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Smart TV desatualizado tem os dias contados

O que define a nova diretiva ecodesign

As autoridades europeias querem apertar a malha ao desperdício energético. De que maneira? Diminuindo o impacto ambiental dos equipamentos que consomem eletricidade, promovendo a reciclagem de componentes, facilitando a reparação dos equipamentos e, assim, maximizando a chamada economia circular. Daí as exigências da diretiva ecodesign, que estabelecem a atualização do software durante um mínimo de oito anos sobre o lançamento do último aparelho de cada modelo. A informação terá de estar disponível para o consumidor, nem que seja nas especificações dos produtos. Esta medida poderá diminuir fortemente a obsolescência programada, que temos vindo a estudar. 

Televisor a funcionar durante mais tempo é televisor que não segue prematuramente para o lixo, sobretudo se, face a uma avaria, for possível obter peças para reparação, e os serviços de assistência tiverem acesso aos manuais técnicos. A partir de agora, estes serviços devem receber a documentação técnica necessária e as peças importantes para reparar telecomandos, fontes de alimentação, conectores, condensadores, baterias e pilhas, entre outros. Já os consumidores terão acesso garantido a transformadores externos (só alguns televisores os usam) e comandos remotos. Em ambos os casos, impõe-se que as peças sejam entregues, no máximo, em 15 dias úteis após o pedido e que a reparação possa ser efetuada com ferramentas comuns.

Mas a diretiva vai mais longe e quer que, no momento de reformar os equipamentos, os componentes sejam aproveitados ao máximo. Também aqui o acesso mais simples deverá facilitar a desmontagem. Os ecrãs com área superior a 100 centímetros quadrados (todos os televisores, mas nenhuma diagonal de smartphone) não podem ser simplesmente triturados e incinerados. Contêm materiais que podem ser valorizados ou reciclados, e aproveitados por outras indústrias. Estão, por isso, sujeitos a um tratamento seletivo. Apenas o que não for aproveitado será triturado.

A diretiva está ainda preocupada com o uso de substâncias prejudiciais na composição dos plásticos dos televisores. Por isso, proibiu os retardadores halogenados, que se destinam a atrasar ou eliminar a propagação de uma eventual chama (por exemplo, resultante de curto-circuito). Motivo: a elevada toxicidade. O cádmio foi pelo mesmo caminho. Altamente tóxico e, além disso, cancerígeno, foi restringido na composição dos plásticos.

As mudanças são positivas, e o Bureau Européen des Unions de Consommateurs (BEUC), que integramos, saúda o passo em frente. Mas a diretiva poderia ser mais ambiciosa. Por exemplo, a obrigatoriedade de fornecer peças aplica-se sobretudo aos serviços de assistência técnica, o que impede os consumidores com conhecimentos de fazerem reparações em casa. Vamos continuar com a nossa investigação no laboratório e a apoiar o BEUC nesta missão. Queremos saber se os fabricantes respeitam a nova diretiva. Pode aguardar notícias nossas.

3 eixos da diretiva ecodesign

Televisores, máquinas de lavar ou de secar roupa, aparelhos de frio ou outros equipamentos que consumam eletricidade estão sujeitos à diretiva ecodesign, que, independentemente de algumas particularidades consoante cada classe de aparelhos, assentam em três eixos.

Software em dia

As marcas têm de prever atualizações do software que permite o funcionamento dos equipamentos. Para os televisores, o prazo é de oito anos sobre a entrada no mercado do último aparelho de cada modelo.

Peças de substituição

Para evitar o fim prematuro, as marcas têm de facultar, durante um certo período, peças que permitam a reparação em caso de avaria. Nos televisores, o prazo é de sete anos a contar do lançamento do último aparelho de cada modelo.

Reciclar componentes

A diretiva obriga igualmente a conceber os aparelhos de modo que o acesso aos componentes seja facilitado. Objetivo: simplificar a desmontagem de peças para reparação ou, depois, para reciclagem.