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Televisores 8K ainda não convencem

A imagem não se destaca e os conteúdos em resolução 8K são muito escassos. Se somarmos a estas razões um preço elevado, a conclusão é óbvia: os televisores analisados não compensam.

  • Dossiê técnico
  • António Alves e José Almeida
  • Texto
  • Inês Lourinho
03 novembro 2020
  • Dossiê técnico
  • António Alves e José Almeida
  • Texto
  • Inês Lourinho
TV 8k com imagem de paisagem verde e céu azul

iStock

A tecnologia roda à velocidade da luz. Ainda a habituar-nos a televisores com resolução 4K, eis que as principais marcas dobram a aposta na horizontal e na vertical, com televisores 8K. E, se o oito duplica o quatro, a matemática diz-nos que o mesmo há de suceder à imagem. Mas, testados um modelo da LG e outro da Samsung, a multiplicação não resiste à verificação dos nossos testes em laboratório.

Televisores com resolução 8K não brilham nas medições técnicas

De um lado, o LG 65NANO956NA. Do outro, o Samsung QE65Q800T. Ambos televisores de 65 polegadas, ambos modelos da gama alta destas marcas, ainda que sejam das propostas 8K mais acessíveis. Para que saiba ao que vai, o primeiro oscila entre 2294,15 e 2999,99 euros. O segundo tende a ser mais caro: estamos a falar de 2497,81 a 3499,99 euros. A Qualidade Global é, respetivamente, de 70 e 71 por cento. Não é mau, mas há bem melhor entre os modelos 4K, como pode descobrir no nosso comparador de televisores.

Começámos por examinar as ligações e as funções, e verificámos que não é por aqui que os televisores 8K se destacam, sendo que estes foram comparados com seis modelos 4K de gama alta dos mesmos fabricantes. No caso da LG, tratou-se de dois OLED e quatro LCD NanoCell. Para confrontar o Samsung, usámos seis LCD Quantum Dot. 

Também não é pela facilidade de utilização ou pela navegação no portal de smartTV que nenhum destes televisores se distingue, até porque têm o mesmo sistema operativo.

As medições técnicas de imagem, como contraste, ângulo de visão, refletividade do ecrã e uniformidade da iluminação, tão-pouco revelaram grandes diferenças face aos demais LCD NanoCell, no caso do aparelho da LG, mas são muito inferiores aos OLED deste fabricante. Já o Samsung foi algo superior aos restantes modelos da marca, com melhor uniformidade da iluminação e contraste mais acentuado, ainda que a refletividade do ecrã seja pior.

Quanto ao nível máximo de pressão sonora sem distorções, o LG está em linha com os NanoCell da marca, mas é inferior aos OLED. O Samsung, de forma surpreendente face ao preço, teve medições de áudio mais modestas do que as dos QLED da marca.

No consumo, os dois televisores têm apetite de abade. Um painel de 65 polegadas gasta, em média, 120 W sem ajustes nos parâmetros da imagem. O modelo 8K da Samsung quase triplica o valor: vai aos 322 W. E o LG atinge os 188 W. São apenas dois modelos, é certo. Não é fácil retirar conclusões para os restantes equipamentos 8K à venda, nem mesmo para todos os que entrarão no mercado num futuro próximo. Mas são, desde já, dados pouco animadores.

Imagem dos televisores 8K não é má, mas há melhor

O som, com boa qualidade nos dois televisores testados, está ao nível dos predicados dos topo de gama das marcas. Na imagem, existe uma ligeira melhoria em ambos no visionamento de vídeos em 4K, com ou sem otimização de contraste (HDR). Mesmo assim, dois modelos da Samsung, não sendo 8K, tiveram melhores avaliações nos testes de visionamento. Outra tendência dos equipamentos 8K estudados é a pior qualidade a transmitir sinais de televisão via sintonizador TDT. Verificámos também que parâmetros como a boa reprodução de cores e o correto nível de contraste, que permitem conservar algum detalhe nas zonas mais claras e escuras das imagens, têm impacto muito evidente na qualidade final, mais até do que a resolução do ecrã, sobretudo numa comparação entre 4K e 8K, em que se torna praticamente impossível discernir diferenças.

Outro problema é a escassez de conteúdos 8K. O YouTube disponibiliza alguns vídeos com detalhe notável. E certos telemóveis de topo também gravam em 8K. Para analisarmos a qualidade da reprodução destes vídeos nos televisores, instalámos lado a lado os dois aparelhos, que foram conectados por cabo de rede, através de uma ligação de internet com elevada taxa de débito. Os conteúdos foram reproduzidos por streaming (YouTube) e através de uma pendisk, no caso das gravações dos telemóveis. 

Enquanto os vídeos eram reproduzidos, o respetivo nível de resolução era de tempos a tempos alternado entre 4K e 8K, para que o nosso painel de especialistas aferisse eventuais diferenças no detalhe das imagens. Os avaliadores chegaram à conclusão de que reproduzir os vídeos do YouTube em resolução 8K ou 4K era indiferente. Não detetaram diferenças, mesmo quando se posicionavam a menos de um metro de distância. Já os vídeos registados com os telemóveis topo de gama só se destacaram quando produzidos em situações de luminosidade muito favoráveis.

Resumindo, os dois televisores 8K analisados ainda não convencem. São caros, gastam muito e, o pior, ficam aquém das expectativas em termos de imagem. Escolha um dos televisores com melhor avaliação no teste, que, na maioria dos casos, corresponde a um OLED de resolução 4K. Vai muito mais bem servido.

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