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Smart TV desatualizado tem os dias contados

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Cinco anos após o lançamento é quanto leva um televisor a começar a perder inteligência, diz o nosso teste em laboratório. Mas a diretiva ecodesign quer evitar esta morte programada.

  • Dossiê técnico
  • António Alves
  • Texto
  • Inês Lourinho
04 junho 2019
  • Dossiê técnico
  • António Alves
  • Texto
  • Inês Lourinho
obsolescencia

iStock

 

Queixas de consumidores levaram-nos a desconfiar de que os aparelhos com ligação à net, ao fim de algum tempo, perdiam o acesso a apps e a atualizações do sistema operativo. Três anos e 13 televisores investigados depois, confirmámos vários destes problemas. E o teste em laboratório, que arrancou em 2016, vai continuar. Escolhemos dois modelos dos principais fabricantes (Samsung, LG, Sony, Philips e Panasonic), um de gama média e outro alta. Todos lançados em 2015. Juntámos-lhes três aparelhos da Samsung, saídos para o mercado entre 2010 e 2014. Fomos entretanto controlando a presença das apps de streaming mais populares: Amazon Prime Video, Google Play Movies, Netflix, Spotify e YouTube. Este ano, adicionámos a HBO à lista. Além das mais populares, temos verificado a oferta total de apps e investigado se as plataformas de Smart TV são sujeitas a atualizações.

Ora, há um par de anos, o modelo de 2010 já não suportava nenhuma das seis principais apps. Por outras palavras, ao fim de sete anos de lançamento, converteu-se num vulgar televisor. Os modelos de 2012 e 2014, por enquanto, conservam alguma compatibilidade: os primeiros correm a Netflix e a Amazon Prime Video, enquanto os segundos, além destas apps, admitem YouTube e Google Play Movies. Mas pode ser uma questão de tempo até se juntarem ao companheiro de 2010.

A chamada obsolescência programada, processo pelo qual os equipamentos perdem capacidades importantes ou deixam de funcionar a partir de um certo tempo de vida, não é um mito urbano, mas uma realidade que temos vindo a comprovar em laboratório. E agora a União Europeia está apostada em travar o expediente. Qual a racionalidade de substituir aparelhos que ainda podem render anos de funcionamento? A diretiva ecodesign chegará em setembro para impor regras, não apenas a televisores, mas também a várias classes de equipamentos, como máquinas de lavar ou de secar roupa e aparelhos de frio.

As principais exigências? As marcas têm de garantir a atualização do software que permite o funcionamento dos aparelhos durante um período mínimo, que, no caso dos televisores, é de oito anos a contar do lançamento do último aparelho de cada modelo. Incluem-se aqui atualizações do sistema operativo e outras para resolver eventuais problemas de segurança.

Mas também há regras a montante. Os equipamentos devem ser projetados de forma que o acesso aos componentes seja facilitado, tanto para reparar, como para separar as peças e encaminhá-las rumo à reciclagem. Com o objetivo de reforçar a guerra ao hábito do é-mais-barato-comprar-novo, as marcas são obrigadas a prever certas peças de substituição num prazo que, para os televisores, é de sete anos.

Boas notícias ainda no capítulo do consumo: a etiqueta energética foi revista, assim como os valores máximos admissíveis nos vários modos de standby. Poupanças energéticas significativas é o que se quer.

 

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