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Serviços de televisão sem box poupam até 80 euros por ano

Um tarifário só com net é quase tão caro como uma opção também com voz e televisão. Prescindir da caixa descodificadora pode ser a solução para poupar.

  • Dossiê técnico
  • António Alves e Sofia Costa
  • Texto
  • Inês Lourinho
28 janeiro 2020
  • Dossiê técnico
  • António Alves e Sofia Costa
  • Texto
  • Inês Lourinho
servicos tv

iStock

Trinta euros por mês, mais coisa, menos coisa, é quanto custa um tarifário com acesso à net, a centenas de canais televisivos que ninguém vê na totalidade e a chamadas pelo telefone fixo, cujo interesse está em queda acelerada, devido ao uso generalizado do telemóvel.

E se fosse possível largar o lastro dos canais televisivos e das chamadas de voz para aligeirar a fatura? Os tarifários apenas com net são uma opção cada vez mais popular em países como os EUA, onde os serviços de streaming de vídeo complementam a oferta de canais de sinal aberto. Mas, se esta manobra não compensar, há alternativas?

Investigámos todas as opções e, de momento, a única que traz poupanças efetivas consiste em prescindir da caixa descodificadora, algo apenas possível nos serviços de fibra ou cabo: perdem-se algumas funcionalidades, mas, consoante o operador, são menos 45 a 81 euros por ano.

Para poupar também na compra do televisor, verifique características, resultados do teste e preços no nosso comparador.

Revolução americana não é para amanhã

Está a acontecer um pouco por todo o mundo, mas com maior evidência no lado de lá do Atlântico, nos EUA. Só em 2018, houve aqui uma quebra de quase três milhões de subscrições de serviços de televisão. A moda, agora, é contratar um pacote de net e subscrever serviços de streaming, como a Netflix, ou até, possível neste país, canais clássicos, como a CBS ou a Fox. Em qualquer dos casos, a transmissão faz-se via online. Finta-se, assim, os tarifários com tudo dentro, mas sem utilização de todos os componentes.

Pensando bem, para quem subscreve um serviço de streaming, com catálogos de séries, documentários e filmes cada vez mais ricos, a oferta dos sete canais portugueses de sinal aberto (TDT) poderia até bastar. Outro ponto a favor do streaming: a versatilidade no uso. É possível reproduzir um conteúdo a qualquer hora e em várias plataformas, desde o smartphone ao televisor.

Será que esta revolução americana vai alastrar a Portugal? Poderíamos pensar que as condições estão reunidas, já que a legião de utilizadores do streaming de vídeo tem, segundo a Anacom, subido desde 2016, situando-se em cerca de 11% do total de subscrições de serviços de televisão paga. Falta, contudo, o segundo fator da equação: a oferta de tarifários mais magros, a incluir apenas net. E, aqui, as contas não mentem. Recolhemos os preços mensais, para novas subscrições, de um tarifário de net dotado de velocidade mínima de 100 Mbps, e comparámo-los com os de um 3P (ou apenas televisão e net, quando disponível), em ambos os casos com fidelização. A poupança obtida é residual.

Tarifário só com net não traz grande poupança

Na NOS, net a 26,99 euros, contra NOS 3, a 29,99 euros, rende uma pouco interessante poupança de 3 euros. Na NOWO, idem. O tarifário que inclui apenas net custa 20 euros. Já aquele que combina televisão e net fica por 22,50 euros. A economia é de 2,50 euros. Na MEO, o tarifário mais elegante é o M2, com 27,99 euros de preço mensal, pois o M1, só com net, está direcionado ao gaming e tem 1 Gbps.

Confrontámos, então, o M2 com o M3 Fibra 120 Canais, que custa 29,99 euros. A diferença, de 2 euros, também não compensa. Na Vodafone, o tarifário mais leve, com net e voz, tem um custo de 27,90 euros. Face ao trio de televisão, net e voz, está a uma distância de 2 euros. Portanto, nada disto é solução para obter um produto à medida das necessidades, cortando ainda nos custos.

Para conhecer o tarifário à medida das suas necessidades, explore o nosso comparador.

Fizemos as contas à box

Não podemos, por ora, livrar-nos dos serviços potencialmente menos interessantes dos tarifários 3P. Mas podemos procurar outras formas de poupar e, neste capítulo, a caixa descodificadora é uma boa candidata. E é possível continuar a ver televisão sem box? Sim, nas calmas, desde que o serviço seja apoiado em fibra ou cabo, o que corresponde à situação de 75% dos subscritores de televisão. O sinal de televisão é, neste caso, injetado na rede coaxial doméstica, ficando disponível em todas as tomadas da habitação. Depois, basta usar uma destas tomadas e ligar, com um cabo de antena, a entrada de sintonizador do televisor (DVB-T/C). Já se o serviço de televisão for assegurado por satélite ou ADSL, nada feito. Precisará até de uma caixa descodificadora por cada televisor que tiver em casa.

Prescindir da box significa, consoante o operador, um abate à subscrição no valor de 2,50 a 5 euros mensais, corte que pode chegar aos 9 euros, no caso de caixas preparadas para conteúdos 4K. Todos estes montantes devem ser, claro, multiplicados pelo número de boxes que houver em casa.

Mas não podemos contar apenas com aquilo que se deixa de pagar todos os meses. Ainda que o router seja o maior devorador de eletricidade, a box também é responsável por um gasto apreciável, que, em modo standby, é quase o mesmo que a trabalhar. Fizemos, por isso, contas aos gastos de energia.

Tivemos em consideração os valores de consumo medidos nas boxes que foram instaladas pelos operadores no âmbito do nosso último teste à usabilidade dos serviços de televisão, em janeiro de 2019: MEO By TV, NOS 3, Vodafone TV Net Voz e NOWO Net+TV+Voz. Para o custo da eletricidade, tomámos como referência a tarifa regulada simples. Somámos, então, os consumos obtidos, de 15 a 22 euros anuais em função do operador, ao valor das subscrições. E chegámos a números muito simpáticos: 45 euros de poupança anual na NOWO, 80 na MEO e 81 nas outras duas operadoras. Apenas por recusar a box.

O que perde sem box

Contudo, esta decisão também implica perdas. Que, para uns, terão mais peso do que para outros. Sem box, uma smartTV recente continua a aceder a emissões 4K (por cabo coaxial), e agendar e fazer gravações, tanto através da grelha de programas (EPG), como manualmente. Também pode fazer pausas na transmissão (pause live TV), bastando, para isso, ligar um dispositivo de armazenamento USB. Certos modelos podem até aceder a recomendações automáticas de conteúdos ou ao comando vocal. Tudo isto com o telecomando.

Já não pode é, na esmagadora maioria dos casos, reproduzir gravações automáticas, isto é, recuar até sete dias na programação. Segundo um estudo da Anacom, esta é das funcionalidades mais utilizadas pelos subscritores de televisão. Ainda assim, cerca de quatro em dez não a usam. E, se não a usam, não têm de pagar por ela.

Resumindo, enquanto não existem ofertas de tarifários de net com preço interessante, esta pode ser uma alternativa para aligeirar a fatura – e também o ambiente, pois será menos um aparelho a gastar eletricidade.

Se precisar de esclarecimentos sobre os serviços de telecomunicações, contacte o nosso serviço de informação.

Se ainda não é subscritor, descubra esta e outras vantagens.

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