Notícias

Smart TV consomem mais energia em stand-by do que o anunciado

O stand-by para cada televisor

Verificámos que apenas a LG e a Panasonic anunciam valores de consumo em stand-by referentes a uma utilização do aparelho que inclui as funcionalidades de rede, condizentes com o nosso cenário “instalação completa”. Deveria ser prática comum da indústria, mas a maioria dos fabricantes não o faz. A Philips e a Sony anunciam valores que rondam os mínimos instantâneos de stand-by e a Samsung não anuncia o consumo de stand-by para o QLED que testámos (a informação não consta do site do fabricante). 

 

Consumo dos televisores em stand-by
Marca e modelo Aviso de consumo adicional (WoL)  Stand-by anunciado Instalação mínima Instalação completa 
Consumo médio (W) Consumo máximo instantâneo (W) Consumo médio (W) Consumo máximo instantâneo (W)
LG OLED 55C7V 0,3 0,18 0,51 0,3 1,22
Panasonic TX-55EZ950
0,5 0,36 1,6 0,5 2,1
Philips 55PUS6482/12   < 0.3 0,72 14 0,72 14
Samsung QE55Q8C   ns 0,27 3,9 0,94 4,1
Sony KD-55A1   0,5 1,05 50 2,4 50

 Dois televisores atingem, em determinados instantes, valores em stand-by bastante elevados: 14 W, no caso do Philips, e 50 W, no caso do Sony.

  

O impacto no consumo médio de energia depende muito da frequência e duração com que acontecem os picos momentâneos. Verificámos algumas diferenças nas nossas medições.

LG

Sem estar ligado à internet, o OLED da LG mostra bons resultados em stand-by. Embora surjam várias oscilações, estes picos momentâneos não excedem os 0,5 W e são de curta duração.

Com a ligação à internet e várias funcionalidades ativas, existem múltiplas flutuações nos valores de stand-by. O valor médio de consumo sobe bastante, mas, apesar disso, mantém-se baixo. No televisor que testámos, a app do YouTube não se encontrava pré-instalada. Ao fazê-lo, é dado o alerta de que tal pode ter um impacto no consumo energético do aparelho.

Panasonic

Quando é usada a instalação básica, existem oscilações de consumo em stand-by, mas são pouco significativas e muito pouco impactantes (0,36 W) em relação ao valor médio de consumo.

Numa instalação completa, no caso da Panasonic, a app do YouTube está pré-instalada, mas, ao usá-la pela primeira vez, surge o alerta de que tal pode ter impacto no consumo energético do aparelho. O consumo médio sobe de forma pouco significativa (para 0,5 W), o que é bastante aceitável.

Philips

No caso da instalação básica as oscilações tendem a ser muito pequenas, mantendo-se os valores a rondar os 0,3 W. Existiram, no entanto, dois períodos ao longo das 24 horas das medições em que os valores subiram para entre 10 W e 12 W. O primeiro destes períodos durou cerca de 42 minutos e o segundo cerca de 20 minutos. São períodos que consideramos significativos, pois aumentam o consumo médio para 0,72 W.

Os resultados das medições com ligação à internet e as funcionalidades ativas são praticamente uma cópia da instalação básica. No caso da Philips, parece que o uso das funcionalidades de smart TV não influencia o consumo em stand-by. No entanto, o valor anunciado pelo fabricante (menos de 0,3 W) parece apontar ao valor mínimo e não ao global do período de stand-by (0,72 W).

Samsung

Com a instalação simples, as primeiras observações de consumo de stand-by durante o período de 24 horas pareciam apontar para um valor bastante elevado (próximo dos 4 W). No entanto, observando mais em detalhe, nos primeiros 10 minutos existiram muitos picos de consumo, mas com uma duração muito curta (1 segundo ou menos). Assim sendo, a influência no consumo global é muito menor do que parecia. O valor médio, ao longo das 24 horas, foi baixo: 0,27 W.

Tal como  na instalação simples, também com a instalação completa os resultados pareciam piores. Analisando uma janela de 10 minutos, verificámos mais picos de consumo, o que se reflete num aumento do consumo de stand-by médio (passa de 0,27 W a 0,94 W). Mesmo assim, não é um valor preocupante.

Sony

No aparelho da Sony encontrámos o desempenho mais preocupante em stand-by e com os maiores desvios em relação aos valores anunciados pelo fabricante.

O televisor precisou de uma hora para entrar em verdadeiro modo de stand-by e consumiu cerca de 20 W nesse período. Aparentemente, o aparelho estava a atualizar os dados do guia eletrónico de programas, funcionalidade que pode ser desligada no menu do televisor. No entanto, é complicado encontrar essa entrada de menu, que vem ligada por defeito. Ao contrário de outros fabricantes, nunca é referido no menu o impacto desta funcionalidade no consumo em stand-by.

Verificámos que, mesmo após uma hora, o televisor não se mantém em modo de stand-by profundo. Chegámos a registar uns inaceitáveis 50 W de consumo num período de cinco minutos.

Assim sendo, mesmo no cenário em que o televisor não está ligado à internet, nem tem outro aparelho conectado, o consumo em stand-by médio registado foi de 1,05 W, quase o dobro do valor anunciado pelo fabricante.

Também no caso do Sony, durante a instalação completa é perguntado ao utilizador se quer ativar a função WoL (ativação do TV por cabo de rede/Wi-Fi), dando o YouTube como exemplo. Mas não é referida a influência no consumo em stand-by. Com este cenário de utilização, o panorama piora bastante. A cada 5 minutos, o consumo sobe para cerca de 20 W (durante 8 segundos) e volta a descer para cerca de 0,5 W (valor correspondente ao anunciado pelo fabricante). O valor médio obtido neste cenário é de 2,4 W, quase 5 vezes o valor anunciado.

O fabricante anuncia o valor mínimo do stand-by e não um valor médio ao longo de um determinado número de horas.