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SmartTV: sei o que viste na última noite

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Partilhamos cada vez mais dados pessoais em cada vez mais aparelhos. Os nossos hábitos e dados valem muito na economia digital. Investigámos a situação da SmartTV, em que os consumidores estão desprotegidos e desinformados.

26 outubro 2017
Smart TV dados pessoais.

Thinkstock

Fizemos um teste-piloto com SmartTV, para investigar como os televisores “inteligentes”, dotados de aplicações e ligados à net, estão a reunir e a tratar os dados pessoais – para nos darem recomendações com base no que já vimos ou para direcionarem publicidade adequada ao perfil. A investigação destaca as práticas dos fabricantes de SmartTV, mas os operadores de cabo e os produtores de aplicações para o televisor (algumas pré-instaladas ficam com a informação sem autorização prévia) também reúnem informação sensível.

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Na era da internet, a informação que transmitimos é utilizada e dá dinheiro. Muitos já lhe chamam o novo petróleo. Os dados pessoais dos utilizadores são lenha para o lume da economia digital.

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Quer usar o televisor? Só depois de aceitar os termos e as condições da Android TV da Sony.

Atualmente, estima-se que sejam 9 a 11 mil milhões os aparelhos ligados. A chamada internet das coisas (Internet of Things) traz mais preocupações. Envolve recolha de dados de smartwatch ou pulseiras fitness, mas também do funcionamento do frigorífico, da máquina de lavar roupa e dos equipamentos de vigilância.

O mesmo acontece com os automóveis, cuja conectividade começa a crescer. Os dados recolhidos individualmente, como o número de passos por dia ou como é que conduz, parecem inofensivos. Mas muito deste “combustível” é vendido a terceiros. A centralização da informação acaba num número reduzido de grandes empresas e estas podem construir um perfil muito completo das pessoas. Imagine-se um acesso com piores condições a um seguro de saúde ou automóvel, baseado nesta informação. Este tipo de tecnologia facilita-nos a vida, e também a dos fabricantes, no desenvolvimento de equipamentos eletrónicos. Mas há um lado negro: aparelhos que recolhem grandes quantidades de dados de utilização, alguns mesmo pessoais.

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A União Europeia publicou um regime jurídico com mais obrigações, deveres e sanções. É o chamado Regulamento Geral sobre Proteção de Dados (RGPD). As empresas têm até 25 de maio de 2018 para o aplicar. Nesta data, a adoção é obrigatória em todos os países do espaço comunitário e as sanções podem começar a ser aplicadas. Para já, os fabricantes estão longe de cumprirem o novo regulamento e terão de se adaptar de forma muito significativa.


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