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Mais de 300 portugueses avaliam serviços de streaming

Os serviços de streaming mudaram o comportamento de alguns dos utilizadores, ao levá-los a comprar menos CD e DVD, mas também a fazer menos downloads ilegais.

  • Dossiê técnico
  • Bruno Carvalho
  • Texto
  • Isabel Vasconcelos
06 novembro 2018 Exclusivo
  • Dossiê técnico
  • Bruno Carvalho
  • Texto
  • Isabel Vasconcelos
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Está prestes a descobrir quem é o vilão na sua série preferida, mas tem de desligar o televisor porque está na hora de ir ao dentista. Após 30 minutos na sala de espera, só pensa que poderia ter assistido ao final do episódio. Com um serviço de streaming, tal não seria problema: bastava ligar a net (do aparelho ou de uma rede sem fios gratuita) e ver os minutos finais.

Os serviços de streaming permitem aceder a filmes, séries, documentários ou músicas. Por admitirem diferentes dispositivos - smartphone, televisor, tablet, consola de jogos ou computador, - estão sempre disponíveis, desde que haja ligação à net. A possibilidade de serem usados em qualquer lugar e quando o utilizador quer é, aliás, uma das principais vantagens, em conjunto com a variedade de conteúdos. Porém, para aceder sem problemas e com toda a liberdade, é preciso pagar.

Como fizemos a investigação

Através de um inquérito, procurámos conhecer a satisfação de quem usa as plataformas de streaming, para que os consumidores estejam mais informados se quiserem subscrever. Os dados foram recolhidos em abril e maio de 2018, através de um inquérito enviado a utilizadores de plataformas de streaming. Além de Portugal, o estudo foi realizado em Espanha, Itália e Bélgica. Como os serviços de filmes e séries incluem plataformas nacionais, apenas usámos a experiência dos 342 portugueses que nos responderam. Já nas plataformas de música, por serem internacionais, reunimos as informações dos quatro países, num total de 2085 experiências. Deste modo, conseguimos dados para comparar mais serviços.

Obtivemos resultados para duas plataformas de filmes e séries - Netflix e NOS Play - e três de música: Spotify, Google Play Music e Apple Music. Segundo os inquiridos, o streaming de conteúdos levou a uma diminuição da compra de DVD ou CD, bem como de downloads ilegais de filmes, séries e músicas.

Netflix agrada na qualidade

Em Portugal, a Netflix tem mais utilizadores do que o NOS Play - sendo que pode haver quem aceda a ambos. O último pode ser contratado ou estar inserido nos pacotes de telecomunicações da NOS: a última opção é a mais comum. Já a Netflix tem de ser contratada. Contudo, cerca de um quinto dos inquiridos encontrava-se no mês experimental gratuito que a plataforma proporciona. Verificámos que metade dos clientes da Netflix partilha o acesso e 24% também o fazem com a mensalidade, como forma de reduzir custos. Já com o NOS Play são poucos os clientes que partilham.

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Estes serviços podem ser acedidos em diferentes dispositivos. A SmartTV e o computador são os preferidos para a Netflix. Para o NOS Play, a caixa descodificadora é o meio mais usado. Perguntámos aos utilizadores com que frequência tinham acedido às plataformas no mês anterior ao do preenchimento do inquérito. Verificámos que a Netflix é uma presença constante para 39% dos utilizadores - acedem seis a sete dias por semana. Já ao NOS Play, 25% revelaram ter usado o serviço um dia por semana.

Uma característica destas plataformas é a possibilidade de descarregar os conteúdos e visualizá-los offline, sem precisar de ligação à net. Contudo, verificámos que 54% dos utilizadores nacionais que nos responderam não conhecem esta função. Para que possam terminar de ver um filme ou um episódio sem se preocuparem com a net, explicamos, em baixo, como fazer.

Será que os serviços de streaming mudaram comportamentos? Parece que sim. Mais de metade dos inquiridos revelaram ver menos televisão em tempo real e comprar menos filmes ou séries em DVD. Já as atividades de tempos livres e o sono foram pouco afetados por estes serviços.

O catálogo de séries e a qualidade do streaming são as variáveis que mais influenciam a satisfação global. Das duas plataformas para as quais recebemos respostas suficientes, a Netflix conseguiu um maior índice de satisfação. Os utilizadores apreciam bastante a qualidade da imagem e do som quando usam a internet de casa, tendo atribuído 8,5 valores em dez. A satisfação com a qualidade do streaming na net de casa (sem quebras ou falhas no serviço) e com os acessos no exterior desce ligeiramente, mas ainda é bastante positiva (8 valores).

Quanto à variedade de conteúdos, o catálogo de séries agrada mais do que o de filmes e documentários. A possibilidade de visualizar em modo offline é a variável com apreciação mais baixa (7 valores), mas constatámos que mais de metade dos inquiridos não tinha conhecimento desta função, o que pode justificar a nota inferior.

As opções para usar offline deixam os utilizadores mais insatisfeitos no NOS Play (4,5 valores em dez). Resta saber se é por desconhecerem que existe a função ou se é por ser pouco prática de usar. A qualidade da imagem e do som quando se usa a net de casa são as variáveis que mais agradam aos utilizadores desta plataforma (7,4 valores).

Quisemos ainda saber se ocorreu algum problema com os serviços nos 12 meses anteriores ao do preenchimento do questionário. Cerca de 28% apontaram falhas. Problemas no streaming (muito lento ou com quebras ou má qualidade da imagem) foram os mais referidos, seguindo-se dificuldades no acesso à plataforma ou a conteúdos.

Spotify recomenda bem as músicas

O Spotify é o serviço mais usado pelos inquiridos nacionais, seguido pelo Google Play Music e pelo Apple Music. Os três são idênticos e, com exceção do Apple, podem ser acedidos de forma gratuita, embora com menos funcionalidades e/ou publicidade. Para aceder sem limitações, paga-se uma mensalidade (versão premium).

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Em regra, os portugueses usam os serviços de música sobretudo no smartphone (80%) e, em menor medida, no computador e no tablet. O acesso às plataformas é frequente: mais de um quarto usou-as seis a sete dias por semana, no mês anterior ao do preenchimento do inquérito. A versão paga destes serviços permite descarregar as músicas, para serem ouvidas quando não há net. Mas nem todos os utilizadores conhecem esta possibilidade.

Também aqui as respostas sugerem uma mudança de comportamentos: menos CD comprados e menos downloads ilegais de músicas. A rádio foi afetada, mas não muito: só 28% indicaram ouvir menos.

As recomendações com base no perfil e a qualidade do streaming são as variáveis que mais influenciam a satisfação global com as plataformas. Tanto no serviço pago como no gratuito, o Spotify consegue utilizadores mais satisfeitos. A música disponível no catálogo é um dos pontos fortes desta plataforma, em ambos os serviços, bem como no pago da Apple. Já a Google Play Music tem uma avaliação inferior à média nesta variável, quer se pague ou não.

Quanto a problemas no último ano, as falhas do streaming (lentidão, quebras ou má qualidade do som) foram os mais referidos. A Google Play Music foi a plataforma com maior incidência.

 

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