A semana em bolsa: crise grega em foco
Data da publicação: 17/02/2012
Apesar da divulgação de bons indicadores económicos nos EUA, o impasse relativo a um novo pacote de ajuda financeira à Grécia afetou um pouco as bolsas europeias. Lisboa não foi exceção e recuou 1,1%.
Lisboa em contra ciclo
A bolsa nacional acompanhou a tendência negativa da maioria das suas congéneres europeias e perdeu 1,1%. Ao contrário da semana anterior, o BCP liderou as perdas ao corrigir 6,5%. Já o BPI desceu 3,2% e o BES caiu 0,9%. Do lado das descidas esteve também a Galp, que recuou 1,1% depois da ENI ter reafirmado que pretende vender a sua participação de 33,3% na petrolífera nacional.
Ao invés, a EDP subiu 1,2% após anunciar um aumento de 6% da sua capacidade instalada em 2011. Pela positiva, realce ainda para a Teixeira Duarte (+21,7%), que liderou os ganhos, e para a Inapa (+20%) que anunciou a compra de uma pequena empresa de embalagens em França.
Nota final para a Cimpor (inalterada), que poderá ser novamente alvo de alguns rumores em torno da estrutura acionista, depois do empresário Manuel Fino não ter acionado a sua opção de compra dos 9,6% da cimenteira detidos pela Caixa Geral de Depósitos.
Ligeira correção na Europa e EUA
A Grécia não consegue convencer nem os seus parceiros europeus nem os mercados financeiros de que está no bom caminho para re-equilibrar as suas finanças e implementar um rigoroso plano de austeridade. Sem a ajuda internacional até 20 de março, data de re-embolso de parte da dívida, o país declarará falência, o que colocaria em risco a sua permanência na zona euro.A crescente probabilidade de um incumprimento da Grécia pesou na confiança dos investidores europeus. Assim, as bolsas do velho continente evoluíram ao ritmo das declarações e rumores sobre a crise grega e fecharam a semana maioritariamente em queda. Ainda assim, o Stoxx Europe 50 subiu 0,3% enquanto Londres caiu 0,2%, penalizada pelo setor das matérias-primas. Os grupos mineiros Rio Tinto e BHP Billiton desceram 4,8 e 3,6%; respetivamente.
Alguns resultados empresariais dececionam
O mercado americano mostrou-se mais dinâmico na semana passada. Se os EUA são muito importantes para a Europa, esta é-o muito menos para eles. Embora a crise europeia seja um problema não foi suficiente para ocultar os bons indicadores da economia americana. Assim, o S&P 500 ganhou 0,5% e atingiu níveis de meados de 2008. Por sua vez, o índice tecnológico Nasdaq subiu 1,1%.Os resultados do Société Générale (-10,2%) confirmam as dificuldades do setor bancário europeu no quarto trimestre de 2011. À exceção do BNP Paribas (-1,9%), a banca mostrou-se cautelosa para o início de 2012.
O abrandamento do mercado obrigacionista americano é aproveitado por algumas empresas importantes para se refinanciarem em condições bastante atrativas, como foram os casos da IBM (-0,1%), Procter & Gamble e ainda da McDonalds. Para além do baixo custo da dívida, estas operações permitem criar uma almofada que possibilite assegurar o desenvolvimento futuro das empresas e até financiar os programas de compra de ações próprias.
Bolsas | |||
Lisboa | -1,1% | Nasdaq | +1,1% |
Frankfurt | -0,5% | Nova Iorque | +0,5% |
Londres | -0,2% | Paris | -0,9% |
Madrid | -3,9% | Tóquio | +2,6% |
Milão | -1,7% | Zurique | +0,8% |
Ações | |||
Teixeira Duarte | +21,7% | BCP | -6,5% |
Inapa | +20,0% | Soares da Costa | -5,9% |
Glintt | +7,7% | ZON Multimédia | -4,9% |
Impresa | +6,3% | Brisa | -4,8% |
Cort. Amorim | +5,3% | Mota-Engil | -4,6% |
Variação das cotações entre 09/02 e 16/02, em moeda local
Maiores subidas/descidas dos títulos nacionais seguidos na PROTESTE INVESTE



