Comissões de corretagem

Acções, custos e companhia27/11/2000

Embora a escolha das acções seja a principal preocupação do investidor, não deve ser a única! Os custos suportados também são importantes e não devem ser negligenciados.
Conheça as opções mais baratas para transaccionar no nosso mercado.

A Internet abriu novos horizontes


Até há bem pouco tempo, o investidor dispunha de duas opções na escolha do intermediário para realizar a compra de acções: bancos ou corretoras.

Devido à maior exclusividade dos serviços, as corretoras destinavam-se sobretudo a quem tivesse um património considerável. Existindo para os pequenos investidores, na prática, uma só alternativa: os bancos com custos elevados e geralmente e serviços pouco satisfatórios.

Mas o panorama tem vindo a mudar. Embora as corretoras continuem a lidar com uma clientela restrita, criaram serviços paralelos e independentes na Internet, com custos reduzidos e montantes mínimos também baixos (desde 500 euros).

Para fazer face a estas iniciativas, os bancos incluíram no homebanking (“banca em casa”) a possibilidade de executar compra e venda de acções. Estes serviços prestados na Internet são, em regra, mais eficientes e mais baratos do que os praticados ao balcão das agências.

Custos, a saber…

Contudo, antes de avançarmos convém dar uma breve explicação sobre os custos a que está sujeito quem investe em acções.

  • Comissão sobre a transacção – é cobrada sempre que compra ou vende acções. O valor é geralmente uma percentagem do montante transaccionado (oscila entre 0,2% e 0,6%). Podem também existir comissões fixas, mínimas e/ou máximas. Incide 4% de imposto de selo.
    Algumas instituições cobram mesmo uma comissão quando a ordem não é executada ou é alterada. Ronda os 2,50 euros (+ IVA).

  • Taxa de Bolsa – também incide sobre o valor da compra/venda e é sempre de 0,015%.

  • Guarda de títulos – embora as acções tenham apenas uma existência “digital” esta comissão ainda é cobrada por muitos bancos e corretoras. O valor a pagar é quase sempre um montante fixo. Em média, 20 euros/ano (+ IVA).

  • Comissão sobre pagamento de dividendos – em regra, consiste numa percentagem do dividendo líquido distribuído. Podem existir valores mínimos e/ou máximos para a comissão. Incide IVA.

  • Despesas de porte e expediente – estes encargos são geralmente cobrados quando recebe um extracto a informá-lo de uma dada operação. Certas instituições cobram-nos aquando de uma ordem de compra/venda, outras quando o investidor recebe dividendos. Geralmente, os bancos “esquecem-se” de informar acerca deste tipo de comissões. Rondam os 1,50 euros (+IVA).

Dois cenários


Como vimos, existe alguma diversidade no tipo de custos, mas não é a única! Os investidores também não têm todos o mesmo perfil e por isso não são todos afectados da mesma forma pelos custos.
Para melhor apreender essa diversidade construímos dois cenários (ver quadro).

OS CENÁRIOS

Cen.

Carteira

N.ºTransac

Valor

N.ºDivid.

Valor

1

7.500

5

2.000

3

150

2

20.000

24

3.000

5

300

A carteira, o valor das transacções e o valor dos dividendos estão em euros.
Além das transacções mencionados, o investidor representado no cenário 2 deu mais quatro ordens que não foram executadas.

O cenário 1 representa o pequeno investidor, que acorre basicamente a privatizações e executa um número muito reduzido de transacções.

Já o investidor tipo do cenário 2, segue mais de perto o mercado e tem uma gestão mais activa.

Custos, cenários…resultados


Com os dados de 8 corretoras, 18 bancos e 14 serviços on-line, simulámos quanto gastaria cada um dos nossos investidores-tipo. Nos quadros seguintes pode observar quais as dez instituições e os dez serviços on-line mais baratos em cada cenário (não são considerados os casos em que o preçário para ordens dadas pelo serviço telefónico é diferente). Os quadros incluem também o custo total, em euros, a suportar pelo investidor representado no cenário e no decorrer de um ano. E o peso dos custos na carteira (em %), assumindo que o valor desta se mantém ao longo do ano.

CENÁRIO 1

Banco/Corretora

Tipo

Euros

(%)

Finibanco

B

65,79

0,88

CGD

B

81,54

1,09

Montepio Geral

B

82,38

1,10

BNU

B

87,37

1,16

Banco 7

B

91,64

1,22

CPP

B

96,73

1,29

Atlântico

B

96,91

1,29

NovaRede

B

97,16

1,30

Banco BPI

B

99,05

1,32

BNC

B

103,37

1,38

Internet

Tipo

Euros

(%)

Www.titulodirecto.pt

CO

31,08

0,41

Www.ljcarregosa.pt

CO

31,08

0,41

Www.bigonline.pt

CO

36,28

0,48

Www.e-deal.pt

CO

36,28

0,48

Www.cgd.pt

HB

64,54

0,86

Www.finibanco.pt

HB

65,79

0,88

Www.bpionline.pt

CO

70,08

0,93

Www.banco7.pt

HB

72,01

0,96

Www.santander.pt

HB

72,60

0,97

Www.bpinet.pt

HB

73,05

0,97

Neste cenário excluímos as corretoras tradicionais por não se adequarem muito a este tipo de investidor (pequena carteira e poucos movimentos).
C – Corretora tradicional, B –Banco, CO – corretora online, HB – Homebanking.

Neste cenário, na categoria banco/corretora, temos a liderar o Finibanco. O avanço que este banco leva deve-se ao facto de não cobrar comissão sobre a guarda de títulos, já que a comissão sobre a transacção é igual à praticada pelos concorrentes mais directos. A guarda de títulos assume particular importância: um custo fixo prejudica mais quem tem investido apenas pequenos montantes!

Quando passamos para a Internet, os custos caem para menos de metade. Aqui a liderança é repartida pela títulodirecto e pela LJ Carregosa. A comissão sobre transacções baixa (0,2%) e a ausência de uma comissão para custódia de títulos concede-lhes vantagem.

O primeiro serviço de homebanking a aparecer é o da CGD. Embora esta instituição pratique comissões de compra/venda mais atractivas no serviço de Internet do que ao balcão, a comissão de custódia de títulos mantém-se e prejudica-a face às corretoras on-line que não cobram por esse serviço. No segundo lugar do homebanking aparece o Finibanco. Ao contrário da CGD (e de outros), os custos do Finibanco on-line são iguais aos da rede tradicional.

CENÁRIO 2

Banco/Corretora

Tipo

Euros

(%)

Probolsa

C

203,85

1,02

Fincor

C

278,44

1,39

DIF Brokers

C

327,87

1,64

L.J. Carregosa

C

402,75

2,01

Título

C

402,75

2,01

Finibanco

B

412,99

2,06

Montepio Geral

B

434,64

2,17

Barclays Bank

B

440,59

2,20

CGD

B

452,32

2,26

Banco 7

B

453,35

2,27

Internet

Tipo

Euros

(%)

Www.titulodirecto.pt

CO

175,19

0,88

Www.ljcarregosa.pt

CO

178,11

0,89

Www.santander.pt

HB

192,60

0,96

Www.bigonline.pt

CO

212,63

1,06

Www.e-deal.pt

CO

215,55

1,08

Www.bpionline.pt

CO

226,47

1,13

Www.banco7.pt

HB

242,57

1,21

Www.cgd.pt

HB

245,92

1,23

Www.bpinet.pt

HB

268,12

1,34

Www.bes.pt

HB

271,62

1,36

C – Corretora tradicional, B –Banco, CO – corretora online, HB – Homebanking.

Com as elevadas comissões sobre transacções, os bancos foram erradicados dos primeiros lugares no cenário 2. O líder é, agora, a corretora tradicional a Probolsa. O melhor banco, o Finibanco, só aparece em quinto lugar e já com um avanço mais reduzido sobre os concorrentes.

Na Internet, o panorama é semelhante ao do cenário 1, embora a diferença para a via tradicional se tenha esbatido um pouco. Assim, a títulodirecto lidera novamente com uma muito pequena vantagem sobre a LJ Carregosa.

Destaque, também para a entrada do homebanking do Santander. Este serviço tem um sistema de pontos que beneficia os investidores com maior a carteira e com um maior número de ordens por mês. Quanto maiores estas duas variáveis menor o custo das comissões no mês seguinte.

Conclusão

As corretoras, quer sejam, ou não, on-line, continuam a oferecer o serviço mais barato. Se tem acesso à Internet e quer fazer várias transacções por ano, deverá optar pela via das corretoras on-line. Caso não possua Internet ou não queira fazer uma gestão activa deve enveredar por uma das instituições bancárias com menores custos (ver cenário 1).

EM BUSCA DO SANTO GRAAL

O nosso estudo dividiu-se em duas partes. A primeira consistiu no envio de um questionário às corretoras e aos bancos. A segunda via foi uma visita às agências de diversas instituições bancárias e tomar o pulso do mercado. Tratou-se, claro, de uma visita anónima levada a cabo por alguns dos nossos agentes “disfarçados” de pequenos investidores e interessados em adquirir 100 acções da Telecel.

  • A primeira conclusão foi a predisposição para colaborar não foi muito grande, pois apenas um reduzido número de instituições se dignaram em responder ao questionário. Será que não estão interessadas em contribuir para a transparência do mercado?

  • Mas o melhor estava guardado para o teste prático. Os nossos agentes verificaram que o preçário é um documento altamente confidencial. Se calhar até está guardado dentro do cofre da agência… Apenas nalgumas agências facultaram prontamente uma fotocópia do preçário. Na maior parte dos casos, o cliente até podia consultá-lo se quisesse, mas não tinha direito a uma cópia. Será que os bancos andam a reduzir os custos com as fotocópias?! Em certas agências, a situação foi mesmo caricata. Os nossos emissários ouviram frases do género: “Porque é que quer saber esses custos?”, “Veio comprar meia dúzia de acções, tipicamente português”, ”Comissão sobre dividendos!? É melhor perguntar na Telecel”, “Preçário!? Não temos.” e por aí fora…

  • Resumindo, se a simpatia, em regra, era muita, a informação era muito pouca. O lema foi: “Abra conta e compre as acções que quanto aos custos logo se vê”.


Voltar