Crise financeira e segurança dos investimentos

As vítimas do credit crunch22/09/2008

Os mercados vivem momentos agitados. Os problemas que estiveram na base da crise financeira continuam por resolver. Não subscreva fundos de acções dedicados ao sector financeiro.


À beira da falência
Pouco mais de um ano após os primeiros sinais da crise provocada pelo colapso do crédito subprime, o cenário é preocupante. As autoridades americanas foram forçadas a nacionalizar as agências de crédito hipotecário Fannie Mae e Freddie Mac e a intervir para salvar o American International Group (AIG), o maior grupo segurador do mundo. Uma operação que acontece pouco depois do colapso de dois grandes bancos de investimento: Merrill Lynch, comprado in extremis pelo Bank of America, e o Lehman Brothers que constituiu a maior falência de sempre.

Para tentar tranquilizar os mercados, o Tesouro americano anunciou um novo plano de combate à crise. Trata-se de um fundo com 700 mil milhões de dólares destinado à compra do crédito malparado, livrando os bancos desse fardo. Esta medida provocou euforia nas Bolsas que, na passada sexta-feira, registaram subidas impressionantes. Contudo, o plano ainda não foi aprovado e os detalhes não são conhecidos. É incerto se será suficiente para inverter uma crise cada vez mais profunda.


As vítimas
As
consequências do credit crunch multiplicam-se. No início, apenas os bancos expostos directamente ao subprime foram afectados, mas a desconfiança instalou-se e aumentaram as dificuldades de financiamento, o que atingiu sobretudo os bancos de investimento. Até 2007, esses bancos viveram duas décadas de “vacas gordas”, graças à regulamentação que permitia maior endividamento, às baixas taxas de juro e a novas práticas de titularização. 

Agora, o modelo está a ser posto em causa. Com a desconfiança do mercado, as dificuldades na titularização dos créditos e o provável aumento da regulamentação, os actuais níveis de endividamento tornam-se impraticáveis.


Efeitos na economia real
Os problemas do sector financeiro são negativos para a economia em geral. Em primeiro lugar, a subida do preço do dinheiro implica maiores custos para os créditos de taxa variável. Isto porque, apesar dos bancos centrais, como o Banco Central Europeu, manterem as taxas de juro directoras, as taxas do mercado interbancário (por exemplo, a Euribor), estão a subir. Em segundo lugar, os custos de salvamento das instituições financeiras acabam por recair sobre os contribuintes. Por fim, as fusões, como a do HBOS e Lloyds, diminuem a concorrência e podem prejudicar os consumidores.


É preciso mudar
O sector financeiro atingiu o fim de um ciclo. Após os últimos acontecimentos e a entrada de fundos públicos, surgem pressões para tornar a regulamentação mais apertada. No futuro, o sector vai ter de se reinventar se quiser manter o crescimento alcançado nos últimos anos. Embora existam oportunidades de compra de títulos de alguns bancos e/ou seguradoras, o sector no seu conjunto está muito arriscado: actualmente não recomendamos fundos de acções do sector financeiro.


Voltar