. Não deve aplicar esse montante em produtos que não garantam o capital ou que estejam sujeitos a alguma variável incerta.
 
Por exemplo, os depósitos em moeda estrangeira, apesar de estarem protegidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos, estão sujeitos à variação cambial e, por isso, o capital poderá não estar garantido.
 
Os produtos disponíveis entre nós com maior liquidez são os depósitos a prazo (em euros) e os Certificados de Aforro. Os Certificados do Tesouro também garantem o capital e têm elevada liquidez, contudo o rendimento só é interessante se aplicar por cinco ou mais anos. As contas de poupança rendem, em geral, menos do que os depósitos a prazo.
 
Já os Certificados de Aforro perderam o interesse no início de 2008, quando foram efetuadas alterações na série B e emitida a série C. Atualmente, as novas emissões de Certificados de Aforro rendem apenas 0,9% por ano, muito abaixo da inflação esperada em 2012. Mesmo para aqueles que têm as séries anteriores e usufruem do prémio de permanência máximo, o rendimento anual não ultrapassa os 2,1% líquidos.
 
Produtos sem capital garantido, como fundos de investimento, ações, obrigações e produtos estruturados devem ser afastados do seu fundo de emergência.
 
Até mesmo alguns depósitos, como, por exemplo, os que não permitem mobilização antecipada, devem ser evitados. Apesar de serem depósitos, de terem o capital garantido e até poderem ter um rendimento interessante, evite-os, pois, em caso de emergência, o melhor que o banco lhe pode oferecer é um crédito. Como os créditos não são gratuitos, terá de suportar os custos, em particular os juros.
 
Assim, não restam muitas opções: os depósitos a prazo são a melhor forma de preparar o seu fundo de emergência.  
 

Repartir e negociar

Outra regra de ouro é não colocar todos os ovos no mesmo cesto. Por isso, a menos que consiga negociar uma boa taxa para o montante total do seu fundo de emergência, reparta o dinheiro por mais do que uma instituição bancária, sempre dentro do universo dos bancos que apresentam as melhores taxas.
 
Mas antes de mudar de instituição, sonde o seu gestor de conta sobre a melhor taxa que este lhe pode oferecer. A recente limitação imposta pelo Banco de Portugal diminuiu a taxa a que os bancos estão dispostos a pagar pelo seu capital, mas nada perde em tentar negociar.
 
 

Consulte também:

 

-->